Indústria opera com metade de sua capacidade; resultado é o pior em 20 anos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria no Brasil alcançou o menor valor da série histórica iniciada em janeiro de 2001, de acordo com pesquisa da FGV divulgada nesta segunda-feira (4).

Em abril, o NUCI atingiu 57,5%. Isto significa que, em média, o setor industrial operou com pouco mais da metade da sua capacidade total. Este é o menor nível de produção dos últimos 20 anos.

Os segmentos mais afetados pela crise do coronavírus foram vestuário, veículos automotores e couros e calçados.

A diminuição da demanda e a necessidade de fechamento de fábricas fez com que esses segmentos operassem com menos de 25% da sua capacidade total.

indústria

Indústria vive crise pior do que de 2014

“Quando comparamos com a crise anterior, entre o primeiro trimestre de 2014 e o último de 2016, os efeitos nocivos da pandemia ficam ainda mais evidentes tanto sobre esses segmentos quanto para a indústria de transformação”, afirma o relatório

Em abril, o NUCI médio da indústria ficou 15,9 pontos percentuais abaixo do mínimo observado durante a crise anterior.

Já os segmentos de alimentos, celulose e papel e farmacêutico apresentaram pouca variação, destoando da média da indústria. Por serem essenciais, tais setores tendem a sentir menos a queda na demanda.

Para os próximos meses, há sinalização de que a atividade possa se manter em níveis baixos. Isto em função da deterioração de dois indicadores importantes: nível de estoques e produção prevista. Enquanto o primeiro indica estoques excessivos, o segundo aponta para forte desaceleração da produção nos próximos três meses.

“Dependendo da duração das medidas de isolamento social, da necessidade de fechamento de fábricas ou diminuição de turnos, poderemos ver o NUCI atingindo novo mínimo histórico”, finaliza a avaliação da FGV.

 

indústria