Investidor deve manter 7% em câmbio e ouro, diz Luciana Seabra da Spiti

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Investidor deve manter 7% em câmbio e ouro como proteção, diz Luciana Seabra da Spiti

Profunda conhecedora do mercado de capitais, a empresária Luciana Seabra recomenda que todo investidor tenha de 5% a 7% de suas alocações em câmbio e ouro, como proteção.

Ex-repórter do Valor Econômico, principal publicação de economia, finanças e negócios do país, ela acumulou experiência na cobertura de fundos, gestoras e tendências.

Seu público, e seu foco, são pessoas físicas. Pensando neles, ela colocou no mercado a casa de análises Spiti, para auxiliar quem inicia com aportes mais modestos, em torno de R$ 1 mil.

“Não somos gestora de ativos, não gerimos o dinheiro de ninguém”, disse, acrescentando que o carro-chefe da Spiti são os relatórios de investimento.

Formada em comunicação e economia, ela se propõe a entregar para o investidor o que há de melhor no mercado. O pacote de assinatura sai por R$ 19,90.

“Nos esforçamos para fazer análises quantitativas e qualitativas fortes”, frisou Luciana, que por três anos integrou o time da Empíricus. A Spiti também oferece cursos.

Ela conversou com Juliano Custodio, Roberto Varaschin e Luis Fernando Moran, sócios na EQI Investimentos, por meio de rede social.

Fundos de ações

De acordo com Luciana, existem dez mil fundos na indústria. “A gente recomenda aproximadamente 45 mil”, disse.

Isso porque, frisou, existem fundos de ações que não sustentam sequer a taxa de administração. Ou seja, o custo-benefício, ou risco-retorno, são pífios.

Para ela, a crise do coronavírus fez ressurgir muito fundo bom. “Eu, particularmente, gosto dos multimercados e de crédito privado”, afirmou.

Quanto às reservas de emergência, Luciana recomenda também que Selic ou Tesouro Selic costumam ser, para essa finalidade, aplicações oportunas com lucro mais líquido.

Fundos com carência

Segundo Luciana, as pessoas têm pouca resistência com carência. “Entretanto, a carência acaba protegendo o investidor”, disse, citando os d30 e d40.

Ela elencou o Brasil Plural, Capitania, e JGP como muito interessantes, dado o cenário atual.

Movimentos bruscos

O impacto do coronavírus na economia mundial tem assustado todas as classes de investidores. “Não é hora de fazer movimentos bruscos, se você está em um gestor de crédito privado que confia, dê a ele tempo para se reposicionar”, ressaltou.

Isso porque até o momento não se registrou onda de inadimplência. “Assim, significa que se pode deixar o dinheiro parado à espera do retorno [alta] do mercado”, frisou.

E citou: “gosto muito do fundo de debêntures da Kinea (KNRI11). Ele está sendo negociado abaixo da cota patrimonial.”

Para Luciana, os fundos longos vão sofrer menos porque não precisam ser resgatados. “Assim que o mercado se tranquilizar, veremos estes fundos voltando à normalidade”, disse.

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Distinguir fundos

Como fórmula para distinguir fundos, Luciana diz preferir avaliações de janelas temporais, que são janelas de três a cinco anos móveis.

“Para o curto prazo a gente nunca sabe”, afirmou, acrescentando que o investidor deve combinar perfis de fundos diferentes.

“Os fundos long biased têm muita capacidade de navegar em momentos de distorção de preços. Por isso também prefiro os fundos quantitativos”, ressaltou.

Isso porque eles têm a tendência de ganharem na alta, porém, podem também manter posições vendidas para aproveitar a baixa do mercado.