Índice baixo de isolamento pode endurecer quarentena em SP, diz prefeitura

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

As medidas de restrições de isolamento social na capital de São Paulo podem aumentar. Foi o que informou nesta quinta (30) nota divulgada pela prefeitura da cidade.

A quarentena na capital terá normas “mais rígidas”, para conter a propagação do novo coronavírus, informa a prefeitura paulista sem especificar que decretos serão adotados. Sabe-se que o comércio deve continuar fechado, à exceção dos serviços essenciais.

“É remota a possibilidade de afrouxamento das regras atuais no curto prazo”, se a taxa de isolamento social continuar num patamar abaixo dos 50%, adverte a prefeitura.

Para que não aumente a propagação do vírus, o que pode resultar em número ainda mais alto de mortes e casos notificados, o mínimo recomendado pelas autoridades sanitárias é de 70%.

Aceleração da pandemia

Neste momento, São Paulo está vivendo a fase de aceleração da pandemia do novo coronavírus. A afirmação é do diretor do Instituto Butantan e membro do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, Dimas Covas.

“Nós estamos na fase de aceleração da epidemia. Estamos numa fase de ascensão”, disse Covas, em entrevista concedida hoje (30) à imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Segundo o coordenador do Centro de Contigência do Coronavírus, infectologista David Uip, as medidas de isolamento social tomadas pelo governo do estado conseguiram achatar a curva e adiar o início da aceleração da doença.

O período de quarentena no estado começou no dia 24 de março e deve se estender, inicialmente, até 10 de maio.

“Isso tem possibilitado que o governo do estado se prepare da melhor forma para dar contingência às demandas que estão acontecendo”, disse Uip.

No entanto, o isolamento social em São Paulo tem diminuído. Hoje, a taxa de isolamento no estado ficou em 47%, abaixo da dos outros três dias desta semana, que foi de 48%.

Sistema de saúde ameaçado

Maiores níveis de isolamento social, diz o governo, diminuem a propagação da doença e as chances de provocar um colapso no sistema de saúde.

São Paulo já soma 28.698 casos confirmados de coronavírus, com 2.375 óbitos. Há ainda 1.744 pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTIs) e 2.138 em enfermarias.

A cidade tem 16.638 pessoas infectadas e 1439 mortes, segundo dados da secretaria estadual de saúde.

Os hospitais públicos da capital estão em média com 85% de sua capacidade de ocupação total de leitos.

“O distanciamento social continua sendo muito importante. Nós tivemos essa queda sentida pelo sistema inteligente do estado e quem anda pelas ruas também está percebendo isso”, disse o médico infectologista e coordenador do Centro de Contingência do coronavírus, David Uip, à prefeitura.

O respeito ao isolamento social é fundamental para conter avanço da doença e preservar toda a rede de saúde (seja ela pública, filantrópica ou particular), diz a prefeitura.

Doria sinaliza rever flexibilização do isolamento em 11 de maio

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (29), o governador de São Paulo João Doria (PSDB) deixou claro que pode rever a flexibilização, planejada para o dia 11 de maio.

“Numa taxa de isolamento de 48% eu não preciso sequer perguntar para David Uip se há condição de afrouxar o confinamento. Há riscos de colapso dos hospitais da capital e região metropolitana”, alertou Doria.

Ele reforçou: “Se vocês querem sair do isolamento, contribuam para isto”.

Até as 15 horas de ontem (29), a capital paulista registrava 15.925 casos confirmados da covid-19, 1.456 óbitos decorrentes da doença e 57.800 casos suspeitos.

Em relação ao dia anterior, houve aumento de 4,7% e 9,5% nos índices, respectivamente, o que faz São Paulo se aproxima do gargalo de leitos.

Na Grande São Paulo, 85% dos leitos estão ocupados. O estado ainda trabalha para expandir a rede, mas é uma corrida contra o tempo, daí a importância do isolamento.

Prefeitura decretou uso de máscaras no transporte público

Como exemplo de medida mais rigorosa já adotada, a prefeitura cita a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção no transporte público, determinada pelo decreto Nº 59.384, de acordo com a Agência Brasil.

A medida vale a partir da próxima segunda-feira (4).

Bloqueios

Também estão sendo promovidos, em diversos locais da cidade, informa a Agência Brasil, bloqueios no trânsito, que deverão auxiliar na disseminação de orientações preventivas contra a Covid-19.

Na mesma nota, a prefeitura destacou que os primeiros bloqueios em vias começaram hoje, às 7h, nas avenidas Sapopemba, do bairro Jardim Adutora; São Miguel, do Vila Norma; e Mateo Bei, do Cidade São Mateus, além de um ponto na Estrada do M’Boi Mirim.

O critério de escolha dos locais levou em conta o fluxo de veículos e o índice de incidência da covid-19. As mensagens sobre a covid-19 serão transmitidas por meio de painéis móveis.

Ações de combate ao coronavírus

Na última segunda-feira (27), o prefeito Bruno Covas já havia afirmado que poderia decidir pelo endurecimento das medidas de combate ao coronavírus.

Na ocasião, ele inaugurava uma ala de 100 leitos, estruturada exclusivamente para o atendimento de pacientes com a doença, em um anexo Hospital Municipal de M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch

*com Agência Brasil

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