Investimentos para a crise: veja como funciona um fundo descorrelacionado

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

O mês de março foi negativo para grande parte dos investimentos do mercado. Mas existe uma modalidade de ativo que pode se sair bem na crise. 

Eles são chamados de fundos de investimento descorrelacionados. Em outras palavras, eles não andam junto com outros ativos.

Veja um exemplo com este perfil e suas principais estratégias.

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Fundo fora da curva

Um exemplo é o fundo de investimentos Special, da gestora Garín. Trata-se de um fundo multimercado desrelacionado do Ibovespa.

Ou seja, ele não cai quando a bolsa cai, e tampouco sobe quando a bolsa sobe. 

Em março, quando o Ibovespa recuou 30%, o Special teve uma rentabilidade bruta de 5,5%.

Neste ano, o Special acumula alta de 7,2%. Seu patrimônio é de R$ 135 milhões.

Apesar da alta expressiva durante a crise, o gestor-chefe da Garín, Ivan Kraiser, destaca que o objetivo do fundo é superar o CDI em 10% a 15%. 

Segundo ele, a ideia do fundo não é dar lucros repentinos, mas manter a rentabilidade ao longo do tempo. 

“Vejo o fundo como uma alternativa à renda fixa, com um pouco mais de risco para suprir a renda fixa com mais qualidade”, disse Kraiser, em entrevista exclusiva para o site Eu Quero Investir. 

Historicamente, o fundo excede o CDI em 40%.

No mercado há 11 anos, o fundo entrou no portfólio da XP Investimentos neste mês.

Também neste mês, a taxa de administração do fundo caiu de 2% para 1,5%. Isso ocorreu porque a meta do fundo é superar o CDI, que está em baixa. 

Confira as principais estratégias do Special: 

Compra de seguro

Uma das estratégias adotada pelo fundo é chamada informalmente de compra de seguro.

Quando um investidor quer lucrar com a queda da bolsa, ele pode comprar opções de venda, também chamadas de PUTs.

Uma PUT permite que o investidor venda um ativo por um preço fixado em contrato. Quem compra a PUT precisa pagar este preço mesmo que o ativo esteja mais barato naquele momento.

O gestor da Garín conta que a gestora comprou opções de venda que permitiram lucrar com a queda do Ibovespa.  

“Quando a bolsa estava a 120 mil pontos identificamos algumas luzes amarelas. O mercado lá fora estava nas máximas e havia sinais de euforia”, conta Kraiser. 

Por isso, o fundo começou a comprar PUTs para lucrar quando a bolsa chegasse a 100 mil pontos. 

Depois, quando o mercado continuou a cair, o fundo rolou esta operação para limites mais baixos. “Jogamos a put para 90 mil pontos, e depois paramos em 80 mil”, conta. 

Em busca de distorções

Uma parcela de 10% do Special está aplicada em compra ou venda de ações de empresas. Para fazer estas escolhas, o fundo se baseia em dois fatores.

Um deles é a busca de distorções de mercado. Em outras palavras, os gestores ficam atentos para encontrar fluxos de recursos que distorcem os preços dos papéis.

Ele cita como exemplo a venda de posições de um investidor muito grande, que pode gerar um movimento de queda em algumas ações.

Depois de identificar este fluxo, os gestores avaliam os fundamentos das empresas.

Ou seja, avaliam as perspectivas futuras das suas operações.

“Quando existe um fluxo pontual, nós observamos se as empresas que o fundo está vendendo têm bons fundamentos”, diz o gestor.