Influencers de finanças aumentam popularidade com crise do coronavírus

Rebeca Torres
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Crédito: montagem/Divulgação

O confinamento social imposto pela epidemia do coronavírus, além da preocupação extra de como manter as contas em dia – e o próprio emprego ou negócio -, até o fim da quarentena, exigiu adaptações.

E fez alavancar o trabalho de uma categoria cada vez mais ativa na orientação financeira: a dos digitais influencers de finanças pessoais, de acordo com o portal E-Investidor do jornal o Estado de S. Paulo.

Para entender um pouco mais de como funciona essa nova categoria, o portal Eu Quero Investir entrevistou dois digitais influencers: Juliana Rocha, de Parelheiros, bairro da zona sul de São Paulo, do canal do YouTube Juuh Rocha, e Cleiton Vicente de SP, do site Finanças.VC.

Finanças pessoais: no YouTube, redes sociais e site

Juliana Rocha conta como surgiu a ideia: “sempre tive paixão por falar e ensinar as pessoas, e descobri na internet assuntos e blogs relacionados à finanças pessoais. Foi aí que pensei em trabalhar nesse nicho. Na minha região (Zona Sul de SP) é pouco falado. Amo me comunicar e encontrei no YouTube uma forma de levar informação adiante”.

Cleiton Vicente lembra: “Bem antes do meu MBA em Finanças, meus amigos e familiares sempre me procuraram para auxiliar a resolver problemas financeiros ou dicas para começar a investir. Acabei sendo referência para essas pessoas, porque tenho boa relação com finanças desde criança.”

Ele acrescenta: “Em 2017, me dei conta que poderia auxiliar as pessoas fazendo consultoria financeira para quem pode investir em algo personalizado. Preparei e divulguei conteúdos gratuitos aos que precisavam se livrar das dívidas, poupar e investir sem a necessidade de um profissional”.

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Pandemia afeta rotina do Youtuber de finanças

“Como estou cumprindo o isolamento social, trabalho muito mais. Sempre produzo vídeos e posts no meu Instagram, além de trabalhar oferecendo consultorias financeiras gratuitas neste momento crítico no país”, pontuou Juliana.

Cleiton revela: “ A pandemia favorece a geração de conteúdo como um todo, não apenas os vídeos, mas também os artigos e posts em redes sociais já que as pessoas estão precisando de informação, orientação e de soluções criativas para passar por tudo isso.”

“Quem está um pouco mais confortável investe, assim como os que têm reserva de emergência. Quem utiliza a volatilidade dos investimentos em renda variável ou os que já não estavam tão confortáveis (com reserva e quem terá a renda comprometida) ficaram muito preocupados”, explica.

“Então, não tem uma pessoa que nos acompanha que não esteja precisando de conteúdos sobre finanças alinhados com a crise do coronavírus”.

Quais os principais desafios da pandemia?

Juliana revela: “Não poder sair na rua e ver meus amigos e familiares é angustiante. Mas, como trabalho muito com a internet, não tive problemas em relação ao meu trabalho com finanças”.

Cleiton reforça que o trabalho aumentou, mas pondera: “Estou com falta de tempo. Quem nos acompanha de forma gratuita ou personalizada está pedindo socorro. Não está sendo fácil lidar com a saúde mental das pessoas em um momento delicado. Todos ficam mais ansiosos, estressados e tristes”.

Há outro ponto: “Existe o medo de ficarem doentes e do isolamento. Isso acaba afetando o lado emocional. As pessoas acabam transferindo para as finanças essas aflições, gastando desnecessariamente em sites e apps ou se alimentando de forma desregulada, bebendo muito ou tomando remédios”.

Dicas para quem pretende entrar nessa área

Juliana é direta: “Nessa área a prioridade é sempre o outro. É preciso estar disposto a passar informações verídicas, pesquisar e estudar todos os dias, com grande amor pela área. Mas você nunca vai saber de tudo. Melhor aprender a ouvir os outros. Cada dia que passa é um novo dia de aprendizado”.

E a premissa de Cleiton é: “Ter paixão em servir, pois você acaba tendo uma relação muito próxima com as pessoas que você passa a ajudar. A responsabilidade é grande, as pessoas passam a enxergar a vida financeira delas melhor através de você. Estudar muito é vital”

Ele completa: “Quem entra nessa terá que estudar o rico universo das finanças o resto da vida. Não ache que basta tirar certificações de Planejamento Financeiro e de Investimentos. Você terá que estudar também tudo que as finanças impacta na vida das finanças. O segredo é entender muito da relação que se tem com o dinheiro”.

”Ser autêntico e diferente, tem muita gente fazendo a mesma coisa. Ninguém aguenta mais coisas como ‘1000 formas de economizar’ ou ‘as ações que vão te deixar rico’. As pessoas já entenderam que em finanças o que vale é o processo. Seja transparente que o sucesso demora, mas vem”, finalizou ele.

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