IPCA-15 sobe 0,81% em novembro e 4,22% em 12 meses, acima da meta

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Site Ricmais

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, teve alta de 0,81% em novembro, contra alta de 0,94% em outubro, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor ficou acima das projeções do mercado, que esperava 0,72%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,13%. E em 12 meses sobe 4,22%, superando também a meta de inflação do governo para o ano, de 4%. É ainda a maior alta para o mês de novembro desde 2015. Em novembro de 2019, a taxa foi de 0,14%.

O BTG esperava uma variação de 0,62% para o IPCA-15 de novembro. E para o acumulado de 12 meses a previsão era de 4,05%.

Segundo análise do banco, os sinais são de alerta após a revisão do IPCA no Boletim Focus de 3,22% para 3,45% em 2020, o que gera pressão sobre a curva de juros.

Alimentos e bebidas puxam a alta do IPCA-15

Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em novembro. Mas novamente o destaque é Alimentação e bebidas, que subiu 2,16%. No ano, o grupo acumula alta de 12,12%.

De acordo com o IBGE, os preços dos alimentos para consumo no domicílio subiram 2,69%, influenciados pela alta de alguns itens importantes na cesta das famílias, como as carnes (4,89%), o arroz (8,29%) e a batata-inglesa, que passou de -4,39% em outubro para 33,37% em novembro.

O tomate (19,89%) e óleo de soja (14,85%) também subiram, embora este último tenha desacelerado em relação ao mês anterior (22,34%). No lado das quedas, o destaque foi o leite longa vida, cujos preços caíram 3,81%.

A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,54% em outubro para 0,87% em novembro, principalmente em função da alta do lanche (1,92%). A refeição, por sua vez, variou 0,49%, frente à alta de 0,93% no mês anterior.

Transportes

O segundo maior impacto no IPCA-15 de novembro veio do grupo de Transportes, que subiu 1%.

O destaque foi a gasolina (1,17%), subitem de maior peso na composição do IPCA-15. Os preços de outros combustíveis, como o etanol (4,02%), o óleo diesel (0,53%) e o gás veicular (0,55%) também subiram.

A segunda maior contribuição no grupo veio do automóvel novo, com alta de 1,07%. Cabe mencionar ainda a desaceleração observada nas passagens aéreas, que passaram de alta de 39,90% em outubro para 3,46% em novembro.

Ainda em Transportes, as principais quedas foram observadas nos preços das passagens dos ônibus interestaduais (-0,52%) e dos ônibus intermunicipais (-0,40%).

Artigos de residência e habitação

Outro grupo com peso relevante no índice de novembro foi Artigos de residência, que registrou alta de 1,40%.

As maiores contribuições vieram dos itens mobiliário (2,40%) e eletrodomésticos e equipamentos (2,23%). Em particular, destaca-se a alta de 11,23% nos preços do ar-condicionado. Os itens de tv, som e informática, por sua vez, desaceleraram na comparação com o mês anterior, passando de 1,68% em outubro para 0,10% em novembro.

No grupo Habitação (0,34%), a variação positiva da taxa de água e esgoto (0,33%) reflete os reajustes tarifários de 3,04% em Belo Horizonte (1,33%), vigente desde 1º de novembro, e de 5,88% em uma das concessionárias de Porto Alegre (1,69%), vigente desde 1º de outubro.

Já o resultado do item energia elétrica (-0,04%) foi influenciado por dois reajustes e uma redução tarifária: Brasília (-0,01%), redução de 0,63%, a partir de 22 de outubro; Goiânia (0,79%), reajuste de 2,57%, a partir de 22 de outubro; e São Paulo (-0,39%), reajuste de 3,87% em uma das concessionárias pesquisadas, vigente desde 23 de outubro.

Em São Paulo, apesar do reajuste tarifário, houve redução na alíquota de PIS/COFINS em uma das concessionárias pesquisadas, o que fez com que o resultado da área tenha ficado negativo.

Veja as variações de todos os grupos que compõem o IPCA-15.

IPCA-15/IBGE

 

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