IPCA sobe 0,93%, abaixo da expectativa de 1%; em 12 meses, alta é de 6,10%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, fechou o mês de março com alta de 0,93%.

O resultado representa a maior alta do índice desde 2015. No entanto, ele ficou abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 1% no mês.

Em fevereiro, o indicador havia variado 0,86%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,05% no ano.

Nos últimos 12 meses, o avanço é de 6,10%. Ou seja, acima do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, que é 5,25%. O resultado do IPCA impacta nas decisões da Selic, taxa básica de juros. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir Selic acontece em maio e é aguardado um novo aumento de 0,75 ponto porcentual para a taxa.

Os principais impactos no avanço do IPCA vêm dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A gasolina nos postos teve alta de 11,26%, o etanol, de 12,59% e o óleo diesel, de 9,05%.

O mesmo aconteceu com o gás, que teve dois reajustes nas refinarias nesse período, acumulando alta de 10,46%. Agora, o aumento chega ao consumidor, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

IPCA

Reprodução/IBGE

Gasolina tem maior impacto no IPCA

A gasolina foi o item que contribuiu com o maior impacto no IPCA de março (0,60 ponto percentual). Sendo que São Luís (MA) teve a menor variação (6,32%), dentre as 16 localidades pesquisadas, no preço da gasolina ao consumidor. Já o Rio de Janeiro (RJ) foi onde os motoristas mais sentiram no bolso (14,45%) esse reajuste.

O Rio de Janeiro teve, inclusive, outros aumentos que impactaram a inflação de março. Um deles foi o das passagens de trem, que subiram 6,38% em 23 de fevereiro, resultando em uma alta de 3,57% no custo dos transportes na capital fluminense. E houve também reajustes de 4,66% e 4,50% nas concessionárias de energia, em 15 de março, e 3,50% no gás encanado, no dia 1º de fevereiro, contribuindo para uma alta de 0,77% nos custos de habitação do carioca.

IPCA: preços de alimentos e bebidas desaceleram

Uma boa notícia para o consumidor é que a inflação do grupo alimentação e bebidas (0,13%) vem desacelerando.

As variações anteriores foram de 1,74% em dezembro, 1,02% em janeiro e 0,27% em fevereiro.

“Os alimentos tiveram alta de 14,09% em 2020. Mas, desde dezembro, apresentam uma tendência de desaceleração. A maior estabilidade do câmbio e a redução na demanda por conta da suspensão do auxílio emergencial nos primeiros meses do ano explicam”, diz Kislanov.

A alimentação no domicílio teve queda de 0,17%, enquanto a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,89%.

Goiânia tem maior inflação

Todas as regiões pesquisadas apresentaram variação positiva no IPCA.

O maior resultado ficou com o município de Goiânia (1,46%), onde pesaram as altas de 13,65% na gasolina e 18,43% no etanol.

O menor índice foi observado na região metropolitana do Recife (0,62%), principalmente por conta das quedas na energia elétrica (-2,23%) e no tomate (-21,03%).

INPC varia 0,86% em março

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), subiu 0,86%, resultado levemente acima do de fevereiro (0,82%) e também o maior índice para um mês de março desde 2015, quando o INPC variou 1,51%.

No ano, o indicador acumula alta de 1,96% e, em 12 meses, de 6,94%.

BTG Pactual (BPAC11) vê desaceleração com aumento na produção do petróleo

Para a equipe de economistas do BTG Pactual (BPAC11), a expectativa é a de que o IPCA desacelere nos próximos meses, especialmente por conta do aumento da produção de petróleo pela Opep, o que deve aliviar o preço da commodity.

No entanto, o banco alerta que, para que a redução dos preços se confirme, é preciso que o governo mantenha uma sustentabilidade das despesas públicas, a partir da aprovação das reformas estruturais e o avanço do calendário de vacinação, o que colaborará para uma taxa de câmbio médio menor.