IPCA-15 sobe 0,02% em junho ante previsão de deflação

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Unsplash

O IPCA-15, considerado uma prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma variação de 0,02% em junho.

O resultado surpreendeu o mercado, que esperava uma queda entre 0,05% e 0,06% no indicador que mede a inflação.

Em maio o resultado do IPCA-15 foi de -0,59%. Já na comparação com junho de 2019, a taxa foi de 0,06%.

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No ano (janeiro a junho), o IPCA-15 acumula alta de 0,37%. Em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 1,92% em junho ante expectativas de 1,85%.

Cinco grupos apresentaram deflação em maio

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco apresentaram deflação em maio.

Os transportes registraram a menor variação, -0,71%, e o maior impacto negativo no índice do mês, com -0,14%.

Já entre as altas, o destaque ficou mais uma vez com alimentação e bebidas (0,47%), que apresentou variação próxima ao resultado de maio, com 0,46%.

A maior variação no índice do mês ficou com o grupo de artigos de residência, registrando alta de 1,36%.

Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,15% em vestuário e a alta de 0,66% em comunicação.

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Fonte: IBGE

Setor de transportes puxa queda do IPCA-15

A queda de 0,71% nos transportes foi influenciada, principalmente, pelo resultado das passagens aéreas, com queda de 26,08%.

Todas as áreas pesquisadas apresentaram queda de preços, que foram desde os -34,37% em Belém até os -15,85% em Fortaleza.

Ao mesmo tempo, os preços dos combustíveis caíram pelo quarto mês consecutivo, aos 0,34%.

A gasolina apresentou queda de 0,17%, após variação de -8,51% no índice de maio. Adicionalmente, o óleo diesel registrou queda de 4,39% e o etanol de 0,49%.

Por outro lado, o gás veicular, que havia caído 1,21% em maio, apresentou alta de 0,84% no IPCA-15 de junho.

Alimentação e bebidas

A alta de 0,47% nesse grupo foi influenciada principalmente pelo comportamento dos alimentos para consumo no domicílio, que subiram 0,56% em junho.

A batata-inglesa registrou alta de 16,84%. Outros itens de destaque foram as carnes (1,08%), a cebola (14,05%) e o feijão-carioca (9,38%).

Por outro lado, os preços do tomate (-12,36%), da cenoura (-12,05%) e das frutas (-0,80%) acentuaram a queda em relação ao mês anterior.

A alimentação fora do domicílio acelerou em junho para 0,26%, especialmente por conta do item lanche (0,82%), cujos preços haviam subido 0,64% no mês anterior.

Artigos de residência puxam alta do IPCA-15

A maior variação positiva no índice do mês veio do grupo artigos de residência, com 1,36%.

Os itens de tv, som e informática, que já haviam subido 2,81% em maio, registraram alta de 5,29% em junho.

Assim como os eletrodomésticos e equipamentos também, que apresentaram avanço de 3,36% em junho. Por outro lado, os itens de mobiliário acentuaram a queda de preços (de -1,82% em maio para -2,32% em junho).

Entenda o IPCA-15

O IPCA-15 é um indicador que aponta a variação dos preços para famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.

A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica.

Para o resultado de junho, a pesquisa foi feita entre os dias 15 de maio a 15 de junho de 2020. A comparação é com o período de 15 de abril a 14 de maio.

Por conta da pandemia de coronavírus e das medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a coleta de dados está sendo feita, desde 18 de março, via telefone, sites de internet ou e-mail. No entanto, sem prejuízo aos resultados, de acordo com o IBGE.