Inflação nos EUA: por que ela preocupa o mundo todo?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

A inflação dos EUA em agosto veio abaixo das expectativas do mercado. No entanto, apesar de ter perdido força no mês passado, a alta acumulada é de 5,3% nos últimos 12 meses, e a expectativa é de que ela permaneça elevada, pelo menos por boa parte de 2022.

De acordo com declarações de um funcionário da Casa Branca à Reuters na terça, 14 de setembro, a recuperação econômica pós Covid-19 ainda pode trazer surpresas. No entanto, até o momento a trajetória é positiva.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

“Estamos em uma recuperação sem precedentes, por isso ainda haverá altos e baixos”, declarou o funcionário. “Porém, o que tem sido por todos, desde o Fed e analistas do setor privado é que a inflação é transitória. Ou seja, irá durar enquanto nos recuperamos da pandemia.”

Entretanto, mesmo sendo considerada transitória, a alta dos preços preocupa a Casa Branca e o Departamento do Tesouro. Nesse sentido, o aumento do custo dos aluguéis é um dos principais pontos de alerta. Isso porque a alta pode influenciar fortemente a inflação geral, causando um “efeito cascata” nos preços.

Por que a inflação nos EUA preocupa tanto o resto do mundo?

Uma das principais medidas adotadas pelos governos para conter a inflação é o aumento da taxa de juros.

Por aqui, desde março de 2021, temos acompanhado sucessivas altas da Selic a cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). E, de acordo com analistas, a perspectiva é de a taxa básica de juros permaneça em ascensão. Nesse sentido, há quem aposte em patamares da Selic próximos a 10% até o final de 2021.

Nos EUA, esse processo não é diferente. Inclusive, com a proximidade do tapering, ou seja, do fim dos estímulos financeiros no país, o mercado teme um reflexo inflacionário.

E os juros nos Estados Unidos aumentarão de fato?

No final de agosto, o presidente do Fed, Jerome Powell afirmou que, apesar do tapering, os juros serão mantidos nos atuais patamares.

Segundo Powell, “o fim dos estímulos é uma coisa; o aumento dos juros nos EUA é outra”. A declaração animou os mercados, que já estavam preocupados com a alta dos juros norte-americanos.

No entanto, apesar da intenção do Fed, não há nenhuma garantia de que o país consiga controlar a inflação após o fim dos estímulos. Logo, se os preços continuarem subindo, o aumento dos juros pode sim se tornar uma realidade nos EUA.

De acordo com Elias Wiggers, assessor de investimentos e sócio daEQI Investimentos, é importante prestar atenção na evolução dos juros norte-americanos depois da retirada dos estímulos financeiros.

Para Elias, “com juros externos altos, veremos dinheiro migrando para países com melhores fundamentos econômicos”. Isso poderá depreciar ainda mais o real e pressionar a inflação, que já tem perspectiva de alta para os próximos tempos.

Por fim, Wiggers manifesta preocupação com a possibilidade de uma “tempestade perfeita” depois do tapering. “Se isso acontecer, o cenário poderá ficar preocupante para a economia e para o mercado financeiro brasileiro”.

Quer saber mais sobre investimentos e sobre o mercado financeiro? Então, preencha o formulário para que um assessor da EQI Investimentos possa entrar em contato com você em breve!

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo