Azul (AZUL4), IGP-10 e produção industrial dos EUA agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

Apesar da agenda desta semana reservar menos indicadores, ela inclui dados e anúncios importantes.

É o caso da divulgação do IGP-10 de outubro, índice que pode dar mais algumas informações a respeito deste período de pressão inflacionária.

O IGP-M, em prévia semanal, deve reforçar essa tendência. Pelo que se está vendo em anúncios de outros índices, existe a possibilidade de revelar mais uma tendência de alta.

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No setor corporativo, a safra de balanços terá mais alguns resultados trimestrais. Entre elas estão gigantes como a Azul (AZUL4), e empresas de peso que vão da Qualicorp (QUAL3) à International Meal Company (IMC, MEAL3), passando pela Notredame Intermédica (GNDI3).

A agenda externa tem como destaque indicadores americanos, a exemplo da produção industrial.

Os EUA continuam em período de alta de casos de Covid-19, com média de 100 mil casos diários.

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Dez dias após a definição da vitória do democrata Joe Biden, o país segue com o horizonte incerto entre a falta de acordo para um pacote de estímulo e os riscos de desaceleração econômica.

A Europa passa por situação semelhante, ainda sob fase de lockdowns nas principais capitais para tentar conter a segunda onda do surto do coronavírus.

O mundo teve notícias alentadoras sobre desenvolvimento de vacinas na semana anterior, como a da Pfizer. Mas nenhuma, como se sabe, com aprovação de agências reguladoras.

Bolsa após duas semanas de ganhos

As duas semanas anteriores foram promissoras, com ganhos e o patamar acima dos dos 100 mil pontos.

A euforia com a eleição de Biden, possibilidade de uma nova vacina e o otimismo em Nova York animaram investidores.

Mas algumas quedas diárias na semana anterior revelaram o temor geral, que inclui desde o crescimento de casos nos EUA e  Europa até a interrupção da retomada econômica.

O Ibovespa se recuperou na última sexta-feira (13) de dois dias de baixas e fechou com alta de 2,16%, aos 104.723,00 pontos. Assim, a semana encerrou com alta de 3,76%.

São Paulo repercute algum otimismo de Wall Street sobre noticiário de laboratórios com relação às vacinas.

Perdas e ganhos

Só que o cenário segue nesta semana tende a mudar, e ficar ameaçador com a maioria dos estados americanos passando por um período de avanço constante de Covid-19.

Falas do ministro da Economia, Paulo Guedes,  pautaram a bolsa. Ele voltou a defender o controle das contas públicas, por meio do teto de gastos. “Não vamos aumentar impostos, então precisamos do controle de gastos”, disse.

Mas o ministro também afirmou que o governo pode ter problemas nessa área ao sinalizar com a volta do auxílio emergencial — desmentido depois pelo Palácio do Planalto.

A questão do orçamento do governo, travada até as eleições municipais, pode ser discutida apenas em 2021, ainda que o Congresso pretenda correr com as discussões ainda este anos.

Contudo, a agenda das reformas, incluindo a tributária, continua parado, sem perspectivas.

Não aumentar impostos e defender o teto de gastos é tudo que os investidores parecem querer ouvir hoje.

Na mínima desta sexta, o Ibovespa ficou em 102.508,77 pontos (+0,001%); e na máxima foi a 104.707,32 pontos (+2,15%).

O mês de novembro tem ganhos acumulados de 11,46%. No ano, as perdas acumuladas estão em 9,44%.

O dólar fechou a sexta quase estável, com leve queda. A moeda norte-americana caiu 0,05%, e fechou a semana com alta de 1,54%.

Governo otimista

O Brasil está oficialmente saindo da recessão, segundo Paulo Guedes afirmou na semana anterior..

Guedes mencionou que as contaminações por coronavírus estão em queda e a vacina está a caminho.

O país passa de 5,8 milhões de casos confirmados e mais de 165 mil mortos. A tendência em muitos estados é de alta.

Mesmo assim, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) cresceu 1,1 ponto frente a outubro e atingiu 62,9 pontos em novembro.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada hoje, a confiança está cada vez mais intensa e disseminada no setor industrial.

Dados de novembro confirmam que a atividade se estabilizou em um nível ainda abaixo do patamar pré-crise, e a expectativa é de uma recuperação mais lenta.

A equipe econômica diz que prepara a “linha de ataque” pela retomada na agenda no Congresso Nacional. Investidores estarão de olho.

Mercados globais

Após a eleição nos EUA, o noticiário destacou casos de Covid-19 em alta e a esperança por vacinas.

O mercado sabe que a crise é mais grave do que seis meses atrás, mas compreende que humanidade está muito mais próxima agora de uma vacina do que antes. E é nisso que eles se apegam.

Por esse motivo ações mais afetadas pelo “fique em casa” seguem com força para subir e rivalizar o dinheiro dos investidores com as Big Techs, ainda estrelas da pandemia.

Assim os índices se mantêm no positivo.

O Dow Jones avançou 1,37%. O S&P 500 ganhou 1,36%. E o Nasdaq Composite teve alta de 1,02%.

Os mercados europeus ainda podem comemorar uma semana de ganhos robustos, embora menores do que na anterior.

A bolsas da China fecharam todas no negativo nesta sexta. O Nikkei japonês perdeu 0,53% hoje e ganhou 4,36% na semana. E o KOSPI sul-coreano subiu 0,74% hoje e 3,20% na semana.

Inflação: IGP-10

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga nesta segunda (16) o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), leitura de novembro.

Em outubro o índice variou 3,20%. No mês anterior, o índice havia apresentado taxa de 4,34%.

Poderia ter sido uma notícia alentadora sobre a elevação inflacionária. Mas o IGP-10 acumula alta de 17,63% no ano e de 19,85% em 12 meses.

Em outubro de 2019, o índice apontou +0,77% no mês e acumulava elevação de 2,97% em 12 meses.

A queda do indicador de setembro para outubro foi puxada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA).

Houve queda de 5,99% em setembro para 4,06% em outubro. No IPA, os preços dos Bens Finais variaram de 2,56% para 2,66% neste mês. Por outro lado, os Bens Intermediários caíram de 3,63% para 3,40%.

Além disso, o subgrupo de Matérias-Primas Brutas passou de 11,17% em setembro para 5,77%

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,98% em outubro. No mês anterior, o indicador havia apresentado taxa de 0,46%.

Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,51% em outubro, ante 0,80% em setembro.

Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de setembro para outubro: Materiais e Equipamentos (2,03% para 3,83%), Serviços (0,01% para 0,39%) e Mão de Obra (0,08% para 0,07%).

Além disso, a desaceleração do IGP não foi maior devido à elevação de dois outros índices componentes: IPC e INCC. O primeiro, pressionado por gêneros alimentícios (1,37% para 2,81%) e passagens aéreas (6,97% para 54,11%). Já o segundo, por materiais e equipamentos para a construção (2,03% para 3,83%).

IGP-M

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta o aluguel, terá divulgação semanal mês anunciada na terça (17).

Apesar de ter apresentado desaceleração em outubro — ficou em 3,23%, ante 4,34% do mês anterior –, há tendência de alta revelada nas últimas semanas

Com o resultado de outubro, o índice acumula alta de 18,10% no ano e de 20,93% em 12 meses.

Comparativamente, em outubro de 2019 o índice havia subido 0,68% e acumulava alta de 3,15% em 12 meses.

Segundo André Braz, coordenador da pesquisa, o IGP-M foi influenciado pela trégua oferecida pelo minério de ferro, que contribuiu para a desaceleração da taxa do Índice de Preços ao Produtor Amplo (5,92% para 4,15%).

A variação do preço da commodity passou de 10,81% para queda de 0,71%, movimento que favoreceu o recuo da taxa do grupo matérias-primas brutas (10,23% para 5,55%).

Os demais índices componentes do IGP-M, permaneceram em aceleração. O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,77%, ante 0,64% em setembro, alta influenciada pelo grupo alimentação (1,30% para 1,90%).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (1,15% para 1,69%) subiu graças à aceleração do grupo materiais e equipamentos, cuja taxa passou de 2,97% para 4,12%.

AZUL (AZUL4)

A safra de resultados no terceiro trimestre está chegando ao fim. Entre as companhias que faltam divulgar seu desempenho no período, a Azul é destaque aguardado por investidores.

A aérea apresenta seus números nesta segunda (16).

Como outras empresa do setor, a Azul teve dificuldades em ano de pandemia e baixa global no turismo.

A Azul (AZUL4) é a terceira maior empresa do setor de aviação brasileiro. Antes da pandemia, sua receita líquida crescia, em média, 20% ao ano.

A crise de 2020 fez com que, em março, suas ações atingissem a mínima histórica desde o IPO, em 2017. Entretanto, a retomada de 65% da sua malha até outubro mostra que a recuperação do setor aéreo já está acontecendo.

Cenário atual da Azul

Assim como todo o setor de aviação, a Azul também sentiu os efeitos desastrosos da pandemia. Nesse sentido, a companhia viu a sua receita cair 85% no segundo trimestre de 2020, e amargou um prejuízo de R$ 2,9 bilhões no período.

No entanto, mesmo no cenário adverso, a companhia deu continuidade aos planos de investimentos. Em maio desse ano, a Azul concluiu a compra da TwoFlex Táxi Aéreo, que possui aeronaves para até 9 passageiros.

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No segundo trimestre, a companhia  registrou um prejuízo líquido de R$ 2,936 bilhões, revertendo um lucro líquido de R$ 351,6 milhões em igual período do ano passado.

De acordo com a Azul, o resultado foi impactado pela queda brusca da demanda de viagens aéreas causada pela pandemia e pelas depreciação do real perante o dólar.

Desconsiderando ajustes cambiais, a Azul teve um prejuízo líquido ajustado de R$ 1,488 bilhão no período, ante lucro líquido ajustado de R$ 110,1 milhões no mesmo período do ano passado.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 1,887 bilhões, um crescimento de 39,6 vezes das perdas financeiras.

De acordo com a empresa, o desempenho foi puxado pela depreciação média de 37,5% do real e do aumento na dívida total relacionada com a adição líquida de 16 aeronaves em nossa frota durante os últimos 12 meses.

Os custos e despesas operacionais somaram R$ 1,221 bilhões, uma diminuição de 46,1%.

Conforme a Azul, a redução foi devida principalmente à queda nas despesas que variam de acordo com a capacidade, e às iniciativas de redução de custo.

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Recuperação

Outros sinais apontam para uma retomada.

Azul (AZUL4) reportou que, em 30 de setembro último, somou liquidez de R$ 2,3 bilhões, ante R$ 2,25 bilhões apurados no segundo trimestre. São números preliminares e não auditados, ressalva a empresa.

A Azul (AZUL4) informou, em 5 de novembro, os resultados preliminares do movimento de passageiros em outubro de 2020.

O tráfego de passageiros consolidado (RPKs) aumentou 41,0% em relação a setembro de 2020, ante um crescimento de 42,6% na capacidade (ASKs).

Isso resultou em uma taxa de ocupação de 79,3%.

“A recuperação da demanda doméstica no Brasil continua sendo uma das mais rápidas do mundo”, disse o disse John Rodgerson, CEO da Azul.

“São Paulo está na fase “verde” de seu plano de resposta à covid-19. Com a chegada do verão, estamos entrando nos meses de alta temporada para viagens nacionais”, acrescentou.

“Estamos vendo uma forte demanda por nossos voos domésticos e permanecemos fiéis à nossa estratégia de malha. Somos a única companhia aérea em mais de 70% das rotas que voamos”, disse o CEO.

“Nós estamos otimistas com a evolução da retomada nos próximos meses”, concluiu.

Qualicorp (QUAL3)

Outras empresas estão no radar do mercado nesta semana de divulgações de resultados.

Uma delas é a Qualicorp, que anuncia seus números na segunda (16), passou por uma período turbulento em julho.

O conselho de administração da Qualicorp (QUAL3) aprovou a criação de um comitê independente e com autonomia orçamentária para apurar os fatos que levaram à operação de busca e apreensão na sede da companhia em 21 de julho.

ação da Polícia Federal fez parte de investigações da Justiça Eleitoral de SP na Lava Jato sobre caixa 2 na eleição de 2014 do senador José Serra (PSDB), que teria recebido contribuições do fundador e ex-presidente da Qualicorp, José Seripieri Filho.

Reformulação

No comunicado ao mercado, a Qualicorp informa que os fatos que deram origem à operação são de 2014 e desde 12 novembro de 2019, quando a companhia realizou uma profunda reformulação da sua administração, José Seripieri Filho “não ocupa qualquer cargo na administração e não é um acionista relevante”.

Em fevereiro desse ano, a companhia comunicou que o empresário vendeu 20.438.765 ações ordinárias e reduziu sua participação na empresa de 9,9% para 2,75%.

Balanço do 2TRI

A Qualicorp (QUAL3) registrou um lucro líquido de R$ 126,7 milhões no segundo trimestre de 2020. As cifras são 21,5% superiores aos R$ 104,3 milhões do mesmo período de 2019.

No acumulado do semestre, a companhia registrou lucro de R$ 195,2 milhões, queda de 3% na comparação com o mesmo período de 2019.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 233,5 milhões no período. No segundo trimestre de 2019, o Ebitda da companhia foi de R$ 238 milhões.

De acordo com a Qualicorp, a ligeira queda no Ebitda se deve sobretudo à contração de receita e à maior amortização de comissões de vendas.

A margem Ebitda da Qualicorp atingiu 48,3% ante uma margem de 47,8% de um ano antes.

IMC (MEAL3)

A IMC divulga seu balanço na segunda (16).

A empresa reportou um prejuízo de R$ 382,8 milhões no segundo trimestre de 2020. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou lucro de R$ 0,7 milhão.

No acumulado do semestre anterior, a companhia registrou prejuízo de R$ 429 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado no Brasil, foi negativo em R$46,4 milhões no segundo trimestre deste ano. No mesmo período do ano anterior, foi positivo em R$ 17 milhões.

Segundo a companhia, os principais fatores para esse movimento estão relacionados à pandemia do Covid-19, em virtude da redução no horário de operação das lojas do Frango Assado e na queda no tráfego de veículos de passeio nas rodovias.

Além disso, sofreram impactos as lojas dos aeroportos em decorrência da redução no tráfego de voos, bem como as lojas localizadas em shoppings.

No semestre, as operações do Brasil apresentaram um Ebitda negativo de R$ 30,1 milhões, contra um positivo de R$ 41,6 milhões positivo no segundo semestre de 2019.

A IMC teve uma despesa financeira líquida de R$ 17,8 milhões segundo trimestre contra R$ 14,7 milhões no mesmo período de 2019.

Notredame Intermédica (GNDI3)

Já a Notredame, que vem divulgando aquisições nos últimos meses, anuncia se resultado na terça (17).

A companhia registrou um lucro líquido de R$ 223,4 milhões no segundo trimestre de 2020, desempenho 149,2% superior ao mesmo período de 2019.

O lucro líquido ajustado foi de R$ 303,9 milhões no trimestre, um crescimento de 132,4% na comparação com igual período de 2019.

De acordo com a empresa, o resultado reflete os contínuos esforços nos controles de custos e abaixa utilização da rede própria e credenciada devido ao impacto do Covid-19, além dos ganhos de sinergia e escala.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 29,2 milhões, uma redução de 20,1%.

As despesas gerais e administrativas somaram R$ 256,2 milhões, uma elevação de 35,5%.

Produção industrial dos EUA

Na agenda externa, vale ficar de olho em um indicador esperado na semana.

A produção industrial dos EUA sai na próxima quarta (17), em meio a sinais de indefinição sobre a recuperação da economia e alertas do Federal Reserve sobre o cenário de retomada.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta sexta-feira (4), segundo o site CNBC, que a economia luta para se recuperar da pandemia do Covid-19.

A produção industrial dos Estados Unidos, medida pelo Federal Reserve (Fed), banco central americano, apontou avanço de 0,4% em agosto, acima dos 3,5% de julho. No entanto, o resultado veio abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 1%.

Em setembro houve queda de 0,6% ante agosto – com previsão do mercado de alta de 0,5%.

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