IPCA avança 0,31% em abril, em linha com a projeção do mercado

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (11) pelo IBGE, aponta uma desaceleração da inflação em abril.

O índice foi de 0,93% de março para 0,31%, bem próximo da projeção do mercado, que era de alta de 0,30%.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, saiba quais são as melhores atitudes e aplicações para multiplicá-lo

Com isso, o índice acumula alta de 2,37% no ano e de 6,76% nos últimos 12 meses. Em abril de 2020, houve queda de 0,31% no indicador.

Leia também: saiba tudo sobre IPCA e para que serve esse indicador 

Planilha de Ativos

Um dos principais exercícios para a compra de uma ação é saber se ela está cara ou barata. Para isso, preparamos um material especial para ajudá-lo nesta análise.

IPCA

Reprodução/IBGE

Remédios pressionam inflação

A alta de abril foi pressionada pelos produtos farmacêuticos, afirma o IBGE. Eles subiram 2,69%, exercendo a maior influência no grupo saúde e cuidados pessoais, cuja alta foi de 1,19%.

“No dia 1º de abril, foi concedido o reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos, dependendo da classe terapêutica. Normalmente, esse reajuste é dado no mês de abril, então já era esperado”, diz o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

A maior variação nos produtos farmacêuticos veio dos remédios anti-infecciosos e antibióticos (5,20%). Além disso, houve alta também nos produtos de higiene pessoal (0,99%), como perfumes (3,67%), artigos de maquiagem (3,07%), papel higiênico (2,90%) e produtos para cabelo (1,21%).

IPCA: transportes têm recuo, com queda dos preços dos combustíveis

Outro destaque no índice de abril foi o grupo dos transportes, que variou -0,08%, influenciado, principalmente, pela queda nos preços dos combustíveis.

Após 10 meses consecutivos de alta, a gasolina recuou 0,44% em abril. Mas a queda mais intensa no grupo veio do etanol (-4,93%). “Houve uma sequência de reajustes entre fevereiro e março na gasolina. Mas no fim de março houve duas reduções no preço desse produto nas refinarias. Isso acaba chegando ao consumidor final”, afirma o pesquisador.

Ele explica que, com o etanol, o cenário é semelhante. “O etanol acaba seguindo a gasolina porque atua como um substituto. Quando sobe o preço da gasolina, as pessoas migram para o etanol e o preço dele sobe também”. Por outro lado, ainda nos transportes, os automóveis novos (1,01%) e usados (0,57%) tiveram alta. E os preços das passagens aéreas (6,41%) subiram pela primeira vez no ano.

O aumento no preço de alimentos como as carnes (1,01%), o leite longa vida (2,40%), o frango em pedaços (1,95%) e o tomate (5,46%) tornou a alimentação no domicílio (0,47%) mais cara do que no mês anterior. Isso explica a alta de 0,40% no grupo alimentação e bebidas.

“Tivemos alta no segundo semestre do ano passado, depois uma desaceleração desde o início do ano e agora uma aceleração de 0,13% para 0,40% devido ao aumento nos preços desses alimentos”, explica Kislanov.

Já o aumento menos intenso do grupo habitação (0,22%), em relação ao mês anterior (0,81%), foi impactado pela desaceleração nos preços do gás de botijão (1,15%), que haviam aumentado 4,98% em março, e pelo recuo de 0,04% da energia elétrica. A bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,343 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos, foi mantida em abril. Regiões metropolitanas como Rio de Janeiro (3,63%) e Fortaleza (3,32%) sentiram a alta desse item, ao passo que em outras, como São Paulo (-1,22%) e Porto Alegre (-1,38%), houve redução por causa da diminuição das alíquotas de PIS/Cofins.

Maior alta em Rio Branco; Brasília tem inflação menor

Todas as 16 áreas pesquisadas do país registraram inflação. A maior variação veio de Rio Branco (0,96%), influenciada especialmente pela alta nos produtos farmacêuticos (4,50%). Já o menor índice foi observado em Brasília (0,05%), por conta, principalmente, da queda no preço da gasolina (-1,47%).

Com o acumulado de 6,76% nos últimos 12 meses, o IPCA se encontra acima do teto da meta do governo, que é de 5,25%. “Há também o efeito das duas deflações que tivemos no ano passado, em abril e maio. Quando olhamos para os 12 meses, estamos tirando uma deflação de 2020 e adicionando uma variação positiva agora”, explica Kislanov.

Para BTG (BPAC11), há risco de alta da inflação nos próximos meses

Para o BTG Pactual, apesar do recuo em abril, há uma tendência altista de inflação nos próximos meses. Isso se dá principalmente pela alta no preços das commodities, com destaque para minério de ferro, soja e milho. A alta vem ocorrendo por um descasamento entre oferta e demanda, em um cenário de retomada econômica em todo o mundo.