IPCA: queda no preço dos combustíveis gera deflação de 0,31%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do Brasil, caiu 0,31% em abril, ante 0,07% registrado em março. A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado confirma a expectativa do mercado por queda de inflação decorrente da crise do coronavírus. E é o menor registro para o IPCA desde agosto de 1998, quando foi de -0,51%.

No ano, o IPCA acumula alta de 0,22%. E, nos últimos doze meses, de 2,40%.

Em abril de 2019, a taxa havia ficado em 0,57%.

A queda na inflação é explicada, principalmente, pela baixa nos preços dos combustíveis (-9,59%).

“O resultado de abril foi muito influenciado pela série de reduções nos preços dos combustíveis, principalmente da gasolina, que caiu bastante e puxou o índice para baixo”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

No período de coleta, houve dois anúncios de diminuição no preço da gasolina: no dia 28 de março, de 5%, e no dia 20 de abril, de 8%.

IPCA

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Transportes têm maior impacto negativo no IPCA

O grupo Transportes, que teve queda de 2,66%, apresentou o maior impacto negativo no IPCA de abril (-0,54 ponto percentual).

O recuo de 9,59% nos preços dos combustíveis foi puxado pela redução de 9,31% na gasolina, que exerceu o maior impacto individual negativo no índice do mês (-0,47 ponto porcentual).

A gasolina registrou deflação em todas as 16 regiões pesquisadas, sendo a maior em Curitiba (-13,92%) e a menor no Rio de Janeiro (-5,13%). Etanol (-13,51%), óleo diesel (-6,09%) e gás veicular (-0,79%) também apresentaram queda em abril.

Alimentos têm contribuição positiva

A maior contribuição positiva no índice do mês (0,35 ponto porcentual) veio de Alimentação e bebidas (1,79%). O grupo acelerou em relação ao resultado do mês anterior (1,13%).

A alimentação no domicílio passou de 1,40% em março para 2,24% em abril, com destaque para as altas da cebola (34,83%), da batata-inglesa (22,81%), do feijão-carioca (17,29%) e do leite longa vida (9,59%).

As carnes (-2,01%) apresentaram queda pelo quarto mês consecutivo, desta vez mais intensa que a do mês anterior (-0,30%).

A alimentação fora do domicílio, por sua vez, passou de 0,51% em março para 0,76% em abril, influenciada pela alta do lanche (3,07%). Isto decorre do aumento nos pedidos de delivery, para consumo em casa.

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Focus projeta IPCA de 1,97% até o final do ano

O Banco Central divulgou na segunda-feira (4) as projeções do mercado financeiro para o IPCA, no Boletim Focus.

De acordo as perspectivas das principais instituições financeiras, o IPCA deve fechar o ano de 2020 em 1,97%.

A expectativa de queda na inflação decorre da baixa demanda ocasionada pelas quarentenas adotadas no combate à proliferação do coronavírus. Com as pessoas consumindo menos, as empresas tendem a baixar os preços dos produtos para conseguir vender.

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