IPCA, vendas no varejo, IPO e ata do Fomc agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Divulgação

Em semana com número menor de indicadores, o destaque fica com a divulgação do IPCA – indicador oficial de inflação que vai mostrar o tamanho da alta de preços no pais. Os números das vendas no varejo vão apontar se o setor engrenou com força para aquecer a economia.

No setor corporativo, outra estreia da bolsa, da Sequoia, será mais um ponto de atenção, após sinais de que a onda de IPOs está desacelerando.

Na agenda exterior, a ata do Fomc dará mais sinais sobre os rumos da política monetária dos EUA.

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Bolsa: dias no limite

A semana anterior foi atribulada, com sessões alternando altas e quedas abruptas.

Os pregões ocorreram em meio a um noticiário intenso, marcado por assuntos que foram da decisão do STF sobre a liberação da venda de ativos da Petrobras (PETR4) ao aumento do número de caos de Covid-19 na Europa.

E, na sexta (2), a notícia de que o presidente Donald Trump testou positivo para o novo coronavírus abalou de vez os mercados.

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A mulher do presidente, Melania, também foi diagnosticada com o vírus. Ao final do dia, o candidato à reeleição foi internado.

Levado de helicóptero ao hospital militar Walter Reed Medical Center, na capital Washington, Trump estava com febre. Alguns portais americanos de notícias falaram em insuficiência respiratória.

A Casa Branca falou em quadro de falta de ar e fadiga.

Neste domingo (4), porém, os médicos que atendem o presidente garantiram que ele está melhor, sem febre e falta de ar — depois de receber oxigenação no sábado.

Há possibilidade de Trump ter alta nesta segunda, para ser tratado na Casa Branca.

Mas, atrás do democrata Joe Biden nas pesquisas em semana marcada pelo primeiro debate — marcado por discussões quentes –, permanece a dúvida se Trump conseguirá retornar à campanha,

O pleito acontece daqui a algumas semanas, em 3 de novembro.

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Incertezas

Em meio aos desencontros das notícias, os índices em Nova York desabaram. Dow Jones recuou  0,48%. O S&P 500 teve queda de 0,96%. E o Nasdaq caiu s 2,22%.

Ao menos a semana, nos EUA, registrou alta: S&P 500 subiu 1,51%, Nasdaq avançou1,48% e Dow Jone ganhou 1,87% (semana).

Não foi o que ocorreu com o Ibovespa. Na esteira da tensão e incertezas, a bolsa terminou a quinta semana seguida em queda.

Dessa forma, o recuo ficou em 3,08%, contra o de 1,31% da semana anterior. Na sexta-feira (2), o índice caiu 1,53%, ficando com 94.015,68 pontos.

No mês a queda está em 0,62%. As perdas acumuladas de 2020 ficaram em 18,70%.

Diante da internação de Trump, e da proximidade das eleições no EUA, a próxima semana deve rondar o terreno da dúvida e imprecisão.

Já o dólar fechou a sexta com nova alta. A moeda norte-americana se elevou em 0,29%, indo a R$ 5,6704, e fechou a semana com mais 2,06%.

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Pauta variada

Mas há outras pautas para mexer com os ânimos dos investidores durante a semana.

O cardápio dos assuntos no país vai incluir certamente debates em Brasília sobre o programa Renda Cidadã – que esbarra em questões que vêm elevando a temperatura, entre as quais os gastos do governo e equilíbrio fiscal.

Em meio à pandemia, a reforma tributária foi perdendo espaço e urgência na pauta do Congresso. Pode ficar para 2021, assim como a discussão sobre o novo imposto sobre transações financeiras idealizado pela equipe econômica.

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Nos EUA, prosseguem as discussões sobre pacote de estímulos à economia.

A Câmara fez a última votação da semana na sexta, antes do recesso planejado para outubro.

Ainda assim, os congressistas podem ser chamados para votar, em urgência, o pacote. Falta acordo para se chegar à aprovação dos US$ 2,2 trilhões, como querem os democratas e a presidente da Câmara Nancy Pelosi.

IPCA: expectativa

O indicador mais aguardado pelo mercado, na agenda da semana, sairá na sexta (9).

Apurado pelo IBGE, o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA), que aponta a inflação oficial do país, tem divulgação em meio a um período de altas de preços. Será a leitura de setembro.

O mercado prevê um número em torno de 0,52% para o IPCA.

O IPCA de agosto ficou em 0,24%, ante 0,36% de julho. A projeção do mercado era por leitura pouco inferior, de 0,23%.

Em junho, o avanço do IPCA foi de 0,26%. Maio e abril foram meses de deflação.

No ano, o indicador acumula alta de 0,70% e, em 12 meses, de 2,44%. A meta do governo para o ano é de inflação de 4%.

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IGP-DI

Além do IPCA, a inflação terá a=a sinalização do O IGP-DI. O indicador de setembro será divulgado na quinta (8).

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 3,87% em agosto, percentual superior ao apurado no mês anterior, quando havia registrado taxa de 2,34%.

Com isto, o índice acumula alta de 11,13% no ano e de 15,23% em 12 meses. Em agosto de 2019, o índice havia variado -0,51% e acumulava elevação de 4,32% em 12 meses.

O IGP-DI é uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP), também da FGV. Ele mede, no período de um mês, a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

A pesquisa abrange toda a população, sem restrição de nível de renda. Ele é formado em 60% pelos preços ao produtor ( IPA-DI). Mais 30% dos preços ao consumidor (IPC-DI). E 10% dos custos da construção (INCC-DI).

IPO da semana

Após alguns cancelamentos e  estreias adiadas, a fase dos IPOS continua nesta semana com uma oferta aguardada.

A Sequoia Logística e Transportes definiu a faixa indicativa de preços referente a sua oferta pública inicial de ações (IPO). Assim sendo, as ações serão precificadas entre R$ 14,25 e R$ 17,75.

Caso ela fique no meio da faixa indicativa, no valor de R$ 16, a companhia poderá levantar R$ 1,123 bilhão com a oferta.

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Há ainda a possibilidade de um lote adicional de até 20%, ou 14.035.088 ações. Além de lote suplementar de até 15%, ou 10.526.315 ações.

A companhia realizará a oferta primária e secundária das ações.

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IPO da Sequoia: companhia de logística

A Sequoia é uma companhia de logística que emprega o uso de tecnologia em seus serviços, e líder no Brasil dentre as empresas privadas, considerando o número de entregas realizadas no mercado de e-commerce.

Atua no espectro completo de serviços no segmento de logística e transporte, com foco na realização de entregas expressas e em soluções de logística reversa para o e-commerce.

Vendas do varejo de agosto

Com a flexibilização das medidas da pandemia, o varejo pode engatar uma aceleração em agosto, após alguns meses de baixas e estimativas tímidas.

A Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que indica os dados do setor, tem anúncio marcado para a quinta (8).

O volume de vendas do varejo cresceu 5,2% em julho no Brasil. A leitura veio acima da projeção do mercado, que era por 1,2%. Em junho, o resultado foi de alta de 8%. Em maio, o resultado foi recorde, com avanço de 13,3%.

O resultado foi divulgado na Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, este é o maior resultado para o mês de julho da série histórica, iniciada em 2000. E é também a terceira alta seguida no ano.

Algumas categorias já apresentam resultados acima dos registrados no período pré-pandemia de Covid-19, como móveis e eletrodomésticos e hiper e supermercados.

“Até junho, houve uma espécie de compensação do que ocorreu na pandemia. Então, em julho, a recuperação já tem um excedente de crescimento”, avalia o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

“Como o indicador despencou de fevereiro até abril, a base ficou muito baixa e essa recuperação vem trazendo todos os indicadores para os níveis pré-pandemia”, afirma.

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Anfavea

Na terça (6) a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)  divulgará a produção total de veículos em setembro — o que pode ser mais um indicativo da recuperação ou não da economia.

Dessa forma, em agosto, na comparação com julho de 2020, a indústria de veículos apresentou crescimento de 23,6%, com a produção de 210.860 automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões contra 170.651 do mês anterior.

“Esse crescimento era esperado, estamos aos poucos aumentando a produção. Quando olha em relação ao ano passado, ainda é muito baixo. Estamos com 60 mil unidades a menos que agosto do ano passado”, afirmou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Em relação aos licenciamentos, o mês de agosto fechou com alta de 5,1% em relação ao de julho (183,4 mil).

As exportações, por sua vez, tiveram queda de 3,4% no período, fechando os 31 dias de agosto com 28,1 mil veículos embarcados para fora do País.

Ata do Fomc

O documento do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), divulgado na quarta (6), será o ponto principal da agenda externa.

Os dirigentes do Fed (Federal Reserve) darão mais indicativos da política monetária e da recuperação econômica dos EUA.

Na última divulgação do Fed, em 16 de setembro, a instituição manteve os juros perto do zero e afirmou que pretende manter as taxas no patamar perto da estabilidade até pelo menos 2023.

A decisão era aguardada pelo mercado.

A decisão não foi tomada de maneira unânime pelos dirigentes da instituição. Foram oito votos a favor e dois contra.

Mas todos os dirigentes do Fomc veem juro estável entre zero e 0,25% em 2020 e 2021. A taxa só será alterada se a inflação subir, resumiram os dirigentes da instituição.

O Fed disse estar “comprometido em usar seu total arsenal de instrumentos para apoiar a economia, promovendo o máximo emprego e a estabilidade dos preços”.

Inflação e títulos do Tesouro

A instituição monetária lembrou que a pandemia do novo coronavírus provocou “um tremendo revés humano e econômico nos EUA e no mundo”

A atividade econômica e o emprego, por exemplo, estão se recuperando nos últimos meses, pondera o Fed em comunicado, mas ainda continuam muito abaixo do início do ano

Por esse motivo, o Fed disse que pretende manter a política de juros perto do zero até os índices de emprego subirem. Com isso, aguardam ainda que a inflação fique em torno de 2%.

“Nos próximos meses, vamos aumentar compras de títulos, pelo menos, no ritmo atual”, anunciou o Fed.

“O Federal Reserve aumentará suas participações em títulos do Tesouro e títulos garantidos por hipotecas de agências, pelo menos no ritmo atual para manter o funcionamento do mercado”, explica o comunicado.

“Isso ajudará a promover condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas”, acrescentou o Fed.

Os dirigentes argumentaram ainda que a atual crise sanitária — ainda com números altos nos EUA — continuará a pesar na atividade econômica, no emprego e na inflação no curto e médio prazos.

Mais Agenda Externa

Números finais da PMI da Zona do Euro, Alemanha e Estados Unidos serão anunciados nesta segunda (5).

O Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) industrial dos Estados Unidos, por exemplo, apontou avanço da atividade econômica em agosto perante julho.

O indicador registrou 53,1 pontos, ante 50,9 pontos do mês anterior. A projeção do mercado era por resultado um pouco melhor: 53,6 pontos.

A divulgação é feita nesta) pela IHS Markit. Números de PMI acima dos 50 pontos indicam crescimento da economia. Ao passo que números inferiores indicam retração.

Na terça sai o relatório Jolts (Job Openings and Labor Turnover Summary, Jolts, na sigla em inglês) de agosto.

A pesquisa é feita pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos e reporta a oferta de vagas de trabalho no país.

A semana terá mais um evento importante: na quarta, haverá o debate entre os candidatos à vice-presidência. A

O republicano Mike Pence discutirá propostas de governo com a democrata Kamala Harris.

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