Indústria dá sinais de recuperação em 2019 e mercado estima crescimento robusto para o setor no ano que vem

Bruno de Oliveira
Jornalista e técnico em administração e negócios.

Crédito: Pashminu Mansukhani / Pixabay

A indústria foi uma das atividades que deram pequenos sinais de recuperação em 2019. Os indícios de crescimento da produção industrial são resultados de ajustes feitos na área econômica e de expectativas de que o governo federal irá adotar novas medidas para impulsionar o setor, como a reforma tributária.

Segundo o assessor de investimentos Paulo Filipe, os empresários, principalmente os da indústria, aguardam ansiosamente por mudanças capazes de simplificar o sistema de impostos e que resultem em desonerações, condições que favorecem o ambiente de negócios.

O aumento da produtividade industrial é imprescindível para que o Brasil tenha uma soma de riquezas expressiva, já que essa atividade é considerada uma das mais importantes para a formação do Produto Interno Bruto (PIB).

Dados divulgados este ano deixam claro que a indústria ainda amarga os prejuízos causados pela recessão e que mais investimentos são necessários para que as empresas do setor voltem a produzir de forma significativa.

Desempenho da indústria em 2019

Números da indústria mostram que o setor teve variações positivas em 2019, mas, ao longo do ano, também foram observadas expressivas quedas na produtividade.

Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a indústria registrou o terceiro crescimento seguido em outubro, com alta na produção de 0,8% ante a setembro. O avanço é de 1% quando se compara com outubro do ano passado. Apesar do resultado positivo, a indústria acumula queda de 1,1% no ano. Nos últimos 12 meses, a retração é de 1,3%.

Das atividades pesquisadas, destacam-se as de produtos alimentícios e farmacêuticos, com elevação de 3,4% e 11,2%, respectivamente, na passagem de setembro para outubro.

Segundo o Informe Conjuntural do terceiro trimestre da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o PIB industrial iria crescer 0,4% este ano, enquanto o PIB do Brasil deveria ter expansão de 0,9%. Com os avanços observados no setor, os números foram revisados para cima, estimando toda a produção industrial em 0,7%, e as atividades econômicas nacionais em 1,2%.

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As reações positivas da indústria são atribuídas aos sucessivos cortes na taxa básica de juros,a Selic, que está em 4,5% ao ano, explica Paulo Filipe.

Fator externo

A crise econômica que afeta a Argentina, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, atingiu negativamente a indústria automobilística brasileira em 2019. Além do país vizinho, outros compradores internacionais adquiriram menos carros produzidos em fábricas instaladas em território brasileiro.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), houve uma queda de 37,9% na exportação do produto de janeiro a agosto na comparação com o mesmo período do ano passado.

Expectativas para 2020

Para o ano que vem, a previsão para as atividades industriais é otimista. A CNI calcula que o setor pode avançar 2,8%. A construção civil deverá ser o ramo com melhor desempenho em 2020. Paulo Filipe comenta que o mercado também aposta em um aumento na produção de itens da linha branca.

De acordo com a entidade, os investimentos podem ter alta de 6,5%, fator que deve alavancar as atividades industriais. Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, todo dinheiro investido vai partir da iniciativa privada, afirma o assessor de investimentos.

Ele ainda diz que, caso as projeções se confirmem no ano que vem, o mercado aguarda participação de 12% da indústria no PIB nacional.

A indústria deve contratar mais em 2020, já que o aumento do consumo das famílias vai elevar a produção das fábricas, fazendo crescer a necessidade de se contratar mão de obra.

A CNI espera que a Selic continue em 4,5% no próximo ano, e que a inflação se mantenha controlada, dentro dos 4% estipulados pelo Conselho Monetário Nacional para 2020, fatores que proporcionam melhores condições de produtividade.