IPCA: inflação desacelera para 0,25%, menor taxa desde agosto de 2020

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, desacelerou a 0,25% em janeiro. E ficou abaixo da mediana (0,30%) projetada pelo mercado, após quatro meses de altas escalonadas.

Em dezembro, a variação foi de 1,35%. O resultado de janeiro é o menor desde agosto de 2020 (0,24%). Em 12 meses, a alta é de 4,56%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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IPCA

Reprodução/IBGE

Energia elétrica é maior impacto negativo

Alimentos e bebidas continuam a puxar o IPCA para cima, mas com menos força. Além disso, a mudança de bandeira nas contas de energia elétrica e as quedas nos preços de passagens aéreas ajudaram a segurar a inflação em janeiro.

“Houve uma queda de 5,60% no item energia elétrica. Este foi, individualmente, o maior impacto negativo no índice do mês. Após a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em dezembro, passou a vigorar em janeiro a bandeira amarela. Assim, em vez do acréscimo de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora, o consumidor passou a pagar um adicional bem menor, de R$ 1,343. O que resultou em uma deflação (-1,07%) no grupo Habitação, do qual esse item faz parte, mesmo com a alta em outros componentes, como o gás encanado (0,22%) e a taxa de água e esgoto (0,19%)”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Outro grupo que registrou deflação em janeiro foi o de Vestuário (-0,07%), após alta de 0,59% em dezembro, quando as vendas do setor se aquecem para as festas de final de ano.

IPCA: sete grupos apresentam aumentam de preços

Os demais sete grupos, no entanto, registraram elevação de preços, com destaque para Alimentação e bebidas (1,02%), que apresentou a maior variação e o maior impacto positivo (0,22 ponto percentual) no índice do mês. Mas a alta foi menos intensa que a de dezembro (1,74%).

Já a alimentação fora do domicílio seguiu movimento inverso, passando de 0,77% em dezembro para 0,91% em janeiro, particularmente por conta da alta do lanche (1,83%).

O custo dos Transportes (0,41%), grupo com o segundo maior peso no IPCA, também desacelerou frente ao mês anterior (1,36%), principalmente devido à queda no preço das passagens aéreas (-19,93%). No entanto, os combustíveis (2,13%) apresentaram variação superior à do mês passado (1,56%), com destaque para a gasolina (2,17%) e o óleo diesel (2,60%).

Resultado levanta dúvidas sobre aumento da Selic

Com o recuo do IPCA, o mercado já questiona se o provável aumento da taxa básica de juros (Selic) virá já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece em março. Ou se será postergado.

Atualmente, a taxa está em 2%. Mas, na última reunião, o Copom retirou a ferramenta do forward guidance, abrindo caminho para mudanças na Selic. O aumento ou não da taxa está condicionado, segundo o BC, à inflação e ao respeito ao teto de gastos.

Na ata de sua última reunião, o Copom revelou que alguns membros do comitê já levantam questionamentos sobre o início de um “processo de normalização da política monetária, reduzindo o grau extraordinário dos estímulos”.

Relação entre IPCA e Selic

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.