Prévia da inflação oficial, IPCA-15 varia 0,60% em abril, abaixo das projeções

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial medida pelo IPCA, subiu 0,60% em abril.

O resultado aponta desaceleração em relação a março, quando atingiu 0,93% de alta. Também ficou abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 0,69%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,82% e em 12 meses, de 6,17%, acima dos 5,52% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

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Na análise dos economistas do BTG Pactual (BPAC11), a inflação deve vir menos pressionada nos próximos meses, devido ao início do processo de normalização da Selic (taxa básica de juros), estimulando a entrada de capital estrangeiro no país, e à queda no valor das commodities.

Vale lembrar que, recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic de 2% para 2,75%. E nova subida de 0,75 ponto porcentual é aguardada para a semana que vem.

Transportes seguem como maior impacto

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta em abril. O maior impacto e a maior variação vieram dos Transportes.

Os Transportes desaceleraram (1,76%) em relação a março, refletindo a alta menos intensa dos combustíveis (4,87%) em abril.

Os preços da gasolina, que haviam subido 11,18% no IPCA-15 de março, registraram alta de 5,49%. O etanol (1,46%) e o óleo diesel (2,54%) também apresentaram variações inferiores às observadas no mês anterior (de 16,38% e 10,66%, respectivamente).

Apesar da desaceleração, a gasolina continuou a ser o item de maior impacto individual no resultado do mês.

A segunda maior contribuição veio do grupo Alimentação e bebidas e, na sequência, vieram Habitação e Saúde e cuidados pessoais. O único grupo em queda foi Comunicação. Educação ficou estável.

IPCA-15

Reprodução/IBGE

IPCA-15: Brasília apresenta maior alta; Belém tem menor variação

Em relação aos índices regionais, todas as regiões pesquisadas apresentaram variação positiva em abril. O maior resultado foi observado em Brasília (0,98%), especialmente em função da alta no preço da gasolina (8,37%).

A menor variação, por sua vez, foi registrada na região metropolitana de Belém (0,39%), influenciada pela queda no preço do arroz (-5,25%).

Diferença do IPCa-15 para o IPCA

O IPCA-15 difere do IPCA pelo período da coleta de dados – ao invés de um mês inteiro, como no caso do IPCA, são levados em conta apenas 15 dias. Neste cálculo, fora coletados preços 16 de março a 13 de abril e comparados com 12 de fevereiro a 15 de março.