Como investir no exterior sem mandar dinheiro para fora do país?

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Unsplash

A cada dia que passa, a quantidade de pessoas interessadas em investir fora do país aumenta.

Atualmente, o investidor pode fazer isso por diversos caminhos: Abrindo uma conta em uma corretora no exterior, através de Trust ou até mesmo por aqui, no país.

Para aqueles que desejam diversificar seu portfólio sem precisar mandar dinheiro para fora, existe a possibilidade comprar ativos do exterior no mercado nacional.

Investir no exterior: Opções

Isso pode ser feito através de ETFs (fundos de índice) e fundos de investimentos. Além de BDRs (papéis de empresas estrangeiras negociados na bolsa brasileira). Índices futuros ou derivativos de balcão, como os swaps também são opções.

Desse modo, na B3 os investidores em geral podem, por exemplo, negociar ativos como ETFs atrelados à variação do S&P 500, principal índice do mercado acionário norte-americano.

Outra opção é através de fundos de investimentos. Atualmente, fundos de varejo podem reservar até 20% do patrimônio para compra de ativos financeiros no exterior.

Os BDR (Brazilian Depositary Receipts) são outra alternativa para investir no exterior sem precisar mandar dinheiro para fora. Esses certificados representam ações emitidas por empresas no exterior, mas negociados na B3. Assim sendo, através desse título é possível comprar ações como as do Facebook, Amazon, Apple e muitas outras.

No entanto, cabe destacar que os BDRs são valores mobiliários que têm como “lastro” papéis de empresas estrangeiras. Ou seja, ao comprar BDRs, o investidor não investe diretamente nas ações, e sim em títulos representativos delas.

No entanto, apesar dessas opções de investimento, aqueles que não desejam mandar o dinheiro para o exterior acabam por limitar o acesso a uma serie de outros ativos.

Isso porque a CVM, no intuito de proteger o investidor menos experiente de alternativas arriscadas, restringiu a quantidade de ativos que cada tipo de investidor pode ou não ter acesso.

Desse modo, investidores profissionais e investidores qualificados detêm opções exclusivas para investir lá fora.

A Instrução CVM nº 555 limita a aplicação em ativos financeiros no exterior em até 20% para os fundos destinados ao público em geral.

Ao passo que, fundos de investimento destinados a investidores qualificados podem aplicar até 40% dos recursos para aplicações no exterior.

Para este mesmo público, algumas carteiras podem ter 100% do patrimônio aplicado lá fora. Nesse caso, é exigido que no nome do fundo contenha a denominação “investimento no exterior”.

Diferença entre investidor em geral e investidor qualificado

Investidores em geral

O investidor em geral pode ser qualquer pessoa física ou jurídica que tenha investimentos no mercado financeiro.

Além disso, para se enquadrar nessa categoria o investidor deve ter um montante investido inferior à R$ 1 milhão.

Este tipo de investidor também não possui os requisitos de qualificação exigidos pela CVM, caso contrário, pertencerá a outra categoria.

Investidores Qualificados

Para ser um investidor qualificado, a pessoa, física ou jurídica, deve se adequar a uma das seguintes características:

  • Investidores profissionais;
  • Pessoas naturais que tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em relação a seus recursos próprios;
  • Clubes de investimento, desde que tenham a carteira gerida por um ou mais cotistas, que sejam investidores qualificados;
  • Pessoas naturais ou jurídicas que detenham investimentos financeiros em valor superior a R$ 1 milhão. Adicionalmente, devem atestar por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio;

A verdade é que, independentemente de ser um investidor qualificado ou não, diversificar a carteira ao investir no exterior pode ser uma excelente opção para gerenciar a relação entre risco e retorno do seu portfólio.