Investir no exterior: proteja sua carteira e fuja da crise no Brasil

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Investir no exterior pode parecer algo inacessível para o investidor comum, mas na realidade não é bem assim. Além de ser algo fácil de fazer, a diversificação internacional é uma estratégia que garante uma proteção maior da sua carteira de investimentos e permite o acesso a países mais estáveis que o Brasil.

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Em momentos como o atual, com uma forte crise política agravando o problema mundial da pandemia, a diversificação internacional ganha ainda mais atenção dos investidores. Mas na verdade, investir em outros países é sempre uma estratégia interessante. Veja como funciona:

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Uma questão de diversificação

Assim como se fala em diversificação entre classes de ativos no Brasil, também existe a mesma lógica em relação à diversificação geográfica. 

Em outras palavras, não é bom concentrar todo o seu patrimônio em um único país, ainda mais sendo um em desenvolvimento e mais suscetível a crises.

Quem investe no Brasil sabe muito bem o que isso significa. Não bastasse a pandemia mundial, a crise política e a crise fiscal têm colocado ainda mais água no chopp do investidor.

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Segundo especialistas, investir no exterior é um fator de proteção contra a volatilidade. Todo investidor deveria manter uma parte dos seus recursos no exterior, independentemente do perfil, na avaliação de Reinaldo Zakalski, Head da área de Gestão de Patrimônio da Planner Corretora.

Isso porque há produtos adequados para todo tipo de perfil, desde os mais conservadores até os mais arrojados.

Brasil vive fase desfavorável

No momento, o mercado tem uma visão de que o Brasil vai demorar mais do que outros países para se reerguer da crise econômica causada pela pandemia. Isso se deve ao fato de que governos de outros países têm sido mais vigorosos na hora de injetar recursos na economia.

Desta forma, o momento atual é uma boa oportunidade para começar a investir lá fora. Olhando para o que está sendo feito pelo mundo, a nossa economia deve se recuperar depois de outros países.

A grande vantagem de economias como a dos Estados Unidos é que eles têm mais ferramentas e agilidade para ajudar o país a sair dessa crise.

Além disso, existem vantagens claras em relação à situação fiscal mais apertada vivida pelo Brasil.

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O peso das empresas de tecnologia nos EUA

Outra diferença que torna o investimento nos Estados Unidos vantajoso é a presença de empresas digitais de grande porte listadas em bolsa. 

São justamente estas companhias que estão vivendo um momento favorável apesar da crise mundial. Isso ocorre devido ao avanço do e-commerce, do home office e das conferências online. 

Tudo isso tem beneficiado empresas como Google, Facebook, Amazon, Netflix, Microsoft, entre outras, que possuem um peso relevante nos índices de ações americanos. Este é um dos motivos que explicam por que os índices S&P 500 e Nasdaq estão com performances bem superiores ao Ibovespa.

Um cardápio muito maior no exterior

Embora o investidor brasileiro tenha a tendência de olhar apenas os investimentos locais, existe um cardápio muito maior no exterior.

Para ter ideia, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil representa apenas 2% do PIB global. Enquanto no Brasil existem 336 empresas listadas na bolsa de valores, há 50 mil empresas nas bolsas mundiais. Os dados são da XP.

Outra vantagem dos investimentos internacionais é a maior liquidez.

Ainda de acordo com os dados da XP, é mais fácil encontrar ativos com resgate no dia seguinte após o pedido do investidor (conhecido como D+1), ou cinco dias após o pedido (D+5). 

Não precisa ter conta no exterior

Ao contrário do que muita gente pensa, não é preciso ter conta no exterior para investir em outros países. É possível fazer este investimento por meio de fundos de investimento locais regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Na XP, por exemplo, o investidor pode se tornar cotista de mais de 30 fundos de investimento internacionais.

Confira algumas modalidades disponíveis para o investidor brasileiro:

Fundos de investimento 

Existem fundos de investimentos focados em mercado externo. Dentro dos fundos, é possível encontrar fundos de ações ou fundos multimercado, que investem em diferentes tipos de ativos internacionais.

A grande vantagem dos fundos é que eles contam com gestores que acompanham os mercados de perto. Para investidores menos experientes, este tipo de experiência é mais adequada.

Vale mencionar os Fundos de investimentos em Cotas (FIC FIM), que vão investir em cotas de outros fundos. Podendo ter exposição ao mercado internacional, mas de forma menos direta, podendo balancear com fundos focados no mercado interno.

BDR 

A compra de BDRs é outra alternativa. São os chamados Brazilian Depositary Receipt, ou certificado de depósito de valores mobililários.

Este ativo permite investir diretamente em empresas norte-americanas pelo mercado brasileiro. Esta opção é mais interessante para investidores com um perfil mais agressivo e que tenha experiência no mercado.

ETFs

Também é possível investir em fundos de índice (ETFs) que replicam ativos internacionais. Por exemplo, a bolsa americana. Vale destacar que o investidor não terá o retorno integral, pois é cobrada uma taxa de administração.

COE

Mais conhecidos como COE, o Certificado de Operações Estruturadas é um produto emitido por bancos que mescla componentes de renda fixa e variável.

A variedade é grande. Alguns deles são feitos para lucrar com a alta do dólar, pois têm dentro de sua cesta aplicações nesta moeda. 

A vantagem é que a maioria dos COE têm capital protegido. Ou seja, o investidor recebe de volta todo o valor investido, mesmo que ocorra uma perda no investimento. 

Segundo os especialistas, o COE é ideal para quem quer diversificação internacional mas ainda está muito receoso. Uma vez que o investidor ganha confiança, é possível partir para outra opções, segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. 

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Valem os mesmos cuidados de sempre

Na hora de colocar o pé fora do Brasil, é importante tomar os mesmos cuidados de sempre. Ou seja, ter clareza sobre o seu perfil de investidor e seus objetivos. 

A ideia é escolher produtos que contribuam para a diversificação da carteira, mas sempre ficando atento à tolerância ao risco. 

Outro fator que deve ser bem avaliado é a liquidez. Em outras palavras, o quanto o resgate daquele recurso ocorrerá de forma fácil e rápida.

É recomendável começar com investimentos mais tradicionais. Estes seriam os fundos de investimentos de gestores experientes e com um bom histórico de rentabilidade. Somente depois é interessante diversificar para ações, ETFs e fundos alternativos.