Investimentos em fundos de renda fixa perdem atratividade

Marcello Sigwalt
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A queda da taxa básica de juros (Selic), além de desestimular as aplicações em fundos de renda fixa, está, aos poucos, levando os investidores mais conservadores para os investimentos de maior risco – mas de maior rentabilidade – de renda variável.

Em maio, um levantamento relizado pela Anbima mostrou que os fundos de renda fixa continuam puxando a retirada de recursos dos fundos. Houve uma saída líquida de R$ 11,9 bilhões da classe de renda fixa no mês passado.

Esse tipo liderou as retiradas líquidas da classe não apenas no último mês (R$ 18,1 bilhões), mas durante toda pandemia. No ano, acumula saldo negativo de R$ 131,1 bilhões.

Em contrapartida, os fundos multimercado tiveram a maior captação líquida positiva da indústria em maio, com R$ 3,4 bilhões.

Olhando para o ano, os fundos de ações têm o melhor desempenho. Apesar dos números mais tímidos em maio (R$ 390,7 milhões), acumulam captação líquida positiva de R$ 48,4 bilhões.

Queda acelerada na renda fixa

De acordo com os especialistas, a migração dos investidores para a variável se explica, em parte, pela queda da Selic. Vale destacar que a queda está ainda mais acentuada agora, em razão das sequelas econômicas decorrentes da pandemia.

“A redução dos juros básicos, tanto pelo Fed (banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central, não torna atrativo o mercado de renda fixa a investidores estrangeiros ou locais. Isso pode intensificar o deslocamento de recursos para renda variável”, afirma o educador financeiro André Massaro.

Sobre essa ‘fuga’ de recursos da renda fixa do país em maio, o educador financeiro explica que as maiores saídas correspondem a fundos de menor prazo, que buscavam melhor retorno e fazer caixa frente à crise.

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Janela de oportunidades na renda variável

Em tempos de volatilidade e incerteza, ativos de maior risco, como as ações, passam a ser mais atrativos e rentáveis. Desse modo, a aversão ao risco, por força das circunstâncias, acaba cedendo lugar a oportunidades de ganhos com renda variável.

A questão é que ninguém sabe quanto tempo a recuperação da bolsa vai se sustentar ou se dará lugar a um ambiente recessivo.

“O cenário futuro ainda é bastante incerto e há suspeitas de que esse movimento possa não ter sustentação”, reforça Massaro.

Entretanto, a permanência do ambiente de ‘apetite de risco’ vai depender da recuperação econômica mundial.

“Tudo vai depender do quão consistente é essa recuperação e, mais ainda, ‘se’ vai haver uma recuperação (ao menos no curto prazo)”, diz.

Ao mesmo tempo, pelo lado da renda fixa, resta aos administradores reduzir a taxa de administração, enquanto os investidores precisam buscar educação financeira.

“É preciso investir em outra frente, a comunicação, para desfazer o mito, ainda corrente, segundo o qual é possível fazer o patrimônio crescer com baixo risco. Esses tempos não existem mais”, destacou o educador financeiro.

Hora de se reinventar

Certo mesmo é que a renda fixa brasileira terá de se ‘reinventar’ para se manter atraente. Até porque a perspectiva é de mais queda da Selic pelo BC nos próximos meses. Ou seja, a intenção é dar liquidez à economia e incentivar o investimento.

Mas quando o assunto é segurança, Massaro existem algumas alternativas.

“Em praticamente todas as economias do mundo, o investimento mais seguro são os títulos do governo. No caso do Brasil, temos o Tesouro Direto, o ‘caminho natural’ para quem quer sair da Poupança”, explica.

“Outra opção são os fundos de renda fixa que, em grande parte, também investem em títulos do governo”, completa.

Fundos ‘arrojados’

Entre os fundos considerados ‘arrojados’, para fazer frente à queda da Selic, Massaro aponta, além de ações, fundos diversos (mútuos, imobiliários, e ETFs). Outra alternativa são as operações estruturadas, como o COE.

Definidos como fundos negociados em bolsa, ETF é a sigla para ‘Exchange Traded Funds’. Estes são instrumentos financeiros que seguem a variação de um índice de referência, como o Ibovespa.

Ao aplicar em ETFs, o investidor adquire cotas de um fundo que replica o comportamento de um índice de ações ou de renda fixa.

Ao observar a entrada de novos investidores individuais em bolsa, a despeito da crise, Massaro avalia que esse movimento pode cessar ou diminuir de ritmo, caso os problemas econômicos se agravem.

“Se a crise piorar, sobra menos para investir ou, pior que isso, os investidores podem precisar liquidar seus investimentos para fazer caixa”, comenta.

Opções interessantes

Já para o CEO do App Renda Fixa, Francis Suenaga, ainda há alternativas para os investidores mais conservadores. Entre elas estão Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Câmbio (LC), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

A vantagem destes ativos é contar com a mesma proteção da poupança e geralmente com taxas muito mais atrativas.

Quando o assunto é liquidez, os ativos mais procurados hoje seriam os CDBs com liquidez diária e o Tesouro Selic.

Mas no caso de aplicações mais ‘arrojadas’, Suenaga chama a atenção para ações, fundos imobiliários e COEs.

“O COE têm ganhado bastante espaço por serem um misto de renda fixa com um pé na renda variável”, diz.

Assim como Massaro, Suenaga entende que ainda há espaço para mais quedas da Selic.

No entanto, isso vai depender da inflação, que atualmente está negativa. Caso o quadro de deflação continue, o especialista acredita que o BC pode interromper a sequência de cortes da Selic.

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