Insper afirma que Brasil tomou medidas “tímidas” contra o coronavírus

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Insper

O Instituto de Ensino e Pesquisa Insper afirmou em nota publicada nessa terça-feira (31) que diversas nações têm criado pacotes de ajuda econômica para combater a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, o Covid-19. Levantamento exclusivo feito pelo instituto lista 166 medidas tributárias adotadas em 43 países.

“As ações de governos concentram-se sobretudo em tributos relacionados à renda e ao consumo, correspondendo, respectivamente, a 39,8% e 36,75% do total. Na Alemanha, por exemplo, ficou decidida a renúncia, até o fim deste ano, de medidas para fazer cumprir o pagamento de tributos vencidos. Já a Coreia do Sul optou por isentar pequenas empresas do pagamento de IVA, além de conceder incentivos para quem trocar de carro mais cedo”, informou o Insper.

O levantamento foi realizado pelo Núcleo de Tributação do Centro de Regulação e Democracia do Insper e ainda aponta que 9% referem-se à folha de salários, 1,8% ao patrimônio e 1,2% a impostos aduaneiros.

Adiamento do pagamento de tributo

“Quando analisado o tipo da medida, metade delas refere-se à postergação do pagamento de tributo”, diz o texto. “Peru e Polônia estenderam em um mês o prazo para quitação de imposto de renda. No Reino Unido, por sua vez, existe a possibilidade de prorrogá-lo por seis meses”.

Ainda sobre a natureza das ações, redução de carga tributária também tem importante peso nas medidas adotadas pelos países, com 15,7%. É caminho seguido pela Noruega, que diminuiu temporariamente de 12% para 7% a alíquota do imposto aplicado a cinemas, transporte público, serviços de acomodação em hotel, museus e parques de diversão.

Entre os locais analisados também estão, entrou outros, Bélgica, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Itália, Japão, Portugal, Suécia e Suíça.

É o Estado financiando os contribuintes.

Brasil com medidas tímidas

Entre os emergentes, a resposta brasileira é a mais tímida na área tributária.

No Brasil, o governo federal suspendeu por três meses o pagamento do Simples e cortou à metade a contribuição que as empresas pagam para o Sistema S. Essa última, por sinal, era um desejo da equipe econômica desde o início do governo Bolsonaro, mas só agora, com a crise, tornou-se prática.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Segundo Breno Ferreira Vasconcelos, do Insper, um dos autores do mapeamento, disse ao jornal O Estado de S. Paulo, países emergentes, como Chile, Irã, Indonésia, Peru e Tailândia também adotaram medidas tributárias: “o Chile adotou medidas muito mais efetivas do que o Brasil e suspendeu pagamentos provisórios de IR até 30 de junho”.

“O que percebemos é que existem respostas bem claras do ponto de vista tributário que estão sendo dadas especialmente preocupados em dar alívios de caixa olhando especialmente de PJ e PF”, completa.

Para o pesquisador, “a mais urgente e eficiente medida neste momento é a suspensão do pagamento da contribuição da folha. O Brasil tributa, em média, 42,8% da folha de salários, sem contar o FGTS”.

Na sua avaliação, o Brasil adotou medidas insuficientes e fatalmente acabará tendo que ampliá-las.

Com informações do Estado de S. Paulo.

LEIA MAIS
Como serão as novas regras de redução do salário e suspensão do emprego

IPC-C1: inflação é mais alta para famílias de baixa renda