IPCA, setor de serviços, vendas no varejo e Livro Bege agitam a semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: anna-shvets-pexels

A segunda semana cheia de 2021 terá como destaque a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A inflação oficial do país, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), terá os números de dezembro e o consolidado do ano — dados vitais para entender também o comportamento da economia do país em tempos de alta de preços, apontado por outros indicadores.

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Os próximos dias trarão ainda informações sobre o setor de serviços, na Pesquisa Mensal feita pelo IBGE, com números de novembro.

O IBGE divulga também o volume de vendas do varejo brasileiro em novembro.

Na agenda externa, atenção para o anúncio do Livro Bege. O documento, assinado pelos dirigentes do Federal Reserve (Fed), faz observações sobre indicadores como desemprego, inflação, consumo e atividade industrial.

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Os EUA passam por um momento de agravamento da crise sanitária causada pela Covid-19. Na sexta, o país bateu recordes de casos e óbitos. Estados e cidades vêm decretando medidas de restrição e circulação contra a disseminação o vírus.

A apreensão pela pandemia foi abordada pelas autoridades do Fed na ata da última reunião, em dezembro. Os membros do Fed devem dar mais orientações sobre a estratégia de política monetária que a instituição pode adotar nos próximos meses.

Bolsa: euforia e recordes

As perspectivas de vacinação no Brasil causaram otimismo no mercado. O Ibovespa bateu recordes de pontos, acima dos 125 mil, e passou a última semana no positivo.

A bolsa brasileira seguiu movimento do mercado internacional. O cenário esperançoso é impulsionado pela vacinação — já iniciada em mais de 50 países –, mas também pelo quadro da política americana.

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A folha de pagamentos oficial não-agrícola dos Estados Unidos (payroll) apontou o fechamento de 140 mil postos de trabalho em dezembro. A projeção era de geração de 71 mil vagas no mês. Isso também provocou bons resultados em Nova York.

Na Europa, há novas notícias positivas sobre vacinas. Um estudo de laboratório indicou que a vacina da Pfizer e da BioNTech poderia ser eficaz contra as novas mutações altamente transmissíveis do vírus encontradas no Reino Unido e na África do Sul.

E houve mais notícias alentadoras. O desemprego na zona do euro caiu inesperadamente em novembro, de acordo com dados do Eurostat publicados na sexta, indo de 8,4% em outubro para 8,3%.

Esse quadro com noticiário promissor também refletiu no mercado brasileiro.

Vacinas

A bolsa de valores brasileira renovou o recorde da quinta (7) e, um dia depois, subiu mais 2,20%, alcançando 125.076,63 pontos. Dessa forma a primeira semana de pregão em 2021 encerrou com ganhos de 5,09%.

O clima favorável foi reforçado com o novo pedido de emergencial de vacina no Brasil. A Agência de Vigilância Sanitária, a Anvisa, recebeu solicitação da Fiocruz para a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) em parceria com a AstraZeneca.

No mesmo dia, a agência recebeu o pedido de autorização temporária de uso emergencial, em caráter experimental, da vacina CoronaVac.

A solicitação foi feita pelo Instituto Butantan, que conduz os estudos da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela chinesa Sinovac no Brasil.

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De acordo com a agência reguladora, a triagem dos documentos presentes na solicitação e da proposta de uso emergencial que o laboratório pretende fazer já foi iniciada.

A semana anterior foi marcada também pela alta de papéis ligados a commodities — como os da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) — e notícias auspiciosas no setor corporativo.

Na sexta, por exemplo, a possível fusão da Notre Dame Intermédica (GNDI3) e a Hapvida (HAPV3) elevaram os preços das ações dessas empresas, que dispararam no meio do pregão.

O cenário de bons ventos pode se repetir nesta semana.

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Dólar

O dólar fechou a sexta com nova alta. A moeda norte-americana subiu 0,32%.

A entrada de investidores externos na bolsa pode estar impulsionando o dólar. Com a taxa Selic (juros básicos da economia) em 2% ao ano, no menor nível da história e abaixo da inflação estimada em 4,3% em 12 meses, o real tornou-se uma moeda barata para fazer hedge (proteção cambial).

Estrangeiros que compram ações ou outros ativos financeiros também compram dólares para cobrir eventuais prejuízos em reais que tomem em outros investimentos.

Isso pressiona para cima o câmbio no início de ano.

IPCA

O IPCA, índice oficial de inflação, com os dados de dezembro e 2020, sai na próxima terça (12) ainda em um quadro nacional de avanço de preços e pressão inflacionária.

O boletim Focus do Banco Central, divulgado na última segunda (4),  apontou ligeira queda para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA – a inflação oficial do país), de 4,39% da apuração anterior para 4,38%.

Para 2021, o Focus indica queda nas projeções do indicador — foi de 3,34% da apuração anterior para 3,32%.

O mercado estima, na média,  IPCA de 1.25% para dezembro e 4.42% para 2020.

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IPCA em novembro: alta

Vale lembrar o resultado em novembro. Nesse mês, o indicador do IBGE subiu para 0,89%, acima do registrado em outubro (0,86%) e das projeções do mercado, que previam alta de 0,78%.

De acordo com o IBGE, essa é a maior variação para um mês de novembro desde 2015, quando o IPCA foi de 1,01%.

Em novembro de 2019, a variação havia sido de 0,51%.

Com o resultado, a inflação acumulada no ano chegava a 3,13% e em 12 meses, a 4,31%, já acima da meta do governo, de 4%.

Todas as áreas do país pesquisadas apresentaram alta em novembro. O maior resultado ficou com o município de Goiânia (1,41%) e o menor índice foi registrado em Brasília (0,35%).

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados naquela ocasião, sete tiveram alta. Mais uma vez, Alimentos e Transportes puxaram o índice e representaram cerca de 89% do IPCA de novembro.

Pesquisa Mensal de Serviços

Outro termômetro de peso da economia, a Pesquisa Mensal de Serviços sai na quarta (13).

O setor de serviços cresceu 1,7% na passagem de setembro para outubro, o quinto resultado positivo consecutivo da PMS, divulgada pelo IBGE. No total, foi acumulado ganho de 15,8% nesse período.

O resultado, entretanto, ainda é insuficiente para compensar as perdas de 19,8% entre fevereiro e maio, geradas pela pandemia.

O volume de serviços prestados estava 16,6% abaixo do recorde histórico alcançado em novembro de 2014 e 6,1% inferior a fevereiro de 2020.

Em relação a outubro de 2019, o setor recuou 7,4%, registrando a oitava taxa negativa seguida nessa comparação.

Até outubro, a queda foi de 8,7%, enquanto, nos 12 meses anteriores, o recuo chegou a 6,8%.

Foi o pior resultado desde o início da série histórica, em dezembro de 2012, para esse indicador.

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Setores pesquisados

Na passagem de setembro para outubro, quatro das cinco atividades pesquisadas cresceram, com destaque para Informação e comunicação (2,6%).

Por outro lado, apenas o setor de Outros serviços (-3,5%) registrou taxa negativa nessa comparação, devolvendo parte do ganho de 19,2% acumulado nos últimos quatro meses.

Entretanto, no acumulado de janeiro a outubro de 2020, Outros serviços (6,4%) foi a única contribuição positiva.

“O setor se encontra acima do patamar de fevereiro, antes dos efeitos da pandemia”, comentou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

“Essa atividade vem sendo impulsionada, principalmente, pelo aumento das receitas em corretoras de títulos, valores mobiliários e mercadorias, além de administração de bolsas e mercados de balcão organizados”, completou.

Outra atividade que também operava acima do patamar pré-pandemia era a de Informação e comunicação, que avançou 2,6% em relação a setembro, mas ainda acumula recuo de 2,3% no ano.

Vendas no Varejo

A semana terá ainda o anúncio das vendas no varejo em dezembro, também apuradas pelo IBGE na Pesquisa Mensal do Comércio. Os números serão divulgados na sexta (15).

Segundo o instituto, a PMC produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do comércio varejista no País, investigando a receita bruta de revenda nas empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas.

As vendas do comércio varejista cresceram 0,9% em outubro em relação a setembro na série com ajuste sazonal, revelou o IBGE.

Foi a sexta alta seguida. Na comparação com outubro do ano passado, o indicador registra variação de 8,3%.

Com o resultado, no acumulado do ano, o varejo tem uma elevação de 0,9% nas vendas e em 12 meses sobe 1,3%.

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Varejo ampliado

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, o volume de vendas cresceu 2,1% em relação a setembro de 2020, sexta variação positiva consecutiva. A média móvel (2,4%) sinalizou desaceleração no ritmo de vendas.

Em relação a outubro de 2019, o varejo ampliado cresceu 6,0%, quarta taxa positiva consecutiva.

O acumulado no ano ficou em -2,6%. O acumulado nos últimos 12 meses repetiu a taxa de setembro (-1,4%).

Nas 22 das 27 Unidades da Federação, o comércio teve aumento de vendas em outubro na comparação com setembro. Em relação a outubro de 2019, apenas Tocantins registrou recuo.

Recuperação

De acordo com o IBGE, a trajetória de crescimento iniciada em maio se mantém, após o tombo motivado pela pandemia de Covid-19 em março e abril.

Na série livre de influências sazonais, o comércio varejista voltou a demonstrar aumento no ritmo de vendas na passagem de setembro para outubro.

A variação na comparação com o mesmo mês do ano passado é também a maior, em termos de magnitude, dos últimos cinco meses.

“Os resultados contribuem para que o patamar de vendas de outubro de 2020 se posicione como o nível recorde da série, 0,9% acima do patamar anterior, o mês setembro de 2020”, diz o IBGE.

Livro Bege

No calendário externo desta semana, sobressai o anúncio do Livro Bege.

O documento elaborado pelos dirigentes do Fed pontua o comportamento da economia americana e indica pistas de mudanças ou manutenção na rota da política monetária, a poucos dias da posse de Joe Biden, em 20 de janeiro.

Passando pou um período de piora assustadora de números na pandemia, o quadro nos EUA tem feito o Fed sinalizar alguns tópicos de como pretende reagir a medidas que impõem isolamento social e diminuição da atividade econômica.

O Fed divulgou na última quarta (6) as atas da reuniões que mantiveram, em dezembro, as taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, voltou a reforçar que a pandemia de Covid -19 — hoje em números recordes de alta de contaminações no país – tem impacto humano e econômico tremendo nos EUA e no mundo.

Segundo o documento do Fed, as condições financeiras se mantêm estáveis, refletindo medidas de apoio.

O comitê concorda em usar todas as ferramentas para apoiar a economia americana e reiterou que a recuperação econômica dependerá do coronavírus e a crise na saúde continuará pesando na economia.

No último comunicado, o Fed afirmou que manterá a compra de ativos em ao menos US$ 120 bilhões ao mês. E avisou que estenderia linhas de swap de dólar até setembro de 2021.

Na ata divulgada na quarta da semana passada, o Fomc disse que dará avisos ao mercado caso o programa seja reduzido.

Abaixo dos níveis do início do ano

O Fomc ponderou nas atas que retomada da economia é mais forte do que inicialmente previsto, mas está se desacelerando, em meio a um quadro de alta acelerada de diagnósticos de infecção pelo novo coronavírus nos EUA e decretos de medidas restritivas contra o avanço da pandemia.

O Fed manteve sua política monetária de afrouxamento intacta e se comprometeu novamente a fazer o que puder nos próximos meses para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia.

Disse que o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus pode ajudar a economia no médio prazo.

Veja a agenda completa

Segunda-feira (11)

  • BCB: Boletim Focus (semanal), às 8h25
  • MDIC: Balança comercial (semanal), às 15h

Terça-feira (12)

  • FGV: IGP-M (1ª prévia de janeiro), às 8h
  • IBGE: IPCA (dezembro), às 8h
  • EUA: Relatório mensal da produção mundial de grãos

Quarta-feira (13)

  • Zona do Euro, Produção industrial (novembro), às 7h
  • IBGE: Pesquisa Mensal de Serviços (novembro), às 9h
  • IBGE: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, às 9h
  • EUA: Índice de preços ao consumidor (dezembro), às 10h30
  • Fed: Livro Bege, às 16h

Quinta-feira (14)

  • IBGE: Pesquisa Industrial Mensal – Regional (novembro), às 9h
  • EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 10h30
  • Discurso de Jerome Powell (presidente do Fed), às 14h30

Sexta-feira (14)

  • FGV: IGP-10 (janeiro), às 8h
  • IBGE: Pesquisa Mensal de Comércio (novembro), às 9h
  • EUA: Índice Empire Manufacturing de atividade (janeiro), às 10h30
  • EUA: Vendas do Varejo (dezembro), às 10h30
  • EUA: Produção industrial (dezembro), às 11h15

 

 

 

 

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