Perfil moderado: como escolher os melhores investimentos para a carteira

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Antes de formar uma carteira, é fundamental que se conheça o perfil de investidor. Nesse artigo, falaremos sobre o perfil moderado e daremos algumas dicas de investimentos adequados para essa carteira. Confira a seguir!

Para começar, o que é perfil moderado?

Mesmo que, com algumas variações, podemos definir três tipos de perfil de investidor: conservador, moderado e arrojado. Nesse sentido, as classificações levam em consideração a tolerância ao risco de cada perfil.

Como o próprio nome sugere, o perfil moderado é aquele que fica no meio termo entre o investidor que prioriza a segurança e o que assume riscos maiores para rentabilizar o patrimônio. Ou seja, o perfil moderado busca o maior equilíbrio possível entre risco e rentabilidade. Ele assume riscos, mas sempre de forma muito calculada e em proporções que comprometam pouco a segurança de sua carteira.

Então o perfil moderado sempre será ponderado em relação a riscos?

Em relação aos investimentos, é muito importante entender que o perfil de investidor pode mudar no decorrer dos anos. Aliás, isso acontece na maioria das vezes, pois, durante a vida, surgem transformações que definem novas prioridades.

Por exemplo, um estudante que poupa para pagar a faculdade, provavelmente será mais conservador na hora de gerir as suas reservas. No entanto, depois de formado e bem empregado, é natural que esteja disposto a correr mais riscos para rentabilizar o seu dinheiro. Por isso, é necessário fazer uma reavaliação periódica do perfil de investidor.

E quais os tipos de investimentos para o perfil moderado?

Antes de mais nada, é fundamental entender que, mais do que o tipo de investimento, é a proporção que cada um tem na carteira que determinará o melhor para cada perfil.

Em outras palavras, nada impede que um perfil conservador tenha uma parte de seu patrimônio investido em ações, por exemplo. No entanto, essa parte deve ser muito menor do que a proporção de outros ativos de renda fixa. Da mesma forma, um investidor arrojado não só pode como deve ter modalidades mais conservadoras no seu portfólio, como CDB ou fundos DI, por exemplo. Isso porque essas aplicações são ideais para a reserva de emergência, necessária para todas as carteiras, independentemente do perfil.

Logo, a parte conservadora da carteira do perfil moderado deve ser maior do que a do arrojado e menor do que a do conservador. Já para a parte mais arrojada, as opções a seguir são algumas das mais interessantes:

Ações e fundos de ações

Quando se fala em renda variável, certamente as ações são os investimentos mais lembrados. No entanto, é preciso algum conhecimento para saber escolher boas ações para investir. Caso o investidor de perfil moderado não se sinta suficientemente seguro para isso, a alternativa pode ser um fundo de ações. Isso porque ele proporciona uma diversificação ainda maior da carteira, além de contar com gestão profissional.

Debêntures

Assim como as ações, as debêntures são títulos emitidos por empresas para captação de recursos. A diferença é que, enquanto as ações conferem direitos de sócio ao investidor, as debêntures tornam o investidor um credor da empresa. Elas fazem parte da categoria de crédito privado de renda fixa. Ou seja, são títulos emitidos pelas companhias para captação de recursos, com data de vencimento determinada.

Apesar de serem títulos de renda fixa, as debêntures possuem mais risco, pois a sua liquidação está diretamente ligada à saúde financeira da empresa. No entanto, podem proporcionar rendimentos bem superiores à média de renda fixa.

Ainda em relação aos ganhos, existem as debêntures incentivadas, que são uma opção ainda mais rentável para o perfil moderado. Isso porque são isentas de IR, por captarem recursos para setores estratégicos da economia, como o de infraestrutura, por exemplo.

Fundos Imobiliários (FIIs)

Os FIIs também são uma ótima alternativa para o perfil moderado. Com a queda dos juros nos últimos anos, esses fundos foram um dos investimentos que mais viram a sua procura crescer entre os investidores.

Com a crise financeira, agravada pela pandemia de Covid-19, muitos desses fundos sofreram com a desvalorização das cotas. Nesse sentido, os fundos de tijolo foram os mais afetados, justamente pelo fechamento do comércio e de imóveis corporativos. No entanto, os FIIs de CRIs (também chamados de fundos de papel) conseguiram manter um bom desempenho, e muitos deles superaram as expectativas do mercado.

Quer conhecer os tipos de FIIs? Então, veja no artigo abaixo:

Quero investir em FIIs: conheça os tipos de fundos imobiliários (euqueroinvestir.com)

Investimentos atrelados a ativos internacionais

Por fim, vale a pena o perfil moderado pensar também em ativos internacionais para diversificar a sua carteira. Isso porque, ao investir nesses ativos, consegue-se mitigar o risco país presente na economia nacional.

Mas atenção: investir nesses ativos não significa, necessariamente, ter que abrir uma conta no exterior. Nesse sentido, existem muitos investimentos que acompanham o dólar (e outras moedas fortes) e que são feitos na bolsa brasileira, como os BDRs e os ETFs, por exemplo.