Investimentos defensivos são segurança contra a crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Em temporada de alta volatilidade, ter uma parcela das aplicações em ativos que variam menos ao humor do mercado é uma boa estratégia de defesa. Por isso mesmo, tais investimentos recebem o nome de defensivos.

Os investimentos defensivos são justamente aqueles que não rendem tanto quanto os investidores gostariam durante as altas das bolsas. Mas, em contrapartida, se revelam um porto-seguro nos momentos mais críticos.

“Os investimentos defensivos são exposições que tendem a amortizar a carteira em cenários de queda e volatilidade”, define Clara Cristina de Souza Sodré, assessora da EQI Investimentos.

Independentemente do cenário de crise, eles também são indispensáveis para dar equilíbrio à carteira.

Quais são os investimentos defensivos?

São diversas as opções de investimentos considerados defensivos, seja em renda fixa ou no mercado de ações.

Mauro Rached, executivo da Integral Investimentos, lembra que até mesmo linhas telefônicas já foram consideradas investimentos defensivos.

“Os chamados investimentos defensivos são muitos e dependem da conjuntura e da evolução econômica e social. Nos anos 1980, além das linhas telefônicas, os automóveis também eram defensivos”, relembra.

Atualmente, ele cita como exemplos de investimentos defensivos o ouro, os títulos públicos, os investimentos imobiliários e até mesmo ações de setores específicos.

Tesouro como estratégia de defesa

Os papéis do Tesouro Nacional pós-fixados de curto prazo ou de médio prazo indexados à inflação são boas opções de investimento defensivo.

“Na classe de renda fixa, o título Tesouro Selic é uma opção defensiva de curto prazo. O Tesouro IPCA+ pode ser considerado defensivo quanto à inflação, especialmente se carregado até seu vencimento”, recomenda Camilo Cavalcanti, superintendente de investimentos da Infinity Asset (foto abaixo).

investimentos defensivos

Camilo Cavalcanti, da Infinity Asset

Fundos Imobiliários

Alguns tipos de investimentos imobiliários, diretos ou via fundo imobiliário, também são defensivos. É o caso das participações em lajes corporativas AAA ou em terras em regiões tradicionais exploradas com culturas de grande escala.

Fundos que aplicam em lajes corporativas de alta qualidade e demanda são apontados por Rachid como boas opções de investimento defensivo no momento.

“De forma um pouco mais ampla, podemos dizer que fundos imobiliários de ‘tijolo’ são bons candidatos ao título de investimentos defensivos. Mas precisam passar caso a caso por uma análise pormenorizada dos seus ativos”, recomenda.

Para ele, fundos imobiliários que detêm imóveis de alta qualidade e de demanda cativa tendem a preservar seu valor e obter rendas interessantes de aluguel com baixo nível de vacância e inadimplência.

Mercado de ações

Já no mercado de ações, vale investir em setores específicos. Aqueles essenciais ao país, que mesmo em crise ou recessão terão forte demanda. São exemplos as companhias de serviços públicos, como de energia elétrica, telecomunicação e concessionárias rodoviárias.

Empresas ligadas ao consumo interno, à saúde, educação e ao setor bancário também se destacam. Elas são menos influenciadas por ciclos econômicos.

Cavalcanti, da Infinity Asset, cita como exemplos de ações defensivas Sanepar e Copasa (saneamento) e Vivo (telefonia). E também Energias do Brasil, CPFL, Equatorial, Taesa, Transmissão Paulista, Alupar e Comgas (geração, transmissão e distribuição de energia).

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“Todas estas possuem as características que fazem com que as incertezas com relação ao futuro não afetem tanto seus preços. Não tanto quanto as empresas varejistas, construtoras e empresas do setor de petróleo”, diz.

Diversificação pede investimentos defensivos

Os investimentos defensivos tendem a sentir menos os impactos decorrentes de crise. Mas, além, disso, também são sempre recomendados em estratégias de diversificação de investimentos. “Diversificar é o segredo de uma carteira de sucesso”, resume a assessora da EQI.

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