IPCA: inflação de agosto fica em 0,24%, dentro das projeções do mercado

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flicker

O Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do país, ficou em 0,24%, ante 0,36% de julho. A projeção do mercado era por leitura pouco inferior, de 0,23%.

Em junho, o avanço foi de 0,26%. Maio e abril foram meses de deflação.

No ano, o indicador acumula alta de 0,70% e, em 12 meses, de 2,44%. A meta do governo para o ano é de inflação de 4%.

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou o IPCA nesta quarta-feira (9), o avanço de agosto é o mais alto para este mês desde 2016.

IPCA

Reprodução/IBGE

Gasolina e alimentos puxam alta

Os itens que mais pesaram no resultado do IPCA foram a gasolina, que subiu pelo terceiro mês seguido, e os alimentos, que chegaram a registrar certa estabilidade de preços em julho, mas voltaram a subir em agosto.

O IPCA mede a variação de preços nos produtos de consumo de famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos.

“O item de maior peso (4,67% do total) no IPCA é a gasolina (3,22%), que fez com que os Transportes (0,82%) apresentassem o maior impacto positivo no índice de agosto. E a segunda maior contribuição veio do grupo Alimentação e bebidas (0,78%)”, explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.

INPC: impacto é maior na renda mais baixa

Para as famílias de menor renda, o impacto da inflação é maior: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se refere às famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos, teve alta de 0,36% em agosto, sendo o maior resultado para o mês desde 2012 (0,45%). No ano, o INPC acumula alta de 1,16% e, nos últimos doze meses, de 2,94%.

Neste índice, os produtos alimentícios tem peso maior (20,05% do IPCA contra 22,82% do INPC). Por isso, a alta de 0,80% de agosto pesa mais neste grupo.

IPCA: arroz tem alta de 19,25% no ano; feijão, de 30%

Os alimentos para consumo no domicílio tiveram alta de 1,15% em agosto no IPCA. Os principais itens que influenciaram essa elevação foram o tomate (12,98%), o óleo de soja (9,48%), o leite longa vida (4,84%), as frutas (3,37%) e as carnes (3,33%).

“O arroz (3,08% em agosto) acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, destaca Kislanov, explicando que, apesar das altas do mês serem inferiores às de outros alimentos, estes dois itens impactam mais por serem mais consumidos pelos brasileiros.

Por outro lado, a alimentação fora do domicílio (-0,11%) segue em queda, embora menos intensa que a do mês anterior (-0,29%).

Vestuário e educação têm queda; habitação, alta

Entre os grupos que apresentaram queda nos preços, destaque para a Educação, que recuou 3,47%. Isto se deve aos descontos oferecidos pelas instituições de ensino devido à suspensão das aulas presenciais durante a pandemia.

O grupo Vestuário teve queda de 0,78%, ante 0,5 de julho.

Habitação registrou alta de 0,36%. Os maiores impactos vieram do aluguel residencial (0,32%) e da energia elétrica (0,27%).

IPCA: cinco regiões apresentaram deflação

Cinco das 16 regiões pesquisadas apresentaram deflação em agosto. O menor índice ficou com o município de Aracaju (-0,30%). Com destaque para a queda no custo dos cursos regulares (-7,27%). Os demais locais com IPCA no campo negativo foram Fortaleza (-0,23%) e Rio de Janeiro (-0,13%). Também Belém (0,04%) e Vitória (0,03%).

Na outra ponta, o maior resultado positivo foi observado no município de Campo Grande (1,04%). Com destaque para a alta de itens alimentícios, como as carnes (6,28%) e as frutas (9,54%).

Outros sete locais ficaram acima da média nacional (0,24%). Foram eles: Goiânia (0,66%), Brasília (0,58%), Rio Branco (0,54%). Ainda Recife (0,46%), São Luiz (0,38%). E Porto Alegre (0,33%) e São Paulo (0,31%).