Índice de isolamento social em São Paulo é o pior desde o início da pandemia

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Brasil

O índice de isolamento social em São Paulo registrou, na quinta-feira (30), seu pior número desde o início da pandemia de coronavírus.

De acordo com os dados levantados pelo Simi (Sistema de Monitoramento Inteligente), que acompanha 104 municípios com mais de 70 mil habitantes por meio de sinal de celular, o isolamento caiu para 46%.

Antes desta quinta, os piores índices no Estado haviam sido registrados nos dias 9, 27 e 28 de abril, todos com 47% de adesão.

Edson Aparecido, secretário de Saúde da capital, admitiu que, caso a cidade não alcance índices entre 55% e 60% de adesão ao isolamento, a flexibilidade da quarentena, prevista para 11 de maio, não acontecerá.

“Na situação em que estamos, se nós não retornarmos aos índices de isolamento perto de 55 a 60% do início da quarentena, não há como falar em flexibilização do isolamento social”, garantiu, ao G1.

“Já há uma decisão tomada, e nós não temos como relaxar as medidas de isolamento a partir do dia 10 de maio. Na capital é absolutamente impossível fazermos isso. Ao contrário, nós estamos iniciando uma discussão para que a gente possa fortalecer algumas dessas medidas para que a gente consiga fazer com que o isolamento possa crescer desse patamar”, complementou.

Aumento de casos x menor adesão

De acordo com Aparecido, não há como desvencilhar o aumento no número de casos da Covid-19 no Estado e, em especial, na capital, com a queda na adesão ao isolamento.

“A relação entre a queda do isolamento e o aumento dos casos é absolutamente correta. A situação da doença na cidade é acompanhada dia-a-dia pelo prefeito, baseado nas informações da secretaria de Saúde”, avisou.

O secretário lembrou que, somente nos últimos três dias, entre 27 e 30 de abril, a cidade teve 4,5 mil novos casos da doença, alcançando ao um total de 71.885 notificações de pessoas com casos suspeitos de coronavírus na capital paulista.

Sistema em colapso

O perigo desse aumento repentino de casos, segundo Edson Aparecido, é algo que o ex-Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, vinha avisando desde o início da pandemia: o colapso no sistema de saúde.

Segundo a reportagem do G1, o índice de ocupação nos leitos dos hospitais da Grande São Paulo saltou para 89% nas UTIs e para 73% nas enfermarias.

Em relação ao Estado, os números apontam a ocupação de leitos de UTIs em 69,3% e de 48% nas enfermarias.

Coronavírus em São Paulo

A Região Sudeste, puxada por São Paulo e Rio de Janeiro, soma 49,3% dos casos da Covid-19. São 45.137 pacientes confirmados com o novo coronavírus.

São Paulo chegou nesta sexta aos 2.511 óbitos em 30.374 casos confirmados, enquanto o Rio de Janeiro registrou, até o momento, 921 mortes em 10.166 pacientes.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, foram registrados aproximadamente 6 óbitos por hora desde a quinta-feira, dia 30.

Ainda segundo o levantamento da pasta, 151 cidades paulistas têm pelo menos um caso de morte pela doença. E metade das cidades já registrou casos confirmados do novo coronavírus.

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