CVM descarta interrupção e governo reforça mercado de capitais como essencial

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
1

Foto: CVM reorienta sobre ofertas públicas por conta do coronavírus

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou neste sábado (21) que não há, neste momento, nenhuma discussão relacionada à interrupção de negócios realizados em bolsa.

O posicionamento sobre a interrupção é uma resposta à reportagem publicada pela revista Veja de que a CVM estaria pressionando a B3 (B3SA3) para o fechamento dos negócios, por conta da pandemia do coronavírus.

Segundo o comunicado da autarquia que regula o mercado de capitais, tampouco existe a suposta “pressão” junto à B3, que a Veja cita, para que as atividades realizadas pela instituição passem por interrupção.

Conforme a nota, a CVM ressalta que “é dever da B3 possuir Planos de Continuidade de Negócios e Contingência para os mais diversos e adversos cenários possíveis”.

Por sua vez, é papel da CVM atuar para que a regulação e os princípios vigentes sejam observados.

A CVM ressalta que a B3, como administradora de mercado, é instituição regulada por meio da Instrução CVM 461.

“Cabe à B3, nos termos do disposto no art. 110, § 4º, da referida Instrução, seguir, também, as recomendações e princípios formulados pelo Comitê sobre Sistemas de Pagamentos e Liquidações (CPSS) e pela Organização Internacional de Comissões de Valores Mobiliários (OICV-IOSCO)”, informou.

Decreto

Na sexta-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que define os serviços públicos e as atividades essenciais, entre eles o mercado de capitais e o de seguros.

O mercado de capitais é constituído pelas bolsas de valores – no Brasil, a B3 –, sociedades corretoras e outras instituições financeiras autorizadas.

Entre os demais itens do decreto estão assistência à saúde; assistência social; defesa nacional e defesa civil; telecomunicações e internet; captação, tratamento e distribuição de água; e geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e de gás.

Adicionalmente, seguem como essenciais serviços relacionados à produção e comercialização presencial ou por meio de comércio eletrônico de saúde, higiene, alimentos e bebidas; os bancários de compensação, cartões de crédito e débito, caixas bancários e outros não presenciais de instituições financeiras.

O total de casos do Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, subiu de 904 para 1.128 nas últimas 24 horas, segundo balanço divulgado no sábado pelo Ministério da Saúde.

O número de mortes aumentou de 11 para 18. Os dados consideram informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde até as 16h.

2203-covid-19

Pressão

Em reportagem, a Veja diz, citando fontes do mercado, que a CVM seria um dos atores a pressionar a bolsa a interromper suas negociações diárias.

O texto da publicação afirma que, com a disseminação da enfermidade do coronavírus, “será difícil” que a B3 mantenha as negociações funcionando.

A publicação relembra que na China as principais bolsas de valores ficaram fechadas no início de fevereiro.

Tradicionalmente, durante o Ano-Novo Lunar chinês, os mercado ficam fechados, mas este ano ao invés de 7 foram 10 dias.

“O estado de calamidade pública declarado deve fazer com que a B3 ceda.

Governo e mercado

Autoridades do governo e diversas corretoras também endossam que a bolsa teria de ser interrompida, visando o bem da saúde de seus funcionários e do mercado acionário”, diz a reportagem.

Segundo um analista de mercado, não identificado, “há muitos traders com raiva”. “A bolsa deveria ser paralisada. Estamos falando de vidas”, afirmou à Veja um analista do mercado não identificado.

Ainda, de acordo com a Veja, a próxima semana deve ser decisiva para uma decisão.

Conforma a publicação, o presidente da B3, Gilson Finkelstain, terá encontros nos quais avaliará a situação. Tal decisão caberia exclusivamente à B3, acrescenta a Veja.

Assim como no Brasil, o texto da Veja afirma ainda que há debates também nos Estados Unidos.

Dessa forma, uma paralisação por 15 dias em Nova York levaria a B3 a seguir o caminho da New York Stock Exchange (Nyse).

Pânico

No dia 17 de março, a Coluna do Broadcast afirmou que agentes de mercado pedem o fechamento das Bolsas de Valores, para “esperar o pânico passar”.

De acordo com a nota, a ideia seria suspender não só as operações na B3, mas organizar uma operação conjunta de todas as Bolsas no mundo.

Dessa forma, seriam contidas as retiradas de recursos que estão afundando os índices globalmente.

Ainda conforme a coluna, o tema teria batido no alto escalão da B3. “No entanto, essa não é uma possibilidade aventada”, acrescentou.

“Nos bastidores, existe a possibilidade de reduzir horários, caso os mercados tenham dificuldades operacionais, o que não é uma realidade no momento”, escreveu.

“Uma parada total só ocorreria mesmo caso fosse decretado feriado bancário”, ressaltou.

De acordo com a nota do Broadcast, grande parte dos fundos de investimento foram pegos no contrapé e não tinham proteção contra uma virada do mercado.

“A queda de muitos fundos, que passaram o ano passado atraindo cotistas, já ultrapassa os 40%”, finalizou.

Ibovespa desaba em 30 dias

2203-ibov-19

S&P tem fortes perdas em um mês

2203-sp-30dias

Fonte: TradingView


Aproveite as oportunidades e aumente a rentabilidade dos seus investimentos.

Preencha seus dados abaixo e conte com especialistas para ajudar.

Se preferir, ligue direto para 4007-2374