Índice de Confiança dos Empresários cai 0,4 ponto em outubro, diz FGV

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: FGV

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta terça-feira (3), recuou 0,4 ponto em outubro, para 97,1 pontos, após subir por cinco meses consecutivos.

De acordo com Aloisio Campelo Jr., superintendente de Estatísticas da FGV, o recuo da confiança empresarial pode ser visto como um movimento de acomodação.

Isso teria ocorrido por causa da sequência de altas, que já estão novamente no patamar pré-pandemia.

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“A indústria continua se destacando, com níveis de confiança que não eram vistos desde 2011, seguida pela Construção. Em ambos os setores, a confiança continuou avançando em outubro”, afirmou Campelo Jr. 

Por outro lado, os setores de comércio e os serviços registram quedas puxadas por revisões de expectativas.

Ou seja, podem refletir tanto a preocupação em relação a crise sanitária, como com a perspectiva de algum desaquecimento da demanda. 

A tendência, entretanto, se daria com o fim do período mais intenso dos programas emergenciais.

Subgrupos

O Índice de Confiança Empresarial consolida os índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas sondagens empresariais da FGV. São eles: Indústria, Serviços, Comércio e Construção.

O Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) subiu pela sexta vez consecutiva. Conforme os dados, avançou para 3,6 pontos, alcançando 96,6 pontos.

O Índice de Expectativas (IE-E) recuou 3,1 pontos, para 97,9 pontos, num movimento de revisão das expectativas após cinco altas consecutivas.

A diferença entre ambos os indicadores em outubro é de 1,3 ponto, menor valor desde maio de 2020.

Expectativas

Já em relação às expectativas, os empresários manifestam certa neutralidade sobre a evolução dos negócios pelo lado da demanda.

Mas reveem suas expectativas em relação à evolução dos negócios nos próximos seis meses. O componente de Demanda (3 meses) subiu 0,7 ponto enquanto a Tendência dos Negócios (6 meses) recuou 0,7.

O componente de Emprego Previsto (três meses) recuou 0,3 ponto.

“O ICE de 97,1 pontos em outubro ficou muito próximo ao de janeiro deste ano (96,6 pts). Ambos em nível inferior àquele considerado como sendo de neutralidade (100 pontos). Há também diferenças em sua composição. Em outubro, o ISA-E ficou 3,5 pontos acima de janeiro enquanto o IE-E ficou 4,9 pontos abaixo”, disse o superintendente.

De acordo com ele, este resultado reflete uma combinação de aquecimento no momento presente, reforçado pelos pacotes emergenciais. Além disso, há certa cautela com o futuro próximo. 

“Se os resultados setoriais de países que foram afetados pela pandemia antes do Brasil servirem como antecedentes para os nossos, é possível que os índices de expectativas mantenham a fase de revisões por mais algum tempo”, acrescentou Aloisio.

Resultados

A confiança da Indústria continuou a evoluir favoravelmente em outubro, com aumento do grau de satisfação com a situação atual. Além disso, houve aumento também do otimismo em relação aos meses seguintes. 

A construção tornou a subir em outubro e já recuperou as perdas do pior momento da pandemia. A confiança dos setores de Comércio e Serviços recuou pela primeira vez desde o início da recuperação, em maio. No Comércio, a queda foi motivada pela piora da percepção atual e das expectativas para os próximos meses.

Por fim, a confiança do setor de serviços, que registram a recuperação mais lenta entre os setores, teve seu recuo justificado pela piora das expectativas, frente à dinâmica da pandemia e incertezas em torno da continuidade de recuperação do setor.