Incerteza no cenário eleitoral deixa bancos brasileiros apreensivos

Faltam exatos cinco meses para a eleição presidencial no Brasil. Até aqui, o que se percebe tanto por comentários em redes sociais, rodas de conversas entre amigos e até mesmo por meio de pesquisas eleitorais, é que ainda existem muitas dúvidas e incertezas quanto aos candidatos e ao próprio voto. Foi justamente isso que mostrou o relatório feito por bancos internacionais para clientes estrangeiros.

Patrícia Auth
Patrícia Auth é jornalista formada pela Univali de Itajaí/SC. Trabalhou em impressos, como o Jornal de Santa Catarina, e também, como repórter na Rede Record e RBS TV. É casada, mãe da Lívia e adoradora de boa música e gastronomia.Na equipe EuQueroInvestir, é responsável pela produção de vídeos, e também escreve e edita artigos para o site.Entre em contato com a Patrícia pelo e-mail: patricia.auth@euqueroinvestir.com
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O documento revela uma certa preocupação com a estagnação de candidatos a presidência da República de centro-direita, que são classificados pelas instituições financeiras como candidatos reformistas. O relatório, que ficou pronto faz três semanas, demonstra clara preferência dos bancos por presidenciáveis que defendem as reformas, especialmente a da previdência.

Recentemente, o atual presidente do Brasil, Michel Temer (MDB), que se mostra como pré-candidato à reeleição, chegou a admitir que desistiria da sua candidatura caso ocorresse uma unificação política. Prova desse “desapego” de Temer são os frequentes encontros dele com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também pré-candidato ao governo do Brasil. ”Se nós quisermos ter o centro, não podemos ter sete ou oito candidatos”, disse Temer em entrevista ao SBT.

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O que pensam e dizem os especialistas

Para Marcelo Carvalho, economista-chefe do Banco BNP Paribas no Brasil, o cenário político brasileiro está dividido hoje em três perguntas:

1) Qual o destino dos votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso há um mês por condenação na Operação Lava Jato?

2) Jair Bolsonaro (PSL) alcançou mesmo o “teto” de votos?

3) A candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ainda pode decolar?

Carvalho completa argumentando se João Doria (PSDB) não seria uma boa alternativa na disputa presidencial.

Já no relatório de seis páginas do banco americano JP Morgan, a maior preocupação apontada é a falta de candidatos de centro-direita. “A falta de popularidade de todos os candidatos de centro reformistas mostra os desafios no nosso cenário de referências market friendly, ou favoráveis ao mercado”.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho no Brasil, acredita que a falta de avanço de Alckmin e Henrique Meirelles (MDB) nas pesquisas de intenção de voto demonstram as chances de que se eleja um presidente reformista, mas com pouca força no Congresso.

O relatório do Banco Nomura segue a mesma linha de raciocínio do Banco Mizuho e cita Geraldo Alckmin como o melhor candidato reformista. O estrategista da instituição, João Pedro Ribeiro, afirma que a história de Alckmin, o que ele fala e o que pensa, conta muito para a escolha.

O Banco de Investimentos MUFG, resume o momento político do Brasil com a palavra incerteza, especialmente quando se considera um cenário eleitoral sem o nome de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A segunda opção de voto de quem votaria em Lula pode colocar um candidato inesperado no segundo turno e mudar o resultado final apontado nas pesquisas”, diz o relatório.

No dia 03 de maio, o Instituto Paraná Pesquisas divulgou uma pesquisa de intenção de voto feita com 2.002 pessoas em 153 cidades brasileiras.No cenário sem o petista Lula, Jair Bolsonaro aparece na frente, com 20,5% das intenções de voto, seguido por 17,5% que pretendem votar em “nenhum” candidato. Marina Silva aparece em terceiro lugar, com 12,0%. Joaquim Barbosa soma 11% e Ciro Gomes tem 9,7% das intenções de voto.

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