IPCA, ITUB4, IRBR3, payroll e eleições nos EUA movimentam a semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: BC reduz para zero previsão de crescimento do PIB em 2020

Com o feriado desta segunda (2), a semana será curta, mas intensa. As eleições americanas, com desfecho imprevisível, vão dominar o noticiário e deixar o mercado em atenção redobrada.

Na agenda doméstica, vai entrar também no radar dos investidores o anúncio do IPCA — em período de persistente e preocupante alta de preços.

No setor corporativo, sairão balanços de peso como os do Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Engie (EGIE3), Lojas Renner (LREN3) Minerva (BEEF3) e IRB (IRBR3).

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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A semana inclui ainda a ata do Copom e os números da balança comercial de outubro.

O pleito presidencial não vai tirar a importância da divulgação de indicadores da economia dos EUA. É o que vai acontecer com o payroll.

O relatório de emprego, dado essencial do país, sai na quinta. Será também o dia em que o Federal Reserve anunciará a decisão sobre as taxas de juros do país.

Bolsas no limite

A semana anterior foi de grande instabilidade.

O aumento exponencial de casos da Europa (mais de 250 mil por dia) e nos EUA (acima de 90 mil diários) levou ao decretos de novos lockdowns e medidas para restringir a circulação de pessoas, e preocupou o mundo.

Fez soar ainda o alarme da incerteza no horizonte próximo e até no médio e longo prazos.

Economias que mostravam sinais de recuperação podem voltar a derrapar. Bancos centrais e governos terão de injetar mais dinheiro para uma nova tentativa de retomada.

Esse ponto, aliás, é tema do prolongado debate da política americana.

Prossegue sem prazo para terminar a indefinição sobre o tamanho e anúncio do pacote de estímulo à economia americana, sem acordo entre democratas e republicanos.

São assuntos que certamente pautarão as bolsas nos próximos dias — além, claro, das eleições americanas.

Perdas e ganhos

No Brasil, agenda travada de reformas, ameaça de escalada da inflação e a hesitação em torno do orçamento de 2021 também contribuíram para a queda do Ibovespa na reta final do mês.

A bolsa encerrou outubro no negativo, com menos 0,69%, mesmo após contabilizar bons resultados nas semanas anteriores.

Os últimos dias do mês, contando a sexta-feira (30) — que fechou em queda de 2,72%, aos 93.952,40 pontos –. derrubaram os ganhos de outubro.

A sexta teve o menor patamar desde 29 de setembro.

E outubro acabou como o terceiro mês negativo de quedas. Setembro anotou recuou de 4,80% e agosto, de 3,44%. No ano, as perdas acumuladas estão em 18,76%.

Abaixo dos 100 mil pontos

O patamar dos 100 mil pontos, que animou investidores na terceira semana de outubro, foi perdido em meio a esse cenário desanimador.

Poderia ter sido pior não fossem os resultados promissores apresentados por balanços de Petrobras, Vale, Suzano, Bradesco Telefônica.

Além disso, os investidores prudentes realizaram os lucros que puderam antes de a bolsa apontar para a queda.

O dólar fechou a sexta em queda. A moeda norte-americana caiu 0,47%, indo a R$ 5,7380, e fechou a semana com mais 1,89%.

Esta semana há uma novidade na B3: a partir de terça (3), a bolsa funciona das 10h até as 18h.

A mudança ocorre em razão do fim do horário de verão nos Estados Unidos, no domingo (3), que leva a bolsa americana a operar por mais uma hora, até 18h.

Bolsa em Nova York 

Divulgados na semana passada, os resultados das Big Techs foram considerados frustrantes.

A Apple ((AAPL34) reportou lucro 7,40% menor em relação ao terceiro trimestre de 2019.

O Twitter (TWTR34), rede social preferida de Donald Trump, registou lucro líquido com queda de 21,53% na comparação anual.

O Facebook (FBOK34) até aumentou seu lucro, mas viu o número de usuários cair, apesar do isolamento social da pandemia.

Amazon (AMZO34) obteve números mais expressivos, mas informou queda na receita.

Só a Alphabet (GOGL34) surpreendeu positivamente, com crescimento de 59,12%.

Só que as Big Techs, que andam há tempos segurando os índices no braço, não podem ser responsabilizadas sozinhas pelas recentes e constantes quedas.

Dessa forma, na sexta, o Dow Jones caiu 0,58%. O S&P 500 perdeu 1,21%. E o Nasdaq teve queda de 2,45%.

Eleições americanas

Mais de 90 milhões de  americanos já votaram — pelo correio ou presencialmente.

O dia final da eleição é amanhã (3).

Joe Biden aparece à frente de Donald Tuump na maioria das pesquisas.

Não significa que o democrata já possa cantar vitória.

Primeiro, como se sabe, porque em vez de o voto do eleitor ser creditado diretamente ao candidato, ele serve para eleger o número de delegados de cada estado, definido proporcionalmente ao tamanho de sua população.

No total, os EUA possuem 538 delegados e o candidato que conquistar, pelo menos, 270 fatura a disputa presidencial.

Existe a tendência de o resultado oficial, que pode sair na quarta ou levar mais alguns dias, ser contestado na Justiça.

Como o mercado reagirá?

Por esse motivo, terça e a quarta poderão mostrar cenários de volatilidade extrema nas bolsas.

Para os investidores preocupados em como o mercado de ações reagirá com o resultado, a história oferece uma lição importante: as ações tendem a subir independentemente de qual partido controla Washington.

Foi o que mostrou reportagem do The Wall Street Journal em 23 de outubro.

Uma análise dos dados do S&P 500 que remontam à década de 1930 revelou que certos padrões surgiram ao longo desses 90 anos.

Os especialistas ouvidos pelo WSJ lembram que, em média, os mercados de ações e de títulos apresentam desempenho mais fraco no ano anterior às eleições presidenciais do que em outras épocas.

Em média, as ações proporcionam ganhos de cerca de 8,5% no ano. Mas no ano que antecede as eleições presidenciais, os ganhos totalizam menos de 6%.

Com Biden ou Trump, veja quais são os riscos para o mercado

Cenários

Existem algumas variáveis ​​que podem afetar o desempenho do mercado de ações, aponta o Wall Street Journal.

Depois de uma eleição, os retornos do mercado de ações tendem a ser um pouco menores no ano seguinte, enquanto os títulos tendem a apresentar um desempenho ligeiramente superior após a eleição.

Relatório do BTG Pactual lembra que, caso de vitória de Trump, haverá, por exemplo, manutenção das políticas sociais mais flexíveis em relação ao combate à covid-19.

O BTG afirma ainda que a Casa Branca republicana, com um Congresso democrata, traria dificuldades para a concretização dos planos do governo.

Pacote de estímulo

Já o o pacote de estímulo fiscal mais restrito, se Senado mantiver maioria republicana.

Com Biden eleito, pondera o BTG, haveria uma possível retomada de políticas de restrições sociais para combate da Covid-19.

Outra possibilidade é um pacote maior pacote de estímulos. “Biden prometeu em suas propostas ‘gastar o que for preciso’ para conceder”, lembra o Pactual.

“Pode crescer o número de empréstimos a pequenas empresas e aumentar as transferências diretas as famílias”, acrescenta o documento.

“Assim, um pacote de estímulos muito grande pode levar a um risco fiscal”, completa o relatório.

IPCA

O cenário de preços em alta continua temerário. O IPCA-15, prévia da inflação, registou alta de 0,94%.

Foi o maior resultado para o mês desde 1995. E ficou acima da projeção do mercado, que era por 0,81%, ante 0,45% do mês anterior.

Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta o aluguel, desacelerou em outubro: ficou em 3,23% em outubro, ante 4,34% do mês anterior.

Mas, em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,64%, ficando 0,40 ponto percentual (p. p.) acima do observado em agosto, de 0,24%.

Projeção

O próximo IPCA sai na sexta (6) e pode reforçar ou não essa inclinação de alta.

De janeiro a setembro, o IPCA acumula alta de 1,34%, enquanto em 12 meses acumulados soma 3,14%, acima dos 2,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Em setembro de 2019, a variação havia sido de -0,04%.

De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, divulgado em 26 de outubro, a previsão para o IPCA passou de 2,65% para 2,99%, mantendo a sequência de altas para esse indicado.

A semana terá ainda a divulgação, na quarta (4), do IPC-Fipe (1,12% em setembro) e, na sexta (6), do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getulio Vargas (FGV) – que registou variação de 3,30% em setembro, valor menor que em agosto, com alta de 3,87%.

Ata do Copom

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), será divulgada na terça (3).

Na quarta (28), o comitê manteve a taxa Selic em 2% ao ano, mínima  histórica.

O comunicado destacou pressões inflacionárias, riscos fiscais e defendeu reformas. Não descartou cortes adicionais da Selic.

O Comitê ponderou que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco.

Em nota, o Copom informou que, apesar da alta observada no preço dos alimentos e de itens industriais, o efeito sobre a inflação será temporário.

O órgão, no entanto, aumentou a projeção para a inflação oficial em 2020, de 2,1% em setembro para 3,1% agora.

Esse cenário supõe a manutenção dos juros básicos em 2% ao ano e dólar em torno de US$ 5,60.

A ata vai dar mais indicativos sobre a política monetária do país e observar projeções e mais sinais sobre a taxa de juros.

Balança comercial e produção industrial

A semana inclui ainda a divulgação da balança comercial de outubro, na terça (3).

O Ministério da Economia divulgou em setembro que a balança comercial registrou superávit de US$ 6,164 bilhões.

É o maior saldo comercial para meses de setembro desde o início da série histórica, iniciada em 1989.

No acumulado do ano, a balança tem saldo positivo de US$ 42,445 bilhões.

O valor é 18% maior do que o registrado no mesmo período de 2019.

Outro indicador aguardado é o da produção industrial de setembro, divulgado na quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)..

A produção da indústria nacional cresceu pelo quarto mês seguido e registrou alta de 3,2% em agosto, ante julho. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

O indicador ainda não eliminou totalmente a perda de 27% acumulada entre março e abril, no início da pandemia de Covid-19. Foi o período quando a produção industrial caiu ao patamar mais baixo da série.

Itaú (ITUB4), BB ((BBAS3) e IRB (IRBR3) soltam resultados

A safra de balanços continua esta semana com destaque para os do Itaú (ITUB4), IRB (IRBR3), Lojas Renner (LREN3), Minerva (BEEF3) e Banco do Brasil (BBAS3).

Além dessas empresas, saem os da Porto Seguro (PSSA3), na terça, AES Tietê (TIET11), Hermes Pardini (PARD3) e Iguatemi (IGTA3) na quinta (5).

O Banco do Brasil (BBAS3) também solta o seu na quinta, antes do fechamento. O BB registrou lucro líquido de R$ 3,2 bilhões no segundo trimestre de 2020.

A Renner divulga seu desempenho trimestral também na quinta (5).

O da Minerva será anunciado na terça.

O Itaú reporta seus resultados na terça, após o fechamento.

O Itaú registrou nesta segunda-feira (3) um lucro líquido de R$ 3,424 bilhões no segundo trimestre de 2020, uma redução de 49,8% na comparação com igual período de 2019.

O lucro líquido recorrente foi de R$ 4,205 bilhões, queda de 40,2% na comparação anual.

Expectativa

A expectativa é de que o lucro líquido recorrente venha 33,92% abaixo do apresentado no terceiro trimestre de 2019.

E 12,45% acima do mostrado no segundo trimestre deste ano. Para esta análise, o portal EuQueroInvestir considerou as médias das projeções feitas por Eleven, UBS e XP.

A IRB vai informar seus resultados também na terça.

companhia registrou um prejuízo de R$ 685,1 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo o lucro líquido de R$ 397,5 milhões no mesmo período de 2019.

O resultado financeiro foi positivo em R$ 50,2 milhões no trimestre, uma diminuição de 60,6%.

Payroll

O índice mais aguardado, entre os investidores na agenda externa da semana, será o relatório de empregos dos EUA.

O payroll sairá na sexta (6), com os números de outubro.

O payroll, folha de pagamento oficial não-agrícola dos Estados Unidos, apontou a criação de 661 mil vagas de emprego em setembro, abaixo da projeção de 850 mil do mercado.

O resultado veio abaixo também do mês anterior, quando foram criadas 1,499 milhão de vagas (ajustadas das 1,371 milhão anunciadas anteriormente).

A taxa de desemprego caiu de 8,4% para 7,9%, segundo informação do Bureau of Labor Statistics, do Departamento de Trabalho dos EUA.

De acordo com aquele relatório, houve ganhos significativos no setor de lazer e hospitalidade e no comércio varejista, amplamente atingidos pela quarentena.

Também em saúde e assistência social, e em serviços profissionais e comerciais. Os empregos públicos diminuíram, especialmente na educação estadual e municipal.

Fomc

Por causa das eleições, o Fomc (Federal Open Market Committee, ou Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve) anuncia a decisão sobre as taxas de juros do país na quinta e não na quarta como de hábito.

Em sua última decisão, anunciada em 16 de setembro, os dirigentes do Fed mantiveram as taxas entre zero e 0,25%.

O Fed reforçou mais uma vez os riscos da pandemia para a atividade econômica.

“A crise sanitária causou enormes dificuldades para os EUA e o mundo”, diz a ata do Fomc. “A economia e emprego nos EUA reagiram nos últimos meses.”

Mas, apesar da melhora, ressalta o comitê, economia e emprego continuam abaixo dos patamares registrados  no começo do ano.

A maioria dos integrantes do Fed mostrou preocupação com a retração do apoio fiscal.

Disseram que pretendem manter os juros perto da estabilidade até pelo menos 2023.

“As condições do mercado de trabalho continuaram a melhorar acentuadamente em julho e agosto, mas o nível de emprego ainda estava abaixo do nível do início do ano”, pondera.

“A inflação dos preços ao consumidor – permaneceu bem abaixo das taxas que prevaleciam no início do ano”, acrescenta.

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