IPCA: inflação fecha 2020 em 4,52%, a maior desde 2016

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/IBGE

A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou em dezembro, fechando 2020 a 4,52%. Esta é a maior alta desde 2016.

O indicador de dezembro acelerou para 1,35%, a variação mais intensa desde fevereiro de 2003 (1,57%) e a maior para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%).

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Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, o índice do ano ficou acima do centro meta, definido pelo Conselho Monetário Nacional, que era de 4,0%, mas dentro da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo (2,5%) ou para cima (5,5%). Em 2019, a inflação foi de 4,31%.

O Boletim Focus, do Banco Central, divulgado ontem com as projeções do mercado, esperava inflação de 4,37%.

“Nos últimos meses do ano a inflação acelerou bastante. O primeiro fator importante foi a alta do dólar. A gente teve um ano de crise, com alta do dólar devido à procura pela moeda segura. O segundo ponto foi a alta muito forte das commodities, principalmente puxada pela China, com retomada econômica mais acelerada que os outros países. Consequentemente, tivemos alta nos produtos, minério, petróleo, o que afetou toda a cadeia e influenciou no resultado do IPCA. Os alimentos respondem por 50% do IPCA e os custos com moradia também aumentaram bastante”, explica o sócio e assessor da EQI, Paulo de Souza.

Ele afirma, no entanto, que a expectativa é que, nos próximos meses, a inflação desacelere, com a aceleração da produção. Caso contrário, ele diz, a alternativa que o Banco Central vai ter será aumentar os juros. Atualmente, a Selic, taxa básica de juros, encontra-se em seu piso histórico, 2%.

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IPCA: variação acumulada no ano

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Acumulados no ano

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Variação mensal

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Alimentos e bebidas pesam no bolso

No ano passado, a alta de 14,09% nos preços de alimentos e bebidas pesou no bolso dos brasileiros. O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, explica que esse crescimento, o maior desde 2002 (19,47%), foi provocado, entre outros fatores, pela demanda por esses produtos, a alta do dólar e dos preços das commodities no mercado internacional. Foi um movimento global de alta nos preços dos alimentos, num ano marcado pela pandemia de Covid-19.

Os preços do óleo de soja (103,79%) e do arroz (76,01%) dispararam no acumulado do ano passado. Outros itens importantes na cesta das famílias também tiveram altas expressivas, como o leite longa vida (26,93%), as frutas (25,40%), as carnes (17,97%), a batata-inglesa (67,27%) e o tomate (52,76%).

A inflação também foi puxada pela habitação (5,25%), cuja alta foi influenciada pelo aumento da energia elétrica (9,14%). Os artigos de residência também pesaram mais, por conta do efeito dólar sobre os preços dos eletrodomésticos, equipamentos e artigos de TV, som e informática. Em conjunto, alimentação e bebidas, habitação e artigos de residência responderam por quase 84% da inflação de 2020.

Já os transportes, segundo maior peso na composição do indicador, fecharam o ano com alta de 1,03%.

“Tivemos quedas fortes, em abril e maio, por conta do preço da gasolina, que fechou o ano em queda (-0,19%), apesar das seis altas consecutivas de junho e dezembro. As passagens aéreas tiveram uma queda de 17,15% no acumulado ano, ajudando a puxar o resultado para baixo”, diz.

IPCA: vestuário é único grupo a apresentar variação negativa

O único grupo a apresentar variação negativa, observa o gerente do IPCA, foi vestuário (-1,13%). “Por conta do isolamento social, as pessoas ficaram mais em casa, o que pode ter diminuído a demanda por roupas. Tivemos quedas em roupas femininas (-4,09%) e masculinas (-0,25%) e infantis (-0,13%), calçados e acessórios (-2,14%). A única exceção foram joias e bijuterias (15,48%), por causa da alta do ouro”, explica.

Campo Grande tem maior variação de preços

Em 2020, a alta dos preços foi generalizada em todas as 16 localidades pesquisadas pelo IBGE. O município de Campo Grande (6,85%) teve a maior variação do ano, por conta das carnes e da gasolina. Em seguida, foi Rio Branco (6,12%), Fortaleza (5,74%), São Luís (5,71%), Recife (5,66%), Vitória (5,15%), Belo Horizonte (4,99%) e Belém (4,63%), todas acima da média nacional (4,52%).

Já o menor índice ficou com Brasília (3,40%), onde pesaram as quedas nos preços das passagens aéreas (-20,01%), dos transportes por aplicativo (-18,71%), dos itens de mobiliário (-7,82%) e de hospedagem (-6,26%).