Investimentos no pós-pandemia: o que fazer com a minha carteira?

Fabiana Panachao
Após 15 anos de experiência em grandes emissoras de TV, a jornalista Fabiana Panachão criou o Dinheiro em Foco (BandNews TV) em 2019. Deu tão certo que se tornou âncora e curadora do evento digital MoneyWeek e hoje trabalha exclusivamente com conteúdos ligados a investimentos.Saiba mais em https://moneyweek.com.br
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Foto: Investimentos no pós-pandemia

Há quem diga que o pior já passou. Depois de um 2020 tumultuado na economia mundial e de bolsas sacudidas, 2021 já vem refletindo um otimismo no mercado financeiro. Ou, pelo menos, uma esperança de dias melhores.

Mas quando o assunto são crises, nunca sabemos precisamente quando terminam. E, pior, não conseguimos prever quando a próxima vai chegar. Nesse momento, de vacinação já em andamento e lenta recuperação econômica à espera de pacotes de estímulos fiscais, muitos investidores ainda têm dúvidas sobre o que vai acontecer com o preço das ações no curto prazo.

Na hora de montar uma carteira, analistas do mercado financeiro indicam cautela e olhar apurado para esse novo cenário, especialmente para empresas ligadas aos setores mais resilientes da economia e que são competitivas internacionalmente. Reserva e liquidez também são bem vindas em tempos incertos.

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Para te ajudar nessa jornada, separei abaixo alguns pontos que podem ajudar a adaptar sua estratégia de investimentos para este novo momento.

Renda fixa no pós-pandemia

A Selic, nossa taxa básica de juros, atualmente está em 2% ao ano. A taxa promete entrar em um movimento de alta ao longo de 2021. Por isso, o investidor deve levar isso em consideração na hora de revisar a carteira.

E isso tem base no cenário atual. O governo brasileiro, que já vinha de uma situação fiscal frágil, precisou aumentar os gastos públicos para rodar medidas que amenizassem a crise, como o pagamento dos auxílios emergenciais. Agora o desafio é atrair mais recursos para os cofres públicos.

Para somar, vimos um descompasso entre oferta e demanda e a pressão da alta do dólar. Resultado: aumento da inflação. Com isso, a alta de preços que vemos em alimentos e combustíveis é um sinal de alerta.

Especialistas garantem que os juros vão subir. O último Boletim Focus do Banco Central aponta para uma alta de até 3,75%. Para o investidor isso significa que a renda fixa deve se tornar um pouco mais atrativa do que tem sido hoje.

Mas fique de olho! Num cenário de juro subindo, investimentos de renda fixa com taxa prefixada devem oferecer um retorno onde o vencimento já contemple essa nova realidade. Caso contrário, analistas aconselham escolher ativos com taxas pós-fixadas.

Renda variável

Tudo mudou e nada mudou na Bolsa de Valores. Vou me explicar melhor!

A pandemia trouxe uma série de circuit breakers e incertezas sobre a perenidade das empresas listadas na B3. Depois veio um movimento de recuperação, mas ainda parcial. Em um levantamento recente, foi constatado que 64% dos papéis que compõe o  Ibovespa – principal índice de ações da bolsa – ainda operam em um nível de preços abaixo do pré-pandemia. Ao mesmo tempo, a crise vem para educar o investidor. Afinal, a economia é cíclica, períodos de baixa e de alta são uma realidade.

O que eu quero dizer é que a sensação de frenesi provocada pelo crescimento da bolsa em 2019 se inverteu. Muita gente ainda sente um certo desgosto nesse período de recuperação. Quando eu digo que nada mudou eu me refiro à estratégia do investidor inteligente. Quem tem uma boa tese de investimentos, bem fundamentada, segue firme na bolsa. Ou seja, busca empresas com ações descontadas e aguardando os bons ventos da economia.

Se você ainda não tem uma tese de investimentos nesse novo cenário, agora é a hora de refletir sobre o assunto. Afinal, o que você espera do mercado? Investir em empresas com boa geração de caixa de olho nos dividendos ou prefere empresas com potencial de valorização, com as chamadas ações de crescimento? E mais: para quê você investe no mercado de capitais, qual seu real objetivo, onde deseja chegar?

Novas opções de diversificação

Diversificar é a chave para ter uma carteira saudável de ativos de renda variável. Saudável no rendimento e no risco! Alguns ativos relativamente “novos” oferecidos pela B3 fortalecem essa tese. São os BDRs e os ETFs.

Os BDRs são recibos que replicam ações de empresas estrangeiras negociadas diretamente no mercado nacional. Em 2020, tivemos mudança na regulamentação, o que tornou essa aplicação muito mais acessível. Já os ETFs são fundos de índice, que replicam um determinado índice do mercado (Ibovespa, S&P500, SMLL). Com a compra de apenas uma cota você já está investindo em diversas ações que estão dentro do índice.

A novidade mais recente no mercado brasileiros é o BDR de ETF. Os recibos com cotas de ETFs emitidos no exterior. Ou seja, o investidor pode comprar um BDR de ETF e aplicar não apenas na Apple, mas no índice que acompanha o setor inteiro de tecnologia, por exemplo.

Finanças no pós-pandemia

Todo mundo quer saber onde se deve investir em um cenário tão incerto quanto agora. Mas se tem algo que a pandemia nos ensinou é que antes de montar uma carteira de investimentos é determinante ter uma reserva de emergência. Às vezes negligenciada, a reserva de emergência se tornou a maior aliada durante a crise. Quem perdeu o emprego ou viu a renda ser reduzida e tinha a reserva pode atravessar o período mais crítico de forma menos traumática. Então, em 2021, faça chuva ou faça sol, você tem que ter uma reserva de emergência. Esse é o primeiro passo para ter uma vida financeira saudável.  A decisão do valor é individual, mas em geral recomenda-se de 6 a 12 meses do seu custo de vida.

Para além da reserva de emergência, separe uma pequena parte dos recursos para uma reserva de oportunidade. Mantenha esse valor em um rendimento com liquidez diária para poder retirar no momento que surgir uma boa oportunidade. Afinal, como falei, algumas empresas seguem descontadas na Bolsa de Valores e crises podem ser boas portas de entrada naquele papel que lá na frente vai trazer bom rendimento. Nesse caso, estude bem as companhias e aplique no momento certo.

Todos os meses separo uma parte dos meus rendimentos para investir. Costumo deixar 20% desse valor em uma reserva de oportunidades – esperando uma boa oportunidade no mercado – e os outros 80% são investidos normalmente nas empresas que estão dentro dos meus objetivos e perfil de investidora. É assim que eu faço, mas você deve avaliar o que é melhor para você, seus objetivos e perfil, ok?

Geração de renda

Se você chegou até aqui e acha que para investir terá que levar uma vida de privações, te garanto que está enganado! O mais importante é ter disciplina para poupar e dar aquele gás buscando outras formas de gerar dinheiro. Mesmo que você esteja empregado, com carteira assinada, busque novas fontes de renda extra. Elas podem vir de trabalhos esporádicos, dentro das suas habilidades profissionais (consultorias, aulas, palestras) ou de atividades que você faça bem (cozinhar pra fora, cuidar de animais domésticos). Outra forma de gerar renda extra é justamente através dos próprios investimentos. Carteiras que aplicam em Fundos Imobiliários ou ações que pagam dividendos com certa frequência são boa opção para receber os lucros dos investimentos. Então quanto mais renda extra você gerar, mais terá para investir.

O mundo mudou e, com certeza, vai seguir mudando. Cabe a nós entendermos os cenários atuais para seguir trabalhando, bancando as contas e poupando para atingir a tão sonhada liberdade financeira.