Investidores contam por que estão apostando em ações

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Em março, as ações do Ibovespa chegaram a cair 30%. Ainda assim, o número de investidores interessados em ações não parou de subir. Pelo contrário, cresceu em 300 mil no último mês.

Para Clara Sodré, assessora da EQI Investimentos, a taxa básica de juros em baixa e o senso de oportunidade explicam esse crescimento.

“Sabendo que crises fazem parte do ciclo da bolsa e que a recuperação é só questão de tempo, isso tranquiliza”, afirma.

O raciocínio é o mesmo que aplicou a seus investimentos o empresário Miguel Barcha. Ele revela que a crise o assustou sim, em um primeiro momento, mas que também conseguiu enxergar boas oportunidades.

“Quando a Bovespa começou a cair, eu fiquei segurando alguns papéis, na expectativa de que a queda não fosse tão grande. Mas vi que era. Então, procurei me desfazer dos papéis de empresas mais voláteis, que apresentavam mais risco”, conta.

No entanto, ele ressalta, é importante manter a calma e avaliar quando é melhor vender e quando é melhor segurar e aguardar a crise passar.

“Alguns destes papéis, quando me dei conta, já tinham caído mais de 20%. Mas, destes, eu não me desfiz. Vou segurar até a crise passar”, explica.

Ações: boas oportunidades na crise

Barcha conta que continua investindo em empresas que considera mais seguras. “Eu continuei comprando sim, especialmente depois que vi que a bolsa caiu mais de 30%”, diz.

Ele ressalta que adquire ações apenas das empresas que considera mais sólidas. “Eu estou seguro que daqui a pouco estes papéis voltam a subir. Enxergo como uma boa oportunidade. Para mim, já chegamos ao fundo do poço e a tendência agora é de retomada”, revela.

Paulo Galeano, gerente de novos negócios, também enxergou boas oportunidades na bolsa no último mês. Há algum tempo mais focado nos fundos de investimento e na renda fixa, ele conta que se sentiu atraído pela bolsa no último mês, ao ver papéis de empresas que ele considera sólidas sendo negociadas a preços muito atraentes.

Ele revela que a Braskem é uma destas empresas. “Por uma questão do meu próprio trabalho, acompanho muito o setor em que ela atua e, de repente, me deparei com ações que valiam R$ 60 chegando a R$ 20”, afirma.

Em sua na análise, a empresa vem sofrendo muito há uns dois anos, por diversas razões, mas continua sendo uma monopolista em seu segmento, com um amplo mercado.

“Está subvalorizada. Ou a empresa é vendida ou se rearranja, mas não vai quebrar. Esse papel volta a subir”, acredita.

Outra empresa em que decidiu investir foi na JSL. “É uma empresa estruturada em um mercado de commodities, então tem muito espaço para consolidação”, avalia.

Conhecimento é fundamental para os investidores

Para avaliar quais ações valem a pena, especialmente em um período de crise, é preciso que o investidor disponha de boas informações.

Miguel Barcha conta que, ao decidir investir, passou a procurar cursos e sites especializados para se munir do conhecimento necessário.

O mesmo fez Paulo Galeano. Ele conta que migrou de uma corretora de um grande banco para um agente autônomo e não se arrepende. “No banco, você fica muito engessado ao portfólio apenas daquela instituição. Na corretora independente, você tem muito mais opções e por valores de corretagem que valem a pena”, diz.

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Outro ponto levantado por ele é o arsenal de informações que uma corretora independente proporciona. “O banco é muito passivo, não te oferece muito material para você embasar seus investimentos. As corretoras são mais ativas”, acredita.

Importância do assessor no mercado de ações

Clara Sodré, da EQI Investimentos alerta que, especialmente em um período como este de crise, é preciso uma análise do perfil de cada investidor, o que um bom assessor de investimentos pode fazer.

“O investimento não deve nunca ser feito como uma aposta”, explica.

“É necessário sempre estar sempre atento aos riscos operação. E um analista experiente, com conhecimento é essencial”, recomenda.

Leia também: Por que na crise as ações atraem cada vez mais investidores?

E ainda: Como um assessor de investimentos pode te ajudar?

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