Inflação em alta? Veja os investimentos que acompanham o indicador

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Pixabay

Em um passado não tão distante, o Brasil viveu momentos de grande dificuldade. O dinheiro recebido a título de salário na parte da manhã já não comprava mais a mesma quantidade de itens pela tarde. Era a época da hiper inflação. Felizmente esse período passou com o ajuste fiscal promovido pelo plano Real.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Para fixar ainda mais o conceito desse mal que assolou nosso país, trouxemos este artigo para você. Nele, você entenderá qual é a relação entre a inflação e as aplicações financeiras. Você verá que existem investimentos que são capazes de promover proteção contra o aumento de preços. Após a leitura, bastará que você escolha o seu. 

Afinal de contas, o que é inflação?

Se compararmos os níveis de preços praticados 10 anos atrás com os preços de hoje sobre um determinado item, constataremos que seu valor era bem menor. A essa escalada de preços damos o nome de inflação, que nada mais é do que uma espécie de correção no poder de compra que o dinheiro tem.

No Brasil, o índice oficial para medir a inflação é o IPCA, sigla de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Seu cálculo e divulgação são feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ― IBGE ― e considera a composição de itens de consumo básico da população, como vestuário, alimentos, transporte, saúde, entre outros.

Como a inflação afeta os investimentos?

Devido o fato que a inflação corrói o poder de compra do dinheiro, ela sempre deve ser considerada no cálculo do retorno sobre um investimento. Caso apenas a rentabilidade nominal seja levada em consideração, o resultado pode não ser o que de fato acontece.

Para contornar esse problema, todo investidor deve atentar para a rentabilidade real. Trata-se do ganho auferido com um investimento após descontada a inflação. Isso é necessário porque dependendo do nível do aumento de preços em um dado ano, algumas aplicações podem se mostrar até mesmo prejudiciais ao capital (mesmo sendo de renda fixa). 

Portanto, para garantir que o retorno de uma aplicação foi satisfatório, é necessário proceder ao desconto inflacionário do período. Dessa forma pode-se chegar à relação risco-retorno adequada.

Quais são as aplicações financeiras atreladas à inflação?

Acompanhe a seguir os principais investimentos que tem como referência a taxa inflacionária do país.

Tesouro IPCA+

Esse investimento se trata de um dos títulos negociados na plataforma do Tesouro Direto. Ele é composto por duas parcelas de rendimento, na qual uma é fixa e a outra é variável. É justamente essa última parte que garante um retorno real sobre o capital investido.

Isso é possível porque a taxa paga sob a forma de remuneração fixa ocorre acima da inflação (que é a remuneração variável). Sendo assim, não importa qual será a variação da inflação, o detentor desse título terá o ganho real acordado na data de aquisição do título.

No tempo de escrita deste artigo, uma das opções disponíveis na plataforma de títulos do Governo Federal é o Tesouro IPCA+ 2035. Sua remuneração é composta pelo IPCA + 4,17%, indicando que quem comprar esse título fará jus ao recebimento de 4,17% acima da inflação. Se a inflação no período for de 10%, o dono do título receberá 14,17% de juros.

Debêntures

Diferentemente dos títulos do Tesouro Direto, as debêntures fazem parte das opções disponíveis no mercado de títulos privados. A razão disso é que se tratam de papéis emitidos por companhias privadas. No entanto, não são todas as debêntures que são atreladas à inflação. Por isso, é necessário fazer uma pesquisa por tal título.

Além disso, é preciso estar atento ao risco do emissor. Como o papel é proveniente de uma empresa privada, o risco de pagamento é intrínseco àquela organização. Assim, devem ser avaliadas várias características da companhia, como caixa disponível, solvência e capacidade de pagamento.

Fundos de inflação

Em contrapartida aos investimentos mencionados anteriormente, existe a opção de fazer investimentos atrelados à inflação usando a alternativa via fundos. São os fundos de inflação, nos quais a gestão é delegada a um terceiro: o gestor profissional. É ele que fica responsável por fazer a escolha dos títulos que comporão a carteira do fundo.

Em geral, fundos desse tipo são atrelados a algum índice e buscam superá-los. No caso de um fundo de inflação, geralmente o indexador é o IMA-B ou IMA-B-5. Sendo assim, o investidor não precisa se preocupar com a gestão de seu recurso e, ainda de quebra, ganha mais liquidez em sua aplicação ao poder solicitar o resgate sem ter que esperar a data de vencimento de um título.

ETFs

Outra opção bastante interessante são os ETFs indexados à inflação. Esses fundos negociados na bolsa replicam o desempenho de alguns índices que acompanham o rendimento de vários títulos que são ligados à inflação.

Uma grande vantagem desse modo de investimento é a carga tributária. Independente do tempo de aplicação, a alíquota de imposto incidente sobre os ganhos é fixa em 15%. No entanto, quem desejar investir via ETF precisa estar atento a liquidez, pois esse ativo ainda não é tão popular no mercado brasileiro.

Para aplicar, você precisa estar cadastrado em uma corretora e adquirir a cota do fundo via home broker.

Títulos privados

Existem ainda opções de aplicações atreladas à inflação junto as instituições financeiras. Alguns tipos de letra de crédito têm a sua rentabilidade indexadas ao avanço dos preços. Logo, podem servir de proteção contra a inflação.

Como exemplo, podemos citar as letras de crédito imobiliário e do agronegócio. No momento da aquisição do título, devem ser observados fatores como o risco de crédito da instituição emissora e o prazo de vencimento. Para auferir todo o rendimento, é necessário que o investidor mantenha a sua aplicação até a data final do título.

Fazer investimentos sem considerar a ação da inflação é no mínimo imprudente. Se olharmos para o rendimento da poupança atualmente, por exemplo, veremos que é possível perder dinheiro com essa escolha. Uma forma de evitar isso é investindo em títulos que são atrelados à inflação. Essa é uma forma muito inteligente de auferir ganhos reais, que são aqueles que superam a inflação e ainda trazem retorno ao investidor.

(Por Ronaldo Araújo)