Indústria recupera 93,8% da confiança perdida na crise, mostra FGV

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O setor industrial brasileiro recuperou, em agosto, 93,8% da confiança perdida entre março e abril, os dois piores meses da crise do coronavírus no Brasil.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgado nesta quinta-feira (27) pela Fundação Getulio Vargas, avançou 8,9 pontos em agosto, alcançado 98,7 pontos. Já são quatro meses seguidos de altas desde abril.

“A confiança da indústria manteve a tendência de recuperação iniciada nos últimos meses de forma consistente e disseminada”, confirma a pesquisadora Renata de Mello Franco.
“Apesar de ainda se mostrarem insatisfeitos com o nível de demanda, a opinião dos empresários sobre a situação dos negócios no momento tem se aproximado cada vez mais do período pré pandemia”, diz.

No entanto, ela ressalta, ainda há muita incerteza das empresas, evidenciada pela dificuldade de recuperação do indicador de tendência dos negócios.

confiança da indústria

Reprodução/FGV

Confiança da Indústria: melhoras na avaliação do momento atual e futuro

O resultado da confiança da indústria traz melhores avaliações sobre o momento presente. E também perspectivas mais otimistas para os próximos três meses.

O Índice de Situação Atual subiu 8,7 pontos, para 97,8 pontos. Já o Índice de Expectativas cresceu 9,1 pontos, indo para 99,6 pontos. O nível fica acima do de março (96,2 pontos), mas ainda abaixo do de fevereiro (101,8 pontos).

Todos os três indicadores que compõem o Índice de Expectativas da confiança da indústria apresentaram crescimento significativo. Produção prevista e emprego previsto avançaram 8,8 pontos e 9,3 pontos respectivamente, para 107,8 pontos.

Por sua vez, o indicador que mede o otimismo dos empresários com a evolução do ambiente de negócios nos seis meses seguintes apesar de avançar 8,7 pontos, para 88,8 pontos, ainda está 16,1 pontos abaixo do nível de fevereiro e do nível de neutralidade.

Em relação ao momento atual, houve aumento da satisfação dos empresários com a situação atual dos negócios. O indicador avançou 12,1 pontos para 99,1 pontos.Este é o maior nível desde fevereiro e exerceu a maior influência sobre o Índice de Situação Atual.

A parcela de empresas que avaliam a situação atual como boa aumentou de 19,1% para 27,2% do total. Isto enquanto a parcela das que a consideram fraca caiu de 40,6% para 27,5% do total.

O nível dos estoques subiu 8,8 pontos, de 90,2 pontos para 99,0 pontos. E o de demanda cresceu 4,7 pontos, de 91,0 pontos para 95,7 pontos. Apenas o indicador de estoques está abaixo de março desse ano.

Nível de Utilização da Capacidade Instalada

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve acréscimo de 3 pontos porcentuais, de 72,3% para 75,3%. Com esse resultado, o NUCI encontra-se no mesmo patamar de março, e apenas 0,9 pontos porcentuais abaixo de fevereiro (76,2%).