Inflação: expectativa do consumidor sobe; IPC-S recua nas capitais

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/FGV

Enquanto o consumidor tem a impressão de que a inflação aumentou, ela, na verdade está recuando. É o que apontam duas pesquisas divulgadas nesta sexta-feira (24) pela Fundação Getulio Vargas.

Como houve um primeiro movimento de corrida aos supermercados para abastecer as casas para o isolamento social, a expectativa de inflação dos consumidores brasileiros para os próximos 12 meses subiu 0,3 ponto percentual em abril.

É o que aponta o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores, que chegou a 5,1%. Este é o maior valor desde julho de 2019 (5,3%). Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve redução de 0,2 ponto percentual.

Corrida aos supermercados dá falsa sensação de inflação

“A antecipação de compras para formação de estoques a partir da segunda quinzena de março, quando muitas grandes cidades iniciaram medidas de isolamento social, pressionou os preços de alimentos. Os consumidores, então, jogaram para cima suas expectativas de inflação”, avalia Viviane Seda Bittencourt (foto), coordenadora da pesquisa.

No entanto, ela indica que o resultado deve ser passageiro. “Considerando que o nível de atividade continuará muito fraco por um tempo, ele deve manter a inflação baixa também”, diz.

Analisando a frequência da inflação prevista por faixas de respostas, 45,6% dos consumidores projetaram valores abaixo da meta de inflação (4,0%) em abril, a menor parcela dos últimos seis meses.

Por outro lado, a proporção de consumidores projetando acima do limite superior da meta de inflação (acima de 5,5%) para 2020 aumentou de 30,4% para 35,9%, a maior parcela nos últimos seis meses.

Na análise por faixas de renda, todas as famílias, principalmente as de menor poder aquisitivo, aumentaram suas expectativas medianas para a inflação nos 12 meses seguintes.

Para as famílias com renda até R$ 2,1 mil houve aumento de 5,9% para 6,2%. Para as famílias com renda entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, as expectativas subiram de 5% para 5,6%.

Quanto às famílias de renda acima de R$ 9,6 mil, suas expectativas cresceram 0,1% após sete meses no mínimo valor histórico (4%).

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IPC-S recua em todas as capitais pesquisadas

O recuo na inflação foi apontado pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Ele variou 0,07% na terceira quadrissemana de abril.

Ele ficou 0,27 ponto percentual abaixo do registrado na semana passada (0,38%).

Sete das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo na variação semanal.

A maior contribuição veio do grupo Transportes, que foi de -0,97% para -1,57%. Destaque para a variação do item gasolina, que passou de -3,68% para -5,29%.

Todas as sete capitais pesquisadas registraram decréscimo em suas taxas de variação.

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