Investigação contra sócio de Flávio Bolsonaro é paralisada no RJ

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: REUTERS/Adriano Machado

O desembargador Antônio Carlos Nascimento Amado, presidente da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, determinou que a investigação contra Alexandre Ferreira Dias Santini, sócio de Flávio Bolsonaro em uma loja de chocolates, fosse paralisada. A decisão é dessa terça-feira (21).

A investigação se refere ao processo do suposto esquema de “rachadinha” no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro, quando Flávio era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) suspeita que Alexandre tenha atuado como laranja na compra da loja de chocolates, numa forma de lavar o dinheiro oriundo da “rachadinha”.

Movimentações suspeitas

Em janeiro de 2019, logo após a posse de Jair Bolsonaro, começou a sair na imprensa que, em um mês, foram 48 depósitos em dinheiro numa conta do senador eleito pelo Rio de Janeiro, quando ele ainda era deputado estadual, no total de R$ 96 mil.

As movimentações financeiras suspeitas de Flávio Bolsonaro ocorreram entre junho e julho de 2017. Os depósitos em espécie e direto na conta do senador eleito eram concentrados no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj, e sempre no mesmo valor: R$ 2 mil.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) diz que não foi possível identificar quem fez os depósitos. O fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta a suspeita de ocultação da origem do dinheiro.

A rachadinha ocorre quando funcionários do gabinete devolvem parte do salário ao político, o que é ilegal.

Motivo da decisão

Para o desembargador, as investigações precisam parar pois ele entende que Alexandre não teve o direito de defesa adequado.

No final de dezembro de 2019, o MP-RJ cumpriu no total 24 mandados de buscas e apreensão, entre elas a loja do filho mais velho de Jair Bolsonaro. O senador possui 50% da sociedade da loja, uma franquia de chocolates. O estabelecimento fica em um shopping de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade. Neste caso, o foro privilegiado ao qual Flávio Bolsonaro tem direito não se aplica.

Na operação, também são investigados parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, que foram Alerj, onde ele foi deputado estadual por quatro mandatos.

A decisão da Justiça atendeu a um pedido da defesa do empresário, mas não vale para Flávio Bolsonaro e nem para os outros investigados no mesmo caso.

Com informações do portal de notícias G1.