Investimentos financeiros: o que são e como se classificam

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Crédito: rawpixel por Pixabay

Investimentos financeiros são a ponte que permite que muitas pessoas alcancem a independência financeira. Mas você sabe o que são? 

Antes de falar de investimentos financeiros, vamos começar entendendo o que é um ativo. 

A palavra “ativo” é utilizada para indicar os bens, valores, créditos e direitos que formam um certo patrimônio. O que caracteriza o ativo financeiro e o diferencia de outros tipos de ativos é que normalmente ele tem a natureza “de papel”. Na maioria das vezes, ele se apresenta no formato de “documento”.

O que são investimentos financeiros? 

Investimentos financeiros são operações de compra e venda de ativos. O objetivo é repor o valor de compra, além de obter lucro na operação. 

Poderíamos dizer que o objetivo de investimentos financeiros é fazer que “o dinheiro faça mais dinheiro”. 

Temos basicamente duas formas de investir: aplicando em renda fixa ou em renda variável. 

Investimentos financeiros em renda fixa

Quando uma pessoa investe em renda fixa, ela está emprestando dinheiro ao emissor do título. Por sua vez, o emissor pagará ao investidor um certa quantia de juros. 

Em resumo, se baseiam em “acordos” entre investidores e emissores de títulos. Assim, os investimentos financeiros em renda fixa têm certa garantia de retornar juros após um determinado período.

Nos casos de títulos pré-fixados, os juros são definidos no momento que o investimento for firmado. Por exemplo, um título que paga 7% ao ano. 

Quando o título é pós-fixados, a taxa de juros é vinculada a algum índice. Os índices mais utilizados no mercado são o Certificado de Depósito Intermediário (CDI), representando a curva de juros e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representando a inflação.

Em relação à emissão, temos basicamente três grandes emissores de títulos de renda fixa. Veja a seguir.

O governo brasileiro como emissor

Os títulos do Tesouro Direto são os títulos públicos que representam uma forma de financiar a dívida pública brasileira. Permitem que os investidores emprestem dinheiro para o governo, recebendo em troca juros.

As instituições financeiras como emissoras

Uma das formas dos bancos conseguirem o capital para conceder linhas de crédito aos próprios clientes é emitindo títulos de renda fixa. É isso mesmo, é assim que os bancos ganham dinheiro: é não é pouco!

O investidor empresta dinheiro para o banco comprando um título de renda fixa (que o próprio banco emitiu). Em troca, recebe uma determinada quantia de juros.

O banco, por sua vez, pega esse dinheiro que o investidor emprestou e empresta para outra pessoa. Ou seja, concede uma certa linha de crédito a uma taxa de juros mais alta do que ele está pagando para o investidor inicial. É isso que se chama “spread bancário”.

As grandes empresas privadas como emissoras

Para determinadas finalidades de expansão, grandes empresas podem recorrer “ao mercado” e aos investimentos financeiros. 

A empresa pode emitir debêntures, que representam títulos de crédito de uma dívida. Na prática, investindo em uma debênture o investidor está emprestando o próprio dinheiro para a empresa emissora do título que utilizará o dinheiro para financiar sua expansão.

Investimentos em renda variável

Ativos de renda variável são aqueles cuja remuneração não pode ser dimensionada no momento da aplicação. Por isso mesmo, podem variar positiva ou negativamente de acordo com as expectativas do mercado. 

O investidor de renda variável acredita que está comprando um ativo mais barato do que ele acha que vai conseguir vender no futuro. Reforço: “ele acha”.

A lista de ativos de renda variável é grande. Mas as principais opções disponíveis são as explicadas a seguir.

Ações

As ações são as parcelas que compõem o capital social de uma empresa. Ou seja, são as mínimas unidades de títulos emitidas por sociedades anônimas. 

Esse é o motivo pelo qual o valor delas sempre varia: o mercado está sempre “precificando” o valor de uma empresa de acordo com o que acontece com ela — resultados comerciais, por exemplo  e com o cenário econômico em geral. O preço do petróleo, por exemplo, é algo que afeta muitos mercados.

Quando um investidor compra uma ação, ele se torna sócio da empresa que a emitiu.

Commodities

As commodities correspondem a produtos de qualidade e características uniformes, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou sua origem, sendo seu preço determinado pela oferta e procura internacional. Basicamente, são todas as matérias-primas essenciais que possuem baixo nível de industrialização.

Tanto é que as commodities negociadas na bolsa são, principalmente, relacionadas ao agronegócio (café, soja, açúcar, boi gordo, etanol, entre outros) e a indústria de extração de minérios. Neste último caso, o minério de ferro é o exemplo mais famoso.

Moedas estrangeiras

Moedas estrangeiras negociadas internacionalmente estão sempre variando. Por esse motivo, o investidor que acredita que consegue prever essa oscilação pode ganhar dinheiro apostando na volatilidade. Por isso compra quando a moeda estiver em baixa e revende quando a moeda estiver em alta.

Mas as opções de investimentos não terminam aqui. Porque além dessas opções de renda fixa e renda variável, hoje em dia o investidor brasileiro tem a disposição um grande leque de fundos de investimentos. 

O que é um fundo de investimento?

Um fundo de investimento nada mais é que uma carteira de ativos financeiros gerenciados por uma gestora. Ela disponibiliza cotas dessa carteira para compra por interessados. Com isso, consegue fazer a captação de recursos.

Na prática, o investidor que pretende investir em um determinado fundo, tem que comprar suas cotas com o objetivo de aumentar o próprio patrimônio de acordo com o aumento do valor da cota. 

Agora, se o fundo for um fundo fechado, o investidor que pretende aplicar os próprios recursos nele terá que comprar as cotas de algum investidor que queira sair do fundo e que, portanto, venderá as próprias cotas ou esperar que o fundo abra para captação de recursos de novos investidores. 

Diferente de quando se trata de um fundo aberto: o investidor poderá ingressar e sair do fundo sem precisar que outro investidor tome o lugar dele.

E quais são os tipos de fundos de investimentos que existem?

Os fundos de investimentos são classificados de acordo com a composição da carteira, objetivo de rentabilidade e prazo de aplicação. Vamos ver as principais opções.

Fundo de investimento em renda fixa

Os fundos de renda fixa direcionam, no mínimo, 80% dos seus investimentos em ativos de renda fixa pré-fixados ou pós-fixados. Por esse motivo, normalmente a rentabilidade desses fundos costuma seguir o CDI.

Fundo de curto e de longo prazo

É importante destacar que a classificação “curto prazo” e “longo prazo” não tem nada a ver com os objetivos de “prazos” do investidor. Se relacionam à natureza dos títulos de renda fixa que compõem o patrimônio líquido do fundo.

Um fundo se define de curto prazo se sua carteira é composta por títulos públicos federais ou por títulos privados de baixo risco de crédito com prazo máximo de 365 dias e prazo médio de 60 dias. Por outro lado, são considerados fundos de investimento de longo prazo aqueles cuja carteira de títulos tenha prazo médio igual ou superior a 365 dias.

Fundo de ações

Os fundos de investimentos em ações direcionam ao menos de 67% dos seus investimentos em ações da bolsa de valores. Dessa forma, a rentabilidade esperada dependerá da valorização das ações que fazem parte da carteira do fundo.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais são compostos por investimentos em moeda estrangeira, como os títulos públicos dos governos de outros países. 

Fundos multimercado

Os fundos multimercados são fundos de investimentos cujo gestor tem liberdade para adquirir títulos de quaisquer classes de ativos, e em qualquer proporção. Isso significa que o patrimônio de um fundo multimercado pode ser composto tanto com títulos de renda fixa como de ações, sem ter uma percentagem de cada classe de ativo estabelecida. 

E os fundos de investimentos imobiliários?

Fundo de investimento imobiliário (FII) é um pouco diferente dos fundos que vimos até agora. Isso porque ele continua sendo uma comunhão de recursos. Mas dessa vez, no lugar do patrimônio ser formado por ativos financeiros, ele é destinado à aplicação em empreendimentos imobiliários. O FII é constituído sob a forma de um condomínio fechado e as suas cotas são negociadas na bolsa de valores como se fossem ações.

O interessante quando falamos de fundo imobiliário é que o investidor recebe um aluguel proporcional ao número de cotas do fundo que ele dispõe em carteira. Isso acontece porque quem compra cotas de fundo imobiliário está adquirindo um “pedacinho” dos imóveis que compõe o patrimônio do fundo. Portanto, ele terá direito a receber uma quantia do total dos aluguéis que o administrador do fundo recebe diretamente dos inquilinos.

Vale lembrar inclusive que as cotas de FIIs são negociadas na bolsa. Então elas sofrem uma certa volatilidade. O que isso significa? Que não é o investimento indicado para o investidor conservador, mas o investidor sofisticado pode enxergar uma oportunidade de investimento na especulação da valorização das cotas.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.