IPCA, Payroll e o Imposto do Pecado – Morning Call

Filipe Teixeira
Colaborador do Torcedores
1

Após o revés inesperado, onde não conseguiu acompanhar a “vibe positiva” em Nova Iorque, o mercado brasileiro abre esta sexta-feira com expectativas bem menores em relação ao IPCA de janeiro, divulgado hoje (09h) pelo IBGE. Ocorre que o comunicado do Copom deixou claro o fim de ciclo para a Selic, de modo que mesmo a expectativa de uma importante desaceleração do principal indicador de inflação aqui no Brasil, não mexerá muito com as expectativas sobre os juros, tampouco ameaçar a meta de inflação estipulada pelo governo.

O indicador deve corrigir a alta expressiva de 1,35% em dezembro, para algo em torno de 0,35% em janeiro.

O que se verificou na curva DI, um dia após a decisão do Banco Central, foram apostas maciças de que os juros não deverão subir em 2020. Instituições como o Itaú, que previam um buraco mais embaixo (Selic a 4%), se viram obrigadas a corrigir suas projeções.

Durante a madrugada, surgiram informações de um telefonema entre Trump e Xi Jinping, onde o líder chinês se mostrou confiante na capacidade chinesa em conter os avanços do coronavírus, amenizando o impacto econômico no longo prazo. Os líderes reforçaram ainda, a importância de seguir com o diálogo e a cooperação mútua, mantendo o compromisso de implementar o pacto firmado na fase I do acordo.

Nos EUA, o aguardo é por um payroll forte nesta sexta-feira. A expectativa é pela criação de 160 mil vagas de trabalho em janeiro, contra as 145 mil registradas em dezembro, mantendo a taxa de desemprego nos atuais 3,5%.

Na política, a reportagem do Estadão sugere que Paulo Guedes ainda nutre esperanças em uma CPMF digital, voltando a citar novamente o “imposto do pecado”, mesmo após veementes negativas por parte da Câmara e do próprio Bolsonaro.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O que a grande imprensa vem negligenciando e o próprio presidente aparentemente desconhece, é que o imposto do pecado não só já existe, como já está contemplado em ambas as propostas enviadas pela Câmara e pelo Senado.

Como o intuito é de simplificação e unificação de impostos, a proposta pretende isolar produtos que hoje já possuem alíquotas especiais, como é o caso dos cigarros, fazendo com que estes paguem uma tarifa adicional, que está designado com Imposto Seletivo (IS), justamente para que estes produtos, não entrem na alíquota simplificada dos demais bens e serviços, que pagarão o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

Dessa forma, os cigarros, doces e bebidas alcoólicas, não teriam alíquotas iguais ao feijão por exemplo, o que já ocorre hoje. Neste ponto, erra a imprensa em fazer terrorismo em torno do imposto do pecado, mas também erra o presidente ao afirmar que o imposto não será criado.

Não só será criado, como é um acerto da equipe econômica.