Investimento em renda fixa é muito mais que poupança

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: osaba / Freepik

Apesar das intempéries econômicas, o mercado acionário cresce mais a cada dia.

Embora poucos se atenham a esse fato, o segmento de renda fixa é muito mais do que aplicar em poupança. São muitos produtos e recomendados a todos os perfis de investidor.

De acordo com a XP Investimentos, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja, é essencial manter uma carteira diversificada.

Segundo a gestora, após expectativa de fim do ciclo de cortes da Selic, a crise gerada pelo covid-19 levou a novo corte, dessa vez de 0,5 ponto percentual, para 3,75%.

Também, inclinação da curva DI, com expectativas de juros mais elevadas no longo prazo. “Esperamos que o cenário de juros baixos se aprofunde e continue por mais tempo”, disse.

E a necessidade de diversificação se dá, entre outros fatores, por conta do cenário atual, que exige maior cautela em relação ao perfil de risco dos emissores.

No caso de investimentos de prazos mais longos, a XP diz preferir ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais, ou seja, acima do IPCA.

No radar

Poupança

Para se ter ideia, no mês de abril, a captação líquida da poupança ficou positiva em R$ 24 bilhões. Abril não costuma apresentar tendência de captação histórica.

No ano, a poupança apresenta captação líquida de R$ 19,8 bilhões (até dia 27 de abril).

Acontece que com o cenário adverso, o investidor busca ativos de menos risco e a poupança ainda é a aplicação mais conhecida pelos brasileiros e a preferida em momentos de incerteza, mesmo não sendo a mais segura nem a mais rentável.

Conforme a XP, considerando a taxa Selic em sua mínima histórica, combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Tesouro Direto

No caso do Tesouro Direto, diz a XP, em março foi possível observar captação líquida negativa, em R$ 780 milhões. O resultado apresenta reversão significativa em relação a igual período de 2019.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado, embora em menor percentual do que no mês de fevereiro.

Após diversos meses de participação majoritária de ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, em março os investidores buscaram ativos de prazos mais curtos em sua maioria, de 1 a 5 anos.

Para a XP, o motivo para tal mudança pode ser a busca por ativos menos arriscados, dada a incerteza maior com a crise provocada pela Covid-19.

Rentabilidade

De acordo com a gestora, no mês de abril todos os títulos negociados no Tesouro Direto apresentaram valorização.

Isso se deve principalmente às menores expectativas para os juros no futuro ao longo de toda a curva DI.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias apresentou evolução de 8,5% no mês de abril, indicou a gestora.

O principal destaque foi o aumento em CDBs, da ordem de 13% no mês. Pode-se atribuir o crescimento à necessidade de captação dos bancos em um cenário de maior incerteza, com maior necessidade de liquidez, combinado ao interesse de investidores por ativos de menor risco.

Crédito Privado

O crédito privado no mercado primário trabalha com estoques, entre outros, de DEB, CRI e CR), que são indexadores e emissão de debêntures.

O estoque de ativos de crédito privado se manteve novamente constante no mês de abril, e os ativos pós-fixados continuam predominando tanto no estoque quanto em novas emissões de debêntures.

Já a emissão de debêntures atingiu R$ 11 bilhões no mês, sendo quase a metade do volume emitido no mês de abril de 2019.

O prazo médio das emissões do mês caiu drasticamente em abril, para três anos. Pode-se atribuir esta mudança às emissões de empresas visando fortalecer o caixa em meio às incertezas trazidas pela crise da Covid-19.

Em meio ao cenário adverso que se atravessa atualmente, o apetite ao risco se reduziu, refletindo na redução do prazo médio aceito pelos credores.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, apresentou redução do volume emitido no mês, sendo que em março a emissão foi de R$ 1,4 bilhão em comparação com R$ 1,7 bi em fevereiro.

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Além disso, pode-se observar queda na comparação com o mês de março de 2019.

As emissões realizadas no mês foram do setor de energia elétrica e do setor de saneamento.

A XP diz acreditar que a tendência de alta de emissões vá continuar, talvez com certo atraso dado o cenário atual.

Apesar da revisão de crescimento econômico, investimentos em infraestrutura serão importantes para a retomada da economia.

Além disso, a gestora entende que a participação privada nos projetos reduz riscos de execução.

Mercado secundário

Em se tratando de fluxo, no mês de abril o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 29 bilhões conra os R$ 27,8 bilhões em março. Os ativos mais negociados foram do setor elétrico.

Spreads de crédito

Com a crise instaurada pelo alastramento da Covid-19, observa-se um mercado muito estressado nos últimos meses.

Com isso, os spreads de crédito voltaram a abrir expressivamente em março depois de um arrefecimento no começo do ano, tendo continuidade em abril.

Alguns fatores ajudam a explicar este movimento, como aumento do risco de crédito; baixa liquidez dos mercados, principalmente nas duas primeiras semanas após o início da quarentena no Brasil; e resgates de cotistas de fundos de crédito privado.

Também o receio da marcação das cotas para baixo; as chamadas de margem, que são necessidades de liquidez imediata; e a busca por oportunidades em ativos de maior risco.

Em abril, os spreads continuaram a abrir, com as contínuas incertezas em relação ao cenário da pandemia sendo combinadas a turbulências políticas.

De modo geral, avalia a XP, espera-se que novas emissões de crédito privado sejam realizadas a taxas mais elevadas, mesmo para emissores de risco mais baixo (os chamados “high grade“), acompanhando o ajuste ocorrido nos últimos meses.

Ratings

No mês de abril, foram realizadas diversas ações de rebaixamento de ratings, além de colocação de ratings em perspectiva negativa, em decorrência dos desdobramentos da crise.

Devido ao cenário, não houve elevações de ratings no mês.

O mês de abril, assim como março, também foi fortemente influenciado pelos efeitos da Covid-19 na economia.

Medidas do governo e do banco central continuaram sendo anunciadas, porém ruídos políticos e receios em relação à política fiscal começaram a ter força sobre as expectativas dos agentes do mercado.

As incertezas em relação ao futuro continuaram tendo efeito sobre as decisões de investidores, que buscam ativos mais seguros e de prazos mais curtos.

Os spreads de crédito, por sua vez, ainda não apresentam tendência clara e pode-se observar aberturas em ativos de baixo risco de crédito.

Para os próximos meses, continua o cenário de incerteza. Ainda não se sabe ao certo quando a economia voltará a funcionar normalmente, o que inclui a confiança do consumidor, que deve tomar mais tempo para retornar a patamares pré-crise.

A XP diz esperar corte de 50 pontos percentuais na reunião do Copom a ser realizada no dia 6 de maio, porém continua com visão de que o investidor deve buscar decidir com cautela e gradualmente aumentar a exposição a risco.