Intenção de investimentos cai ao menor nível da série histórica

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Flickr

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta quinta-feira (9) o Indicador de Intenção de Investimentos, que recuou no segundo trimestre de 2020 para o menor nível da série histórica, iniciada em 2012.

O indicador, que mede o ímpeto de investimento entre as empresas e antecipa tendências econômicas, teve queda nos quatro setores pesquisados.

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A Indústria teve leitura de 56,3 pontos, ante 119,5 do trimestre anterior. O setor de Serviços foi de 117,1 para 58,4 pontos. Comércio, de 126 para 78,2. E Construção, de 107,7 para 64,6 pontos.

Esta foi a primeira vez em que o indicador de todos os setores ficou abaixo dos 100 pontos, nível em que a proporção de empresas prevendo aumento no volume de investimentos produtivos nos 12 meses seguintes é inferior a dos que projetam redução.

 

investimentos

Reprodução/FGV

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Reprodução/FGV

Coronavírus explica queda

“O indicador despencou no segundo trimestre, sob influência da pandemia de coronavírus”, explica Rodolpho Tobler, economista responsável pela pesquisa.

Houve melhora em todos os setores entre o final de 2019 e o início de 2020. Vale explicar que a pesquisa do primeiro trimestre foi finalizada antes das medidas de distanciamento social serem adotadas.

“É difícil imaginar um cenário de recuperação completa no curto ou médio prazo. Isto considerando o patamar historicamente baixo e a elevada e persistente incerteza no país”, diz Tobler.

Incerteza quanto aos investimentos

As empresas também foram consultadas sobre o grau de certeza quanto à execução do plano de investimentos nos 12 meses seguintes.

A proporção de empresas incertas quanto à execução do plano de investimentos foi recorde na indústria e em serviços (49,5% e 66,5%, respectivamente). Comércio e construção registraram proporções de 41,1% e 65,9%. O resultado ficou abaixo do máximo histórico observado no segundo trimestre de 2016. A alta, em relação ao trimestre anterior, da proporção de empresas incertas em relação ao investimento neste trimestre foi recorde em todos os setores.