Investidores questionam fraude contábil em evento da Via Varejo

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Divulgação

Na última semana, a rede varejista Via Varejo revelou a descoberta de uma fraude contábil estimada em R$ 1,4 bilhão.

As investigações foram abertas após o recebimento de denúncias anônimas em novembro.

Sendo que o que se descobriu até agora foi manipulação na provisão trabalhista e diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos, informou a Via Varejo.

Além disso, a investigação descobriu falhas de controles internos, que poderiam gerar erros materiais” em certas contas.

Como consequência, o fato relevante trouxe muita agitação para o mercado financeiro. E como não poderia deixar de ser, para os investidores também.

Em evento realizado pela Companhia na última terça-feira (17), o maior questionamento dos investidores era sobre como a Via Varejo iria se posicionar frente a descoberta da fraude contábil.

Durante o evento, um sistema on-line de perguntas foi colocado à disposição dos investidores para tirar dúvidas referentes a empresa.

Segundo divulgado pelo jornal Valor Invest, um quarto das questões enviadas aos executivos eram relacionados a fraude envolvendo processos trabalhistas.

Ou seja, de 82 perguntas enviadas, 21 tratavam sobre o caso ou sobre mudanças na governança corporativa da Companhia.

“Qual a segurança para o investidor que não haverá uma nova fraude contábil nesta gestão?”, questionou um participante.

“Quais as ações de governança corporativa serão implementadas para que o ocorrido na semana anterior não volte a acontecer?”, foi a pergunta de outro.

Além disso, houve críticas sobre a postura da empresa em divulgar o comunicado pouco antes do encerramento do pregão:

“Sobre a fraude contábil, publicaram um fato tão relevante minutos antes do fechamento do mercado. Como confiar numa gestão que comete um erro desses?”

O que diz a Via Varejo

Apesar de todos os questionamentos, a Companhia só comentou sobre a fraude no final da apresentação dos executivos, por Orivaldo Padilha, diretor de relações com investidores.

Segundo Padilha, a terceira fase da investigação já está em andamento. Sendo que está prevista para encerrar em fevereiro de 2020.

Segundo a Via Varejo, os efeitos da fraude contábil poderão alterar o resultado do balanço do quarto trimestre.

Além disso, a varejista acredita que irá recuperar R$ 300 milhões em Imposto de Renda e contribuição social. Em outra conta, afirma ainda que foi identificado créditos fiscais da ordem de R$ 600 milhões referentes a PIS/Cofins e ICMS.