Índice de Hong Kong faz mudanças e beneficia conglomerados tech

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Índice de ações de Hong Kong promove mudanças e beneficia conglomerados de tecnologia

O índice Hang Seng, de Hong Kong, anunciou nesta segunda-feira (18) que permitirá que empresas com listagens primárias em outros lugares sejam incluídas no benchmark de 50 anos.

A iniciativa poderá abrir caminho para que os grandes conglomerados de tecnologia da China expandam sua presença comercial na Ásia, dando aos investidores mais acesso a essas ações.

Isso fará, por exemplo, que empresas listadas nos EUA possam ter listagem secundária na Bolsa de Hong Kong.

Entretanto, antes da mudança de regra mais recente, elas não podiam ser incluídas no índice de referência Hang Seng (HSI) e, por padrão, nos fundos de índice que rastreiam o HSI.

Com a iniciativa, a gigante do comércio eletrônico Alibaba , a fabricante de telefones Xiaomi e o conglomerado de entrega de alimentos Meituan deverão colher os benefícios de serem incluídas. Estas três companhias são genuinamente chinesas.

Com a notícia, as ações da Alibaba e da Xiaomi listadas em Hong Kong subiram mais de 2%, enquanto a Meituan subiu 1,65%.

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Valor de mercado

De acordo com dados da Reuters, as três empresas estão entre as cinco principais ações negociadas em Hong Kong por valor todo mês.

Isso porque elas representam, coletivamente, 15% da capitalização de mercado total das empresas listadas em Hong Kong, segundo o banco Morgan Stanley.

Conforme a bolsa da China, Alibaba, Xiaomi e Meituan são empresas com ações de classe dupla, ou aquelas com duas classes de ações com direitos de voto diferentes.

Uma classe permite que os fundadores e executivos tenham mais poder de voto, enquanto a outra é emitida ao público geral, com direitos de voto limitados ou inexistentes.

Vale ressaltar que o Alibaba possui uma lista secundária em Hong Kong, e foi listado pela primeira vez em Nova York em 2014.

Investidores

A importância dessa nova medida para os investidores se dá justamente pela seguinte razão: se as ações da Alibaba, Xiaomi e Meituan estiverem incluídas no índice Hang Seng, elas terão uma presença maior nos fundos de índices que estão acompanhando o HSI.

Ou seja, esses papéis estarão agora nas carteiras de mais investidores – aqueles que compraram esses fundos de índice, em particular os fundos negociados em bolsa (ETFs).

Nos últimos anos, mais investidores se concentraram em investimentos passivos aportando em tais fundos, em oposição à seleção individual de ações.

Essa inclusão pode gerar 3,7 bilhões de dólares em entradas passivas de fundos para essas três empresas, segundo o Morgan Stanley.

Desse montante, 1,9 bilhão de dólares serão destinados ao Alibaba, 1,3 bilhão de dólares à Meituan e 0,5 bilhão de dólares à Xiaomi.

Ainda de acordo com o Morgan Stanley, em 30 de abril deste ano o total de ativos administrados nos ETFs vinculados ao Hang Seng valia 18,6 bilhões de dólares.

Em busca do equilíbrio

De acordo com o banco Morgan Stanley, atualmente o índice está voltado para empresas de serviços financeiros, que têm uma alocação geral de 47,8%, mas essa inclusão de outras ações ajudaria o Hang Seng a ser “mais equilibrado” em termos de setores.

As novas mudanças serão implementadas a partir de agosto, informou o provedor do índice Hang Seng em comunicado.

Após o início da nova inclusão, o Morgan Stanley espera que a participação financeira caia para 41,7%, com serviços de comunicação e ações de consumidores formando o restante.