IPCA recua para 0,53% em junho, abaixo da projeção do mercado

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Internet

Indicador oficial de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, desacelerou para 0,53% em junho, depois de ficar em 0,83% em maio. A projeção do mercado era por alta de 0,59%.

Mesmo assim, esse é o maior resultado para o mês desde junho de 2018 (1,26%).

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Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses. A variação acumulada em 12 meses é a maior desde setembro de 2016 (8,48%). Comparativamente, em junho de 2020, a taxa mensal foi de 0,26%.

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IPCA

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Energia elétrica tem maior impacto no IPCA

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em junho. O maior impacto foi do grupo habitação (1,10%), principalmente, por causa da energia elétrica (1,95%). Embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (5,37%), a conta de luz teve o maior impacto individual no índice do mês.

“A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho e acrescenta R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em maio, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, cujo acréscimo é menor (R$ 4,169)”, explica o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Na sequência, vieram alimentação e bebidas (0,43%) e transportes (0,41%), ambos com o segundo maior impacto no índice (0,09 p.p). A alimentação no domicílio passou de 0,23% em maio para 0,33% em junho, puxada pelas carnes (1,32%), que subiram pelo quinto mês consecutivo e acumulam alta de 38,17% em 12 meses.

A alimentação fora do domicílio (0,66%) desacelerou em relação a maio (0,98%).

No grupo dos transportes (0,41%), os combustíveis subiram 0,87% e acumulam alta de 43,92% nos últimos 12 meses. Mais uma vez, o maior impacto veio da gasolina (0,69%), cujos preços haviam crescido 2,87% em maio.

IPCA

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Maior variação do mês é de vestuário

Já a maior variação no mês, entre os grandes grupos, ficou com vestuário (1,21%), com destaques para calçados e acessórios (1,53%), roupas masculinas (1,52%) e  roupas femininas (1,10%).
Todos esses itens aceleraram em relação a maio.

Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,12% de Comunicação e a alta de 1,09% de Artigos de residência.

Recife tem maior alta da inflação

Em junho, todas as áreas pesquisadas apresentaram inflação. O maior índice ficou com a região metropolitana de Recife (0,92%), influenciada pelas altas nos preços da gasolina (4,92%) e da energia elétrica (2,78%). Já o menor resultado ocorreu em Brasília (0,17%), por conta da queda nos preços das frutas (-7,53%) e da taxa de água e esgoto (-2,40%).