Indicador aponta pessimismo dos empresários da construção

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

“Nem no pior momento da crise de 2014-2018, os empresários da construção se mostraram tão pessimistas”. A constatação é da coordenadora de projetos da construção da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Nesta terça-feira (28), a FGV divulgou o Índice de Confiança da Construção (ICST), com recuo de 25,8 pontos em abril. O indicador chegou a 65 pontos, registrando a maior queda mensal e a menor leitura desde o início da série histórica.

Segundo a pesquisadora, nem na crise anterior, quando a situação econômica fez o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cair 30%, a percepção do setor era tão negativa.

“Os empresários apontaram redução em suas carteiras de contrato, mais dificuldade no acesso ao crédito e queda da atividade. As perspectivas de queda na demanda nos próximos meses derrubaram o otimismo empresarial dos primeiros meses do ano”, afirma Castelo.

“A forte queda do ICST é reflexo da piora da percepção dos empresários, principalmente em relação às expectativas para os próximos três e seis meses”, ela explica.

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Expectativas futuras também têm queda

O Índice de Expectativas (IE-CST) apresentou retração de 35,6 pontos, chegando a 59,9 pontos, o menor valor da série histórica.

O indicador de demanda prevista apresentou queda de 37,6 pontos, ficando em 58,5. O indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses caiu 33,2 pontos, para 61,6 pontos.

O Índice de Situação Atual (ISA-CST) cedeu 15,4 pontos, alcançando 70,9 pontos, o menor valor desde junho de 2018 (70,8 pontos).

O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) do setor apresentou recuo de 12 pontos percentuais, chegando a 57,6%.

Emprego: intenção de contratar é afetada

A intenção de contratar dos empresários também foi bastante afetada. O Indicador de Emprego Previsto (EP) caiu 33 pontos na comparação com março com ajuste sazonal.

“Em grande parte dos estados, a construção foi considerada atividade essencial e por isso não sofreu paralisação. Sendo assim, a forte queda do EP está mais relacionada ao adiamento de projetos”, explica.

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Custo da construção recua

A FGV também divulgou hoje o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) que variou 0,18% em abril. Em março, o indicador teve alta de 0,38%.

A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,38% em abril, após variar de 0,35% em março. O índice referente à Mão de Obra não variou em abril. No mês anterior a taxa foi de 0,40%.