Reino Unido: economia demorará dois anos para voltar ao patamar pré-pandemia

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Boris Johnson Foto: Reprodução/Vídeo

O Reino Unido deve demorar pelo menos dois anos para voltar aos níveis pré-pandemia.

É o que revelou uma pesquisa da Reuters com economistas, isso se o Banco da Inglaterra usar taxas de juros negativas para impulsionar a recuperação.

Foram mais de 41 mil mortos até aqui na Inglaterra.

É o maior número de mortes com o novo coronavírus na Europa.

Muito em virtude da demora do governo de Boris Johnson em enfrentar a pandemia.

Até ele mesmo se infectar e ficar em estado grave em um hospital, Johnson era tão negacionista quanto Donald Trump, o parceiro norte-americano, e Jair Bolsonaro, o presidente brasileiro.

Depois, passou a levar a sério o problema.

Entretanto, analistas dizem que pode ter sido tarde demais, não só para as milhares de vítimas, mas para a economia.

Pandemia foi pior no Reino Unido

No último trimestre, quando restrições para conter a disseminação do vírus estava no auge, a economia encolheu 20,4%.

Um recorde.

Mas, depois da flexibilização, esperava-se uma expansão de 15,1% neste trimestre.

“A gravidade da recessão foi principalmente um subproduto do longo bloqueio no Reino Unido, necessário devido à atitude laissez-faire do governo nos primeiros dias da pandemia”, disse à Reuters Samuel Tombs da Pantheon Macroeconomics.

Isso fez com que o vírus tenha se espalhado mais amplamente do que em outros países, afirmou Tombs.

Gasto recorde

No início deste mês, o Banco da Inglaterra disse que a economia não iria se recuperar ao nível pré-pandêmico até o final de 2021.

Entretanto, 20 dos 23 economistas consultados disseram que levaria pelo menos dois anos. Apenas três disseram em até dois anos.

Depois de cair 9,7% neste ano – mais do que a maioria de seus pares e mais do que a previsão de 9,1% feita no mês passado – a economia crescerá 6,2% em 2021.

Essa era a previsão de quase 70 economistas. Na pior das hipóteses, vai contrair 14,2% neste ano.

“Ao contrário do economista-chefe do Banco da Inglaterra, Andy Haldane, que pensa que agora é hora de ver o copo econômico como ‘meio cheio’, os resultados recentes de dados nos tornaram mais pessimistas sobre o impacto econômico duradouro”, disse Elizabeth Martins, do HSBC.

Para incentivar a economia, o governo aumentou os gastos de forma recorde.

O principal foi o pagamento de 80% dos salários se os funcionários estivessem de licença em vez de demitidos.

Tudo para manter os empregos.

Desemprego

O problema é que esse pacote deve terminar no final de outubro.

Todos os entrevistados pela Reuters disseram que o risco de o mercado de trabalho piorar significativamente é alto ou muito alto.

“O desemprego já está se acumulando e a partir de outubro vai piorar”, disse Peter Dixon, do Commerzbank.

A crise econômica levou as empresas a cortar milhares de empregos.

Embora a taxa de desemprego tenha se mantido inesperadamente em 3,9% em junho, ela atingiu um pico de 8,0% no trimestre.

Banco da Inglaterra e as taxas de juros negativas

Por sua vez, o Banco da Inglaterra reduziu os custos dos empréstimos para 0,10% e reiniciou compras de ativos.

O Banco da Inglaterra disse que as taxas de juros negativas, usadas pelo Banco Central Europeu e pelo Banco do Japão, faziam parte da caixa de ferramentas da instituição.

Contudo, não tem planos de usá-las por enquanto.

Espera-se que a taxa dos bancos permaneça em 0,10% pelo menos até 2023.

Quando questionados sobre as taxas de juros negativas, os economistas consultados pela Reuters deram apenas uma probabilidade de 22,5%.

Apenas dois economistas entrevistados tinham taxas abaixo de zero como cenário base em algum lugar no horizonte.

Enquanto isso, a Grã-Bretanha enfrenta a tarefa adicional de tentar chegar a um acordo comercial com a União Europeia.

O período de transição após sua saída do bloco termine no final deste ano está se ecenrrando.

As pesquisas da Reuters previram consistentemente que os dois lados concordariam em um acordo.

A última pesquisa deu apenas 30% de chance de que nenhum acordo seria alcançado antes do fim do período de transição.

“A economia do Reino Unido enfrenta uma série de riscos neste inverno, decorrentes de restrições possivelmente renovadas relacionadas ao Covid-19, um Brexit economicamente difícil e uma fraqueza significativa do mercado de trabalho”, disse Stefan Koopman, do Rabobank.