Investir agora ou esperar? Três atitudes fazem diferença nos investimentos em renda fixa

Fabiana Panachao
Após 15 anos de experiência em grandes emissoras de TV, a jornalista Fabiana Panachão criou o Dinheiro em Foco (BandNews TV) em 2019. Deu tão certo que se tornou âncora e curadora do evento digital MoneyWeek e hoje trabalha exclusivamente com conteúdos ligados a investimentos.Saiba mais em https://moneyweek.com.br
1

Crédito: Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Após um longo período sabático em que a renda fixa passou a ficar menos atrativa para o investidor e, portanto, mais escanteada na carteira, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta semana elevar a taxa básica de juros da economia – a Selic – para 2,75% ao ano.

Desde julho de 2015, a taxa, que é referência para os investimentos em renda fixa, não subia. O cenário de preocupação fiscal, pressão inflacionária e dólar nas alturas, de fato, preocupa. O receio é que os preços subam demais.

Para o investidor, sem dúvida, a estratégia daqui para frente exige ajustes: investimentos pós-fixados passam a apresentar uma rentabilidade maior que a atual, justamente por acompanharem de perto o movimento dos juros. Esse é o caso do Tesouro Selic (título do Tesouro Direto) e CDBs pós-fixados, por exemplo.

Não Perca! Começa hoje o evento que vai transformar sua visão sobre Fundos de Investimento Imobiliário

Como a tendência é de mais altas nos juros nos próximos meses, alguns se perguntam como aproveitar o momento para estar na renda fixa com um retorno maior. Nesse período de juros subindo gradativamente, especialistas recomendam não entrar em ativos de renda fixa com prazo muito longo, para não se prender em uma rentabilidade que possa ser ultrapassada pela Selic. Ativos de renda fixa, pós-fixados, com prazo de 2 ou 3 anos por exemplo, podem fazer mais sentido agora, até a gente entender em que patamar os juros vão se estabilizar. 

Mas, ao mesmo tempo que é fundamental olhar o retorno, adotar algumas atitudes e pensamentos é igualmente importante quando falamos de investimentos. Alguns hábitos são verdadeiros sabotadores dos investimentos.

O primeiro pensamento que você deve tirar da cabeça se quer aumentar o patrimônio é que investimento é sinônimo de privação. Ou seja, para investir devo abrir mão de tudo o que me faz feliz. Na verdade, investimento é sinônimo de um equilíbrio financeiro adotado no presente que fará com que o seu estilo de vida seja garantido no futuro.

Note que eu falei em equilíbrio, não em perda. É importante garantir no momento atual tanto investimentos quanto lazer e gastos que te dão algum prazer.

Se gosta de ler, compre um livro por mês. Se gosta de experimentar novas culinárias, reserve dinheiro para um jantar especial. Funciona igual dieta: se você não possui algum escape é difícil seguir à risca por muito tempo. O importante é trabalhar com limites e adotar a segunda atitude que separei aqui: a de se pagar primeiro.

Anote esta frase: a sua mente não é confiável! Todos que resolvem investir “o dinheiro que sobra no fim do mês” acabam se pegando sem economias.

Todos os dias nos deparamos com muitas armadilhas de consumo que nos fazem gastar e nos desviam do nosso foco. Por isso, o indicado é separar o valor do investimento assim que receber o salário ou a renda. Especialistas falam em pelo menos 20% da renda, mas só você saberá o melhor percentual para o seu caso.

O restante do dinheiro serve para pagar as contas necessárias, como água, energia e aluguel, além das que te dão prazer (a academia, a viagem, entre outras). É uma equação que te garante viver bem o presente (e sem dívidas!), e ao mesmo tempo ter uma boa vida no futuro.

Essa segunda atitude nos leva ao terceiro ponto que faz muita diferença no longo prazo: investir com regularidade. Pagar os investimentos antes de qualquer coisa te ajuda a priorizar as aplicações todos os meses, faça chuva ou faça sol. Aproveite aqueles valores extras (13º salário, bonificações, restituição do Imposto de Renda) para engordar o bolo.

Agora que você já entendeu, vale a pena rever seus hábitos financeiros e criar uma rotina de investimento, mesmo que seja com pouco valor. Apesar de estarmos vivendo um momento de cintos mais apertados, com os juros em alta, dificilmente vamos voltar àquela antiga realidade, de taxa Selic em dois dígitos. Aproveitar para rentabilizar mais em renda fixa agora pode ser bom, mas sem perder de vista é praticamente inevitável investir em renda variável se o seu desejo é ampliar o patrimônio. Bons investimentos! 

Veja outras colunas: Fase vermelha na saúde e nas finanças: como lidar com o dinheiro no lockdown