Indústria: estudo mostra que perfil dos investidores estrangeiros mudou

Paulo Amaral
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Crédito: Foto: Gov/Ba/ Wikipédia

O setor da Indústria do Brasil está passando por uma transformação, conforme ficou constatado em um estudo realizado pela Sobeet.

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O levantamento feito Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica com dados do Banco Central apontou que o setor primário da economia brasileira, puxado pela extração de petróleo e minerais, recebeu nos últimos anos fatia maior de recursos voltados para novos projetos empresariais ou compra de participação em negócios já existentes.

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Entre 2011 e 2018, o setor primário recebeu 14,3% dos Investimentos Diretos no País (IDP) direcionados a participação no capital, com o percentual saltando para 24,9% no intervalo de 2019 a junho de 2020.

Entre as atividades do setor primário – que reúne agricultura, pecuária e extrativismo mineral – destaque para a extração de petróleo e gás e da extração de minerais.

Os investimentos destinados ao petróleo saltaram de 8,3% no período de 2011 a 2018 para 17,2% no intervalo de 2019 a junho de 2020. A aposta dos investimentos na mineração aumentou de 2,9% para 4,5%.

Por outro lado, a parcela de investimentos para a indústria encolheu. Pegando os mesmos períodos como base, os investimentos dos estrangeiros na indústria passaram de 34,6% do total para 22,7%. No período de 2019 a junho de 2020, o capital somou US$ 63,3 bilhões.

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Indústria de volta ao setor primário

Para o diretor presidente da Sobeet, Luís Afonso Fernandes Lima, o cenário atual mostra que a indústria tem perdido espaço em todo o mundo na atração de IDP.

Ao analisar especificamente o Brasil, o executivo explicou que, neste processo, o setor primário tem abarcado uma parcela maior dos investimentos, e não o setor de serviços.

“Temos a questão do emprego. Os setores de petróleo e mineração são menos intensivos em mão de obra. Então, é mais difícil criar empregos com investimentos nesses segmentos”, pontuou.

“Este efeito de ‘transbordamento’ de tecnologia, de capacitação, de transferência de conhecimentos e habilidades, é muito prejudicado no setor primário”, completou.

Em entrevista para o Estadão Conteúdo, o economista William Baghdassarian, professor do Ibmec-DF, afirmou que em todo o mundo há um processo de “valorização” dos serviços, que tem peso crescente no Produto Interno Bruto (PIB).

“No caso do Brasil, o que acontece há algum tempo é um processo de volta para o setor primário. E não apenas nos setores de petróleo e minério, mas também no agronegócio.”

Segundo o especialista, com o desenvolvimento da atividade mineradora e do pré-sal no Brasil, o IDP voltado para estes setores também aumentou. E isso não é ruim.

“O que a teoria econômica fala é que o Brasil deve aproveitar as vantagens comparativas no setor agrícola e no de energia. Não faria sentido não aproveitar isso”, avisou.

“O risco é de que, na medida em que se começa a ficar muito dependente de uma commodity específica, quando o preço cai, o País perde”, completou Baghdassarian

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