Índice de Confiança da Indústria atinge maior nível em nove anos, diz FGV

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado nesta quarta-feira (28) avançou 4,5 pontos de setembro para outubro, alcançado 111,2 pontos. Este é o maior nível desde abril de 2011 (111,6 pontos). Em médias móveis trimestrais, o ICI avançou pelo quarto mês consecutivo, variando 7,1 pontos em relação a setembro.

“A sondagem de outubro mostra que o setor industrial está mais satisfeito com a situação atual, além de otimista que esse resultado será mantido nos próximos três meses”, disse Renata de Mello Franco, economista da FGV-IBRE.

“Chama a atenção, contudo, o retorno do NUCI a um nível próximo da média anterior à pandemia. E o percentual de empresas indicando estoques insuficientes, o maior valor desde o início da série”, comentou.

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Conforme Franco, entre as categorias de uso, Bens Intermediários merecem destaque por alcançarem o maior nível de confiança do setor. Este foi influenciado principalmente pela melhora dos indicadores de situação atual.

Entretanto, a demora na recuperação do indicador de tendência dos negócios sinaliza uma certa preocupação dos empresários. De acordo com a economista, é preciso considerar o fim dos programas de auxílio emergencial.

Segmentos

Em outubro, 16 dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram aumento da confiança. O resultado positivo do mês reflete principalmente a melhora da satisfação dos empresários em relação à situação corrente. 

O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 6,4 pontos, para 113,7 pontos. Esse é o maior valor desde novembro de 2010 (13,8 pontos). O Índice de Expectativas (IE) cresceu 2,7 pontos, para 108,6 pontos, o maior desde maio de 2011 (110,0 pontos).

Ainda mais, o indicador que mede o grau de satisfação dos empresários com a situação atual dos negócios exerceu a maior influência sobre o ISA. Ao avançar 8,5 pontos, para 115,5 pontos, teve o maior valor desde junho de 2010 (116,4 pontos).

A parcela de empresas que avaliam a situação atual como boa aumentou de 33,5% para 42,8% do total. Enquanto isso, a parcela das que a consideram fraca caiu de 21,0% para 15,4% do total. Já o nível dos estoques subiu 6,1 pontos, de 108,1 pontos para 114,2 pontos, enquanto o de demanda cresceu 4,1 pontos, de 106,2 pontos para 110,3 pontos.

Otimismo

De acordo com a sondagem, o indicador que mede o otimismo dos empresários com a evolução do ambiente de negócios nos seis meses seguintes apresentou pelo segundo mês consecutivo a maior variação positiva entre os componentes do IE. Passou de 96,5 pontos para 100,8 pontos, nível considerado neutro, porém abaixo de fevereiro (104,9 pontos).

Neste mês, a parcela de empresas que preveem melhora aumentou de 39,9% para 45,7%. Enquanto isso, a das que projetam piora caiu de 13,6% para 11,0%. No mesmo sentido, os indicadores de produção e emprego previstos para os próximos três meses avançaram 2,5 pontos e 1,1 ponto, para 113,6 pontos e 110,9 pontos, respectivamente.

Por fim, o Nível de Utilização da Capacidade instalada aumentou 1,6 ponto percentual. O valor foi de 78,2% para 79,8%, maior valor desde novembro de 2014 (70,3%). Com esse resultado, o NUCI se aproxima do nível de 79,9%, correspondente à média observada entre janeiro de 2001 a fevereiro de 2020.