Índice Sharpe: saiba como usá-lo ao investir

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Índice Sharpe

Você já ouviu falar no Índice Sharpe? Sabe para o que ele serve?

Em tempos de taxas de juros reais negativas, investidores começam a pensar em ativos mais arriscados, buscando garantir alguma rentabilidade. Muitos que nunca saíram da renda fixa estão se encorajando a olhar para a renda variável ou fundos de investimento com alguma fatia de renda variável, além de outras alternativas.

As opções são diversas e uma pergunta recorrente, sobretudo para investidores mais conservadores, é até quanto a rentabilidade oferecida por um investimento compensa o risco?

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Ou, colocando de uma outra forma, qual investimento oferece maior retorno com o menor risco.

É nesse momento que o Índice Sharpe pode ajudar.

Ele nada mais é que uma equação que compara uma opção de investimento com outra livre de risco, levando em conta a oscilação.

Desenvolvida pela economista norte-americano William Forsyth Sharpe, ganhador do Prêmio Nobel em 1990, a fórmula serve como uma análise complementar para o investidor, que muitas vezes se baseia unicamente na rentabilidade passada.

“Quando o investidor olha apenas rentabilidade passada, ele cria expectativa. O Sharpe vai além, pois mistura isso com a volatilidade, ou seja, o risco. Essa é a grande ‘sacada’ do índice”, diz o professor de finanças Edgar Abreu. “Com base no dado passado eu crio uma expectativa para o futuro, considerando o risco.”

Cálculo do Índice Sharpe

A fórmula é relativamente simples, composta de três elementos.

  • Rentabilidade da aplicação alvo (a que se pensa em investir)
  • Rentabilidade de uma aplicação sem risco
  • Volatilidade ou desvio padrão da aplicação alvo

Assim exposta:

Índice Sharpe = Rentabilidade da aplicação alvo – Rentabilidade da aplicação sem risco  /  Volatilidade

Quanto maior for o valor encontrado, maior tende a ser o retorno do investimento com menor o risco.

Quanto mais próximo de zero, menos interessante é a aplicação.

O Índice Sharpe não pode ser negativo. O retorno (rendimento) tem que ser maior que a taxa livre de risco.

Nesse cálculo, investimentos que tenham rendimentos idênticos não necessariamente terão o mesmo Índice Sharpe, porque podem ter riscos diferentes. Da mesma forma, rentabilidades maiores podem ter Índice Sharpe menor.

Vamos aos exemplos

Um fundo A teve rendimento de 11% no último ano e uma volatilidade de 10%, enquanto o investimento livre de risco teve 5,95% de retorno.

Então, usando a fórmula, temos:

11 – 5,95 / 10 = 0,50

Um fundo B gerou um ganho 11% no último ano e o investimento sem risco também foi de 5,95%, porém a volatilidade foi de 16%.

11 – 5,95 / 16 = 0,31

Já um fundo C rendeu 14% no último ano, mas teve volatilidade de 30%, contra um ganho de 5,95% de um ativo livre de risco.

14 – 5,95 / 30 = 0,26

Note que o fundo B gerou um Índice Sharpe menor apesar de ter a mesma rentabilidade do fundo A. E o fundo C, com rentabilidade maior, apresentou também risco maior, e Índice Sharpe mais baixo

Ativos semelhantes

Especialistas ressaltam que o uso dessa equação é recomendado para se comparar aplicações equivalentes. Não teria sentido, por exemplo, comparar fundos de ações, naturalmente bastante voláteis, com fundos baseados principalmente em títulos públicos, que variam pouco.

O professor Edgar Abreu sugere ir além e descer para as subclasses de aplicações para fazer comparações. Por exemplo, calcular o Índice Sharpe de fundos de ações ativos e não misturar ativos e passivos. Em Fundos Imobiliários, a mesma coisa e preferencialmente comparar os que pertencem ao mesmo segmento.

É claro que, como se baseia em resultados passados, o uso do Índice Sharpe não garante os ganhos futuros, mas serve como uma boa sinalização.

Volatilidade

Abreu ressalta que, apesar de ser bastante eficiente, o Sharpe é pouco usado por investidores.

O entrave maior é o cálculo da volatilidade. Contudo, quem faz uso de planilhas de excel ou calculadora HP12C, consegue chegar a conta com alguma facilidade.

Veja um exemplo prático entre dois fundos multimercado, no ano de 2019. Abaixo temos a rentabilidade mês a mês, a volatilidade e o Índice Sharpe de cada um. A taxa livre de risco usada foi a Selic acumulada no ano passado, de 5,95%.

Os valores mês a mês podem ser obtidos nos sites das instituições financeiras. No exemplo abaixo, o fundo B se mostrou mais interessante, apesar de ter o desvio padrão maior. Mas como vimos acima, nem sempre é assim.

 

Fundo A
(variações mensais em %)
Fundo B
(variações mensais em %)
Janeiro2,381,6
Fevereiro-0,68-0,43
Março0,91-0,97
Abril0,190,31
Maio0,090,43
Junho1,931,53
Julho0,841,47
Agosto1,35-1,52
Setembro0,1-0,7
Outubro0,661,6
Novembro-2,310,42
Dezembro1,673,71
Rentabilidade/ano6,737,4
Volatilidade1,261,45
Índice Sharpe2,023,30

Previdência

Embora seja interessante para qualquer aplicação, o Índice Sharpe é especialmente útil na comparação de fundos de previdência. Isso porque, por serem tradicionalmente aplicações de longo prazo, às vezes mais de 10 ou 15 anos, pequenas diferenças podem representar valores significativos no futuro.

Mas também aqui é importante analisar a carteira em que cada plano aplica e comparar os equivalentes. Nessa análise em especial é preciso ter atenção também à modalidade de previdência, pois as tributações são diversas, e comprometem o resultado final.

Espero que essas informações possam ter despertado a sua curiosidade sobre o assunto e que te ajudem a tomar melhores decisões em sua vida financeira.

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