IPCA avança 0,26% em junho, depois de dois meses de deflação

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: reprodução/Pixabay

Após dois meses seguidos de deflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação no país, voltou a subir e registrou alta de 0,26% em junho.

O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em maio, o índice havia registrado -0,38% e, em abril, -0,31%.

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No ano, o IPCA acumula alta de 0,10%. E na leitura de 12 meses até junho, 2,13%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta no mês. Alimentos e combustíveis puxaram a alta.

IPCA

Reprodução/IBGE

Preços dos alimentos voltam a subir em junho

O grupo com maior impacto do resultado do IPCA de junho foi Alimentação e bebidas (0,38%), que aumentou em relação ao resultado de maio (0,24%).

O conjunto de itens, no entanto, já vinha de uma sequência de alta, ligada à maior demanda durante o período de quarentena contra o Covid-19.

“As medidas de isolamento social, que fizeram as pessoas cozinharem mais em casa ainda estão em vigor em boa parte do país. Isso gera um efeito de demanda e mantém os preços em patamar mais elevado”, explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.

Os alimentos para consumo no domicílio subiu de 0,33% em maio para 0,45% em junho. Destaque para o preço das carnes (1,19%) e do leite longa vida (2,33%).

Outros itens importantes na cesta de consumo das famílias, como o arroz (2,74%), o feijão-carioca (4,96%) e o queijo (2,48%) também registraram alta.

Tiveram queda tomate (-15,04%) e a cenoura (-8,88%), cujos preços já haviam recuado em maio (-7,34% e -14,95%, respectivamente).

A alimentação fora do domicílio acelerou na passagem de maio (0,04%) para junho (0,22%), especialmente por conta do item lanche (1,01%). A refeição (-0,07%), por sua vez, apresentou queda menos intensa na comparação com maio (-0,34%).

IPCA tem também alta da gasolina

Em junho, também houve uma alta nos preços dos combustíveis que chegou nas bombas e impactou o consumidor final. Isso alterou o grupo de Transportes e influenciou no IPCA, afirma Kislanov.

Os Transportes representaram a segunda maior contribuição (0,06 pontos porcentuais) com o IPCA. E variaram de -1,90% em maio para 0,31% em junho.

Esta foi a primeira variação positiva do grupo após quatro meses consecutivos de quedas, especialmente por conta da alta nos preços da gasolina (3,24%), maior impacto individual no índice no mês.

Etanol (5,74%), gás veicular (1,01%) e óleo diesel (0,04%) também registraram alta.

Passagens aéreas tiveram queda de 26,01%, similar à de maio (-27,14%) e contribuíram com o maior impacto individual negativo no IPCA de junho (-0,11 p.p.).

IPCA

Reprodução/IBGE

IPCA confirma tendência de alta e pode impactar Selic

A alta do IPCA é um indicativo de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) pode realizar um novo corte residual na taxa básica de juros (Selic) ainda na reunião de agosto (que acontece dias 3 e 4). Atualmente, a taxa se encontra em 2,25% e a projeção é que chegue a 2%.

No último Boletim Focus do Banco Central, a projeção do IPCA para o ano de 2020 ficou em 1,63%. Há quatro semanas, a expectativa era por 1,53% anual. O Focus aponta as projeções das instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país.

Vale lembrar que a meta do governo para o IPCA de 2020 é de 4%.